Após temporais, reconstrução de Juiz de Fora pode custar R$ 1 bi, calcula prefeita
Informação de avaliação preliminar foi divulgada durante entrevista ao programa Tribuna no Ar, da Rádio Antena 1 Juiz de Fora; prefeita ainda realizou promessa para o Bairro Industrial e detalhou casos como da Gentil Forn e do Morro do Imperador
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), afirmou, na manhã desta sexta-feira (13), que a Prefeitura avaliou, ainda de maneira preliminar, que a reconstrução geral da cidade deve custar cerca de R$ 1 bilhão aos cofres públicos, que o Município trabalha para dar respostas emergenciais e estruturais após as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e deixou promessas sobre intervenções em áreas afetadas, como obras de drenagem e contenção de encostas.
Durante entrevista concedida ao programa Tribuna no Ar, da Rádio Antena 1 Juiz de Fora, ao vivo, a chefe do Executivo detalhou a situação das famílias atingidas, comentou os custos da reconstrução da cidade e destacou a parceria com o Governo federal, citando o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ainda na entrevista, a prefeita assegurou que as pessoas que “perderam as casas completamente” – cerca de duas mil na atual contagem da Prefeitura – não precisam de laudo da Defesa Civil e têm as situações encaminhadas para a Caixa Econômica Federal, para o andamento do benefício pelo programa Compra Assistida, do Governo federal. Confira a entrevista completa:
Tribuna no Ar: Prefeita, qual é a realidade atual dos impactos das chuvas em Juiz de Fora e a situação das famílias que foram diretamente afetadas?
Margarida Salomão: Nós temos hoje, em Juiz de Fora, 8.800 pessoas desalojadas, não quer dizer que estejam desabrigadas, certo? Estavam desabrigados e nós os recolhemos, nós os abrigamos. Chegaram a ser 700 pessoas que ficaram em 18 escolas que nós abrimos e que foram o lugar de acolhimento, o abrigo. Essas pessoas, elas foram todas encaminhadas para outras soluções. No momento, estamos com 50 apartamentos alugados para famílias maiores, para que elas possam se posicionar como unidades familiares, inclusive. E o restante, neste momento, tem hotel, mas nós esperamos que, para muito breve, essas pessoas sejam encaminhadas também para uma solução um pouco mais duradoura, como é o caso do aluguel social do auxílio-moradia, que nós já prestávamos mesmo.
– O que as pessoas que perderam as casas e não possuem laudo da Defesa Civil devem fazer para integrarem o programa Compra Assistida e terem direito ao imóvel de até R$ 200 mil?
Muita gente está dizendo assim: ‘Eu não estou com laudo da Defesa Civil’. Para as pessoas que perderam as suas casas completamente, isso está na faixa de duas mil. Essas duas mil pessoas não precisam de laudo nenhum, porque nós já temos a situação técnica delas cadastradas. Nós já temos essas pessoas encaminhadas para a Caixa Econômica Federal, que é quem vai lhes prestar o primeiro socorro em termos de moradia, através do programa de Compra Assistida. E ontem, eu estive aqui com moradores da região dos Paineiras. Essas pessoas querem saber se podem voltar para casa, porque nós já tivemos o momento do terror e agora nós estamos no momento da impaciência. É compreensível. Só que nós teremos mais chuvas esse final de semana, inclusive previsão de tempestades. Então, nós precisamos, nesse momento, aguentar mais um bocadinho para que nós possamos ter uma avaliação técnica segura, que as pessoas possam retornar para as suas casas sem correr riscos.
– Com relação a algumas obras estruturais que serão necessárias para garantir segurança à população, a Prefeitura já tem mapeadas algumas delas. Já existe uma nova estimativa de custos e prazos para intervenções, como, por exemplo, na Gentil Forn e no Morro do Cristo?
Você está falando de obras estruturais. Nós temos de dois tipos, porque as pessoas foram muito afetadas pelas chuvas de duas formas. Ou as casas delas foram alagadas, como lá no Mariano, no Bairro Industrial, que a água subiu dentro de casa, acabou com os móveis, acabou com as coisas de todas as pessoas. Isso é um problema. E você tem o problema dos deslizamentos de encostas, que, com essas chuvas de fevereiro, se avolumaram de um modo terrível, assustador. Com relação às questões da drenagem, isso já estava encaminhado. As obras do Bairro Industrial começaram essa semana. E as obras do Mariano vão começar semana que vem. E, aproveitando a calamidade, nós também aceleramos a contratação.
Eu quero dizer que, nas próximas chuvas, essas pessoas não terão mais a água dentro de casa. Isso é a palavra de Margarida Salomão. Vocês estão gravando aí. Preste atenção, porque não vai ter mais água dentro de casa na Feliciano Pena, na Duarte de Abreu e nas ruas lá tão sofridas do Bairro Industrial.
– E em relação aos morros?
Nós estamos com equipes técnicas, além da Defesa Civil, equipes técnicas muito sofisticadas, fazendo o levantamento da necessidade de recursos, avaliação dos danos. No caso do Morro do Cristo, é uma situação complicada. Nós já providenciamos, de uma forma reparatória, o desvio da água lá de cima, daquele aluvião que caiu. Mas existem muitas pedras soltas no morro. Então, é por isso, inclusive, que nós estamos pedindo às pessoas para terem um pouco mais de calma, para nós sabermos qual é, de fato, o risco iminente com o qual nós estamos lidando. Ali, certamente, será uma obra muito cara e com muitas etapas, porque você vai ter intervenções em vários lugares da encosta. Então, tenho uma equipe técnica que já espero, ao correr do próximo mês, ter um projeto para poder obter os recursos, porque eu não vou obter recursos sem projeto.
– E quanto à Estrada Engenheiro Gentil Forn?
Uma situação dificílima. Ali, para você ter uma ideia, dois dias atrás, despencou mais um pouco. Aquilo ali é muito instável mesmo. E aí é uma coisa, por exemplo, que é coisa de tantos anos. Lá não tinha drenagem. Então, a água, claro que ela procura o caminho dela, e o caminho dela, nesse caso, é destruidor. É inevitável. Então, ali vai ser uma obra de grande porte. Em uma avaliação muito preliminar, é alguma coisa na faixa de R$ 90 milhões, e que nós vamos, tanto quanto possível, iniciar imediatamente, porque a Gentil Forn é uma das vias mais importantes para a mobilidade geral da cidade. Mas é claro que nós também precisamos concluir o diagnóstico, ter um projeto, para que nós possamos imediatamente começar os remédios.
– O presidente Lula esteve aqui, garantiu, inclusive, que as pessoas vão ter as suas casas, como a senhora também mencionou agora há pouco. Qual tem sido a importância dessa parceria com o Governo federal no processo de reconstrução da cidade e no apoio a essas famílias atingidas pelas chuvas?
É um apoio absolutamente fundamental, porque nós não teremos, onde que eu vou arranjar R$ 90 milhões, R$ 200 milhões? Há uma avaliação, mas muito preliminar ainda, de que a reconstrução geral seria alguma coisa na ordem de R$ 1 bilhão. Eu não tenho R$ 1 bilhão disponível para isso, até porque algumas frentes, por exemplo, Gentil Forn, Morro do Cristo, são problemas novos que apareceram. Isso não era uma coisa que a gente vinha prevendo ao longo desse período. Então, a parceria com o Governo federal, e tem, inclusive, funcionários do Governo federal instalados aqui na Prefeitura, instalados em Juiz de Fora, na Caixa Econômica, para dar suporte a Juiz de Fora e a Ubá. Nesse momento, estamos, inclusive, encaminhando para eles a listagem das pessoas, das casas que ficaram totalmente destruídas.









