Boa redação é passo para ter vaga no Sisu

Luís Arthur Haddad conta como tirou nota mil na redação do Enem no ano passado
Outubro chegou e com ele o tão temido Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a primeira porta de entrada para as universidades públicas do país. Mesmo para quem está estudando há anos para o exame e está sempre com os exercícios em dia, driblar o nervosismo é tarefa quase impossível. Com a contagem regressiva para as provas, que ocorrem nos próximos dias 24 e 25, vem também o desespero para tentar aprender o que ainda não ficou muito claro, alunos buscam por macetes para agilizar a execução da prova e formas de correr atrás do prejuízo nos 45 minutos do segundo tempo. Para ajudar os estudantes nessa difícil missão, a Tribuna começa hoje a série “Partiu Enem”, na qual irá trazer dicas de especialistas sobre a prova, formas de potencializar o desempenho e de reduzir a ansiedade.
Uma das primeiras preocupações dos alunos é quanto à redação, já que, em muitos casos, ela é decisiva na nota final e pode garantir uma das vagas disponibilizadas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Conforme o professor de redação do Colégio Equipe, Wilton de Paiva, sempre há questionamentos sobre qual tema irá cair na prova. “No entanto, essa não é uma preocupação que o aluno precisa ter. Sempre aparecem temas de situações cotidianas, que o aluno tem condições de falar a respeito. Os argumentos e aparatos teóricos que ele precisa para escrever já vêm nos textos motivadores.” O estudante de engenharia elétrica da UFJF Luís Arthur Novais Haddad, 20 anos, que tirou nota mil na redação do Enem no ano passado, conta que não tinha nenhum conhecimento sobre o tema, que foi publicidade infantil. “Eu tinha pouco conhecimento sobre o assunto, mas usei citações de coisas que eu tinha lido e tinha estudado desde o começo do ano. Para o Enem, eu lia muitas revistas de atualidade, um pouco de jornal e bastante literatura que, apesar de ser ficção, me deu vocabulário.”
O professor Wilton pede para que os estudantes prestem atenção na norma culta da língua. “O candidato precisa evitar usar gírias, expressões coloquiais, estrangeirismo. Se não conhece a grafia de uma palavra, trocar por um sinônimo.” Outro ponto importante apontado pelo professor é realizar uma proposta de intervenção. “Esse é o grande terror dos alunos. Eu digo sempre que há questões que nem o Governo sabe como resolver. Mas, na prova, a ideia é que eles apontem soluções para os problemas que eles levantaram no decorrer do texto, respeitando sempre os direitos humanos.”
O docente recomenda que o candidato não perca muito tempo escrevendo toda a redação no rascunho. “O ideal é usar o rascunho como organizador mental, para pensar os argumentos e contra-argumentos e poder ordená-los de forma lógica na hora de escrever a redação.” Ele ainda aconselha o aluno a iniciar o teste pela redação. “Alguns acham que começando pelas questões, podem achar argumentos que vão ajudar na redação. Mas depois de ler muitos textos, ainda ter que produzir um é muito arriscado.” O estudante Luís Arthur também acredita ser melhor começar pela redação. “Assim, você ainda não está nervoso e não fica preso pensando nas questões que não conseguiu resolver da prova.” Para o universitário, o que fez sua prova ser nota mil foi ela ser “simples e direta”. “Não fiquei inventando nada de muito diferente. Usei o que já sabia que funcionava bem.”









