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Tratamento de esgoto só começa em 2016


Por EDUARDO VALENTE

13/05/2015 às 06h00

Cada reator da ETE União-Indústria concentrará cerca de 5 milhões de litros de esgoto para a remoção de gases poluentes e lodo

Cada reator da ETE União-Indústria concentrará cerca de 5 milhões de litros de esgoto para a remoção de gases poluentes e lodo

O tratamento do esgoto produzido na cidade, e atualmente despejado no Rio Paraibuna, deve começar em janeiro de 2016. A nova previsão foi confirmada pela Cesama que, anteriormente, trabalhava com a expectativa de iniciar o processo em julho deste ano. De acordo com a companhia, o cronograma de algumas intervenções foi alterado devido a dificuldades técnicas e para minimizar os impactos das obras no trânsito. Além da instalação da rede coletora nos córregos e da interceptora, às margens da Avenida Brasil, que receberá os dejetos antes que eles caiam no Rio Paraibuna, ainda falta a conclusão das obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) União-Indústria, em construção no Bairro Granjas Bethel, Zona Sudeste. Conforme a empreiteira responsável pela obra, já foram montadas 60% da estrutura, composta por oito reatores, um laboratório de análises, o setor administrativo e um galpão de armazenamento de lodo, que depois deverá ser transportado para o aterro sanitário.

Se as próximas metas forem cumpridas, o Município poderá começar o próximo ano com um patamar entre 50% e 60% dos esgotos tratados, o que corresponde ao despejado pelo córrego Independência (região central e Zona Sul) e pelo trabalho feito na Zona Norte, por meio da ETE Barbosa Lage. Até o fim de 2016, a intenção é chegar a 75%, o que será possível com o avanço das obras de ligação das redes coletoras nos outros córregos que serão atendidos pela ETE União-Indústria, que são o Matirumbide (Zona Leste), Tapera (Zona Nordeste), São Pedro (Cidade Alta) e Yung (Zona Leste). Também terá prosseguimento, a partir do segundo semestre deste ano, a finalização da rede interceptora, na margem esquerda do rio, e em alguns trechos no lado direito.

Conforme o diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, o sistema montado na cidade prevê a cobertura de 85% do esgoto gerado. Para atingir a totalidade, segundo ele, é preciso manter o trabalho já em andamento de separação das redes de esgoto e captação pluvial, o que ainda ocorre em algumas vias. “A água inviabiliza o processo de tratamento. Por isso, precisamos ter certeza, antes de ligar as tubulações à rede interceptora, de que ali só tem esgoto.” Além disso, está prevista a ampliação da ETE Barbosa Lage, que elevará sua capacidade de tratamento, dos atuais 112 litros por segundo para 375 litros por segundo.

A ETE União-Indústria foi planejada para receber até 850 litros por segundo de esgoto que, atualmente, são despejados no Rio Paraibuna desde a ponte de Santa Terezinha, na região Nordeste. O tratamento inicial atenderá 300 litros por segundo, o que corresponde à rede montada a partir da Rua Halfeld.

Poluentes

Na opinião do doutor em geografia e professor da UFJF Pedro José de Oliveira Machado, ainda é cedo para afirmar que 60% do esgoto tratado serão suficientes para a população começar a ver peixes e diferenças no aspecto da água. Mesmo assim, ele disse que espera melhorias na oxigenação e na redução da demanda bioquímica de oxigênio (DBO), que é uma classificação que avalia a quantidade de oxigênio necessária para estabilizar a matéria orgânica. Ou seja, quanto menor for a DBO, menos poluente é o córrego.

“Se isso reduzir, certamente a qualidade da água e a vida aquática melhoram, mas é cedo para afirmar que terá peixes de forma imediata. Eu tenho avaliações, feitas por dois anos que mostram a qualidade da água do Rio Paraibuna e pretendo iniciar comparações assim que o tratamento do esgoto começar.” Sobre o atraso de seis meses no cronograma, o especialista argumentou que não fará diferenças no rio, que já está deteriorado.

O também doutor em geografia e professor Cézar Henrique Barra, que coordena o curso de especialização em análise ambiental da UFJF, questionou o fato de a Cesama ter escolhido uma grande estação para o tratamento dos efluentes. Segundo ele, seriam mais eficientes pequenas unidades, na foz dos córregos que contribuem com esgoto no leito do rio. “Penso que, da forma como está sendo feito, será difícil fazer todo o esgoto chegar na rede coletora, porque ainda há muitas ligações clandestinas na cidade. São casas que ligam a rede de esgoto na captação pluvial que continuarão desaguando no Paraibuna, deixando-o comprometido.” Ambos os especialistas disseram esperar que a captação chegue em outros córregos importantes do município, como Matirumbide, Tapera, São Pedro e Yung.

Necessidade de trabalho de conscientização

Antes de começar a operar, devem ser concluídas, até dezembro, as obras civis em duas estações elevatórias (Poço Rico e Vila Ideal) e alguns trechos da rede coletora, concentrada entre a Vila Ideal e o Granjas Bethel. Segundo o diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, houve atrasos neste trecho porque a tubulação passa por áreas de terrenos privados. “As autorizações de passagem são do ano de 2008 e, desde então, algumas propriedades mudaram de dono, e daí tivemos algumas dificuldades”, esclareceu, dizendo que, apesar disso, 80% desta atividade já estão concluídas.

As obras de despoluição do Rio Paraibuna compreendem um investimento na ordem de R$ 106 milhões disponibilizado pelo Ministério das Cidades. Deste total, R$ 70 milhões chegaram por meio de financiamento e outros R$ 36 milhões pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que, por utilizar recursos a fundo perdido, não necessitam de contrapartida do Município. Do montante, já foram executados aproximadamente R$ 43 milhões, segundo a Cesama.

Para ter um rio despoluído, porém, Marcelo afirma que será necessário um trabalho de conscientização. “Certamente o aspecto do rio vai mudar. Ele vai continuar tendo uma água escura, porque é sua característica, mas não terá mais aquela cor cinzenta do esgoto. Só que a população precisará contribuir, deixando de despejar lixo na água.”