Jaguatirica atropelada na MG-133 retorna à natureza após tratamento no Cetas de Juiz de Fora; veja vídeo e fotos

Animal passou por reabilitação e avaliações comportamentais antes de ser solto em área de Mata Atlântica próxima ao local do resgate 


Por Nayara Zanetti

12/06/2026 às 13h18

A jaguatirica atropelada no fim de maio na MG-133, próximo ao município de Piau, foi reintroduzida à natureza após passar por tratamento e reabilitação no Centro de Triagem de Animais Silvestres de Juiz de Fora (Cetas/JF). A soltura ocorreu na última quinta-feira (11), em uma área de Mata Atlântica próxima ao local onde o animal havia sido resgatado. 

O felino foi encontrado ferido após um atropelamento registrado em 31 de maio. Depois de ser localizado por equipes do Corpo de Bombeiros e do Cetas com auxílio de um drone com câmera térmica, foi encaminhado para atendimento veterinário. O animal apresentava um corte na cabeça e escoriações.

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Jaguatirica foi resgatada com ferimentos após atropelamento na MG-133. (Foto: Divulgação/Cetas-JF) )

No Cetas, exames clínicos e de imagem identificaram fraturas simples, ferimentos leves e um quadro de desidratação. Segundo a analista ambiental e bióloga do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Sarah Stutz, foram adotados protocolos de hidratação, analgesia e estabilização. Em cerca de dez dias, a jaguatirica respondeu muito bem aos procedimentos. 

Durante esse período, o animal permaneceu em um recinto adaptado para preservar seus comportamentos naturais. O espaço foi mantido isolado do contato humano, recebeu aquecimento e presas vivas para estimular o instinto de caça.

O que define se um animal silvestre pode voltar à natureza? 

Antes da soltura, a jaguatirica passou por uma série de avaliações realizadas pela equipe técnica do Cetas. De acordo com a bióloga do IEF, a recuperação física não é o único requisito para que um animal silvestre retorne à natureza. 

Entre os aspectos observados estão a capacidade de locomoção, a reação a estímulos visuais e sonoros, a habilidade para capturar presas e o comportamento de evitar a aproximação de seres humanos.

“A resposta comportamental de evitar seres humanos é um comportamento natural de animais selvagens e é necessário para que o animal não busque residências ou interação com humanos em busca de sua sobrevivência”, explica Sarah. 

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Reintrodução do animal à natureza contou com a participação da equipe do Cetas e do Corpo de Bombeiros. (Foto: Divulgação/Cetas-JF)

Somente após a confirmação desses critérios a equipe considerou o felino apto para retornar ao ambiente natural. 

A soltura foi realizada pelo IEF com apoio do Corpo de Bombeiros em uma área de Mata Atlântica, habitat natural da espécie. Segundo Sarah, a definição do local segue critérios técnicos que buscam aumentar as chances de sobrevivência do animal.

São considerados fatores como a existência de fragmentos florestais preservados, distância de residências e rodovias, acesso a recursos hídricos e ocorrência natural da espécie na região.

Atropelamentos atingem centenas de animais silvestres na região

O IEF e o Ibama, responsáveis pela gestão da unidade, recebem anualmente entre 3 mil e 5 mil animais silvestres no Cetas de Juiz de Fora. Cerca de metade deles é resgatada em áreas urbanas e periurbanas. 

Segundo a analista ambiental, não há estatísticas precisas sobre atropelamentos. Isso porque, em muitos casos, os animais chegam ao Cetas acompanhados apenas de boletins de ocorrência ou entrega de cidadãos voluntários, sem que a causa dos ferimentos seja conhecida. 

No entanto, quando os resgates ocorrem em rodovias ou vias pavimentadas e os animais apresentam lesões compatíveis com esse tipo de acidente, os técnicos identificam indícios de atropelamento. “Podemos afirmar que recebemos com frequência animais silvestres vítimas de atropelamentos.”, destaca. 

Entre as vítimas estão aves, répteis e mamíferos, incluindo animais como jaguatiricas, capivaras, lobos-guará e onças-pardas. 

Tópicos: cetas / jaguatirica / mg-133 / piau