Reajuste da passagem entra em vigor dia 20 de junho
Atualizada às 19h48
No próximo sábado, dia 20, os juiz-foranos começam a pagar mais caro pela passagem de ônibus, que sobe dos atuais R$ 2,25 para R$ 2,50 em Juiz de Fora. O anúncio foi feito ontem pelo secretário de Transportes e Trânsito, Rodrigo Tortoriello, em audiência pública na Câmara Municipal. Na ocasião, ele voltou a apresentar a planilha de cálculo tarifário, que embasou o aumento de 11,1%. O reajuste também vale para o bilhete único, que passa de R$ 3,37 para R$ 3,75.
Após apreciação do Conselho Municipal de Transportes, na noite de quinta-feira (11), e apresentação da proposta no Legislativo ontem, só falta a assinatura do decreto pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB), prevista para acontecer nos próximos dias. O aumento é superior à inflação do período medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 8,47%, referente aos últimos doze meses.
Na composição da tarifa, os custos fixos representam 67,2% do total. Neste item, as despesas com pessoal e benefícios têm maior peso (48,4%). No grupo estão incluídos ainda depreciação (6,62%) e remuneração (6,60%) de frota, instalações e equipamentos, além de despesas administrativas (5,56%). Já os custos variáveis respondem pelos demais 32,79%. Neste caso, o combustível tem maior peso (20,12%), seguido pelos itens rodagem, óleo e lubrificantes, além de peças e acessórios.
No cálculo realizado pela Settra, o custo do sistema apurado foi de R$ 4,87 por quilômetro rodado (R$ 3,27 de custos fixos e R$ 1,59 de variáveis). Este valor é dividido pelo índice de passageiros por quilômetro (2,075), acrescido de taxas e impostos, chegando a R$ 2,52662. Mantendo a tradição – e para facilitar o troco nas roletas -, o valor será arredondado para baixo pelo prefeito. Em maio, durante as negociações salariais dos rodoviários, os empresários chegaram a pleitear aumento de 16%, o que elevaria a tarifa para R$ 2,61.
Vereadores criticam audiência feita às pressas
A audiência contou com pouco quórum. Começou pontualmente às 9h e terminou em menos de uma hora. Apenas dois presentes pediram a palavra. O presidente do Sindicato dos Bancários, Robson Marques, criticou o fato de a reunião ter sido marcada às 9h, “cerceando a participação popular”. Já o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios, Reginaldo de Freitas Souza, considerou “absurda” a alta de 11,1% e convocou os descontentes a ganharem as ruas, em protesto.
Entre os parlamentares, o vereador José Emanuel (PSC) disse ter sido surpreendido com a audiência, destacou que os vereadores não têm direito a voto e que não podem ser considerados, pela população, responsáveis por este aumento. Na sua opinião, é preciso pedir explicações ao Conselho Municipal de Transportes sobre o resultado da reunião de quinta-feira, em que, dos 16 integrantes aptos a voto, onze foram favoráveis e cinco contrários ao ajuste.
O vereador Chico Evangelista (PROS) também se posicionou contra a majoração e questionou a sua aplicação em um momento de crise econômica. O vereador Roberto Cupolillo – Betão (PT) endossou os protestos contra o dia e o horário de realização da audiência, criticou a falta de aprofundamento na análise dos itens que compõem a planilha e defendeu o debate acerca da municipalização do transporte.
Tortoriello alega pressão inflacionária
Sobre as críticas ao aumento, Tortoriello destacou o “represamento de custos” do período de março de 2014, quando o último reajuste foi anunciado, a outubro, quando foi realmente implementado, além do peso dos insumos em um momento de pressão inflacionária. “Esperar mais poderia ser um pouco irresponsável da nossa parte. A gente está vendo reflexos na rua, o envelhecimento da frota, problemas de quebra de veículos. Com isso (o aumento), pretendemos recuperar a capacidade de custeio desse sistema para as empresas de ônibus e tentar manter o serviço com uma qualidade um pouco melhor do que a prestada hoje.”
Na planilha, consta que dos 589 veículos da frota, 137 tem entre sete e oito anos de uso. O secretário destacou, ainda, que o Município tem adotado ações para melhoria da qualidade do serviço, como readequação de horários e implantação do sistema GPS.
O último reajuste tarifário em Juiz de Fora, de 9,75%, foi anunciado em abril do ano passado, mas aplicado, de fato, em outubro, após liberação pelo TCE, sob a condição de que novo aumento só poderia acontecer após o processo licitatório do transporte coletivo ou em condição excepcional, justificada e julgada pelo órgão. Para a Settra, as altas de custos são enquadradas como justificativa, que será apresentada oficialmente ao Tribunal após a implementação do aumento, conforme previsto neste caso. O edital da concorrência foi lançado no mês passado.









