Ocupação das praças faz a diferença

Praça do Bairro Santa Luzia está revitalizada e dispõe de atrativos para a comunidade
A Tribuna percorreu, nos últimos dias, mais de uma dezena de praças pela cidade e encontrou duas realidades diferentes. De um lado, espaços conservados e, de outro, áreas abandonadas e sujas. No primeiro caso, estão aquelas ocupadas por projetos da iniciativa pública ou privada e de outro as sem atrativos e com degradação aparente, que se tornaram pontos para uso de drogas ou foram ocupadas por moradores de rua. Neste caso, encaixam-se logradouros de bairros como Vitorino Braga, Poço Rico, Santa Tereza, Jardim do Sol, Vila Ideal, Lourdes, Linhares, Marumbi, Mariano Procópio, Santa Helena e Bairu. Já entre os pontos visitados pela reportagem que são frequentados pelas comunidades estão as praças dos bairros Santa Luzia, Jardim Glória e do trevo do Bom Pastor.
Os espaços com ocupações fixas são minoria. Levantamento realizado pela Prefeitura, a pedido do jornal, mostra que, dos 250 locais identificados como praças ou logradouros, em apenas nove existe programação fixa da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), como a promoção de prática esportiva ou caminhada orientada para adultos e idosos. Em outras, comerciantes utilizam o espaço público com mesas e cadeiras, principalmente nos finais de semana. Nestas áreas, as reclamações dos moradores são inferiores às demais, e a manutenção é, aparentemente, realizada com frequência.
Nos lugares onde não há ocupação, a reclamação da vizinhança é constante. Na Praça Senador Teotônio Vilela, no Vitorino Braga, Zona Sudeste, apesar da existência de um amplo equipamento urbano, como pista de skate, campo de futebol, quadra poliesportiva e mesas com jogos de dama, a comunidade está afastada pela inexistência de programação para ocupação. Um morador da área contou 25 lâmpadas queimadas e diz que o sentimento de quem passa por ali é de "medo", já que o tráfico teria tomada conta da área, principalmente a partir das 22h. "Também é comum a prática de sexo explícito".
Outro espaço alvo de reclamações é a Praça da República, no Poço Rico, região Sudeste. Embora possua um painel de Di Cavalcanti, em comemoração ao centenário de Juiz de Fora, a ausência de outros equipamentos atrativos inibe a visitação e favorece a ocupação por moradores de rua. Sentados ao lado do monumento, eles espalham roupas e restos de comida pelo chão. Situação semelhante à encontrada na praça do Bairro Santa Tereza, na mesma região. Sobre isso, a Secretaria de Assistência Social (SAS) informou, por meio da assessoria de comunicação, que diariamente uma equipe aborda estas pessoas e as convida a aceitarem os serviços da Prefeitura. Elas são encaminhadas a serviços, como o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), o Núcleo do Cidadão de Rua ou a Casa da Cidadania.
Sujeira
Em outros dois espaços, não há lixeiras e a sujeira se espalha por todo o lado. É o caso das praças Prefeito Olavo Costa (Praça da Baleia), no Bairu, Zona Leste, e da Pedro Marques (Praça da Melquita), no Santa Helena, região central. Nesta última, de acordo com o morador do entorno e auditor fiscal Félix Metre, 57, a Empav demora mais de 30 dias para realizar a limpeza. "Sem contar as calçadas quebradas, que oferecem riscos aos pedestres. Vivo nesta região há mais de 30 anos e posso afirmar que a praça está abandonada."
Na Praça Francisco Bellei, no Jardim do Sol, região Sudeste, embora a SEL promova caminhada com a comunidade duas vezes por semana, o piso está destruído. Conforme o aposentado Geraldo Azevedo, 65, morador do bairro, o serviço de limpeza não é constante, o que estaria desmotivando o uso. "É resto de comida, latas, copos e até fezes", lamenta. A comerciante Hermínia Maria Dias, 39, afirma que grande parte da estrutura está quebrada há mais de um ano. "Impossível utilizar bancos e mesas."
Em nota, a assessoria da Secretaria de Obras cita pelo menos 17 praças que foram revitalizadas nos últimos meses. Entre elas, as de Benfica, Industrial, Monte Castelo e Jóquei II, na Zona Norte, Santa Luzia e Graminha, Zona Sul, Santos Dumont e Caiçaras, na Cidade Alta. Neste momento, ainda conforme a assessoria, serviços de revitalização são executados nas praças de Paula Lima e Santa Cruz, na Zona Norte, São Mateus, região Sul, e Bonfim, na Zona Leste. Sobre a manutenção, a secretaria informou que poda de grama e limpeza são exercidas periodicamente. A pasta reforça a importância de a comunidade colaborar para que os serviços tenham maior durabilidade. O telefone de contato da Empav é o 3215-6499.
Parceria é considerada fundamental
Na opinião do presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), núcleo Juiz de Fora, Marcos Olender, a ocupação das praças, seja por serviços públicos ou privados, é fundamental para evitar a degradação e abandono. Segundo ele, o uso destas áreas depende da segurança e dos atrativos fornecidos. "Estes espaços devem ser construídos pensando na sua utilização futura, seja ele um parquinho para crianças ou bancos para sentar e dialogar com amigos, ou ler um jornal. Um bom exemplo é a praça Armando Toschi, no Jardim Glória, onde bares atraem os frequentadores para o local." Um deles, instalado no local há 49 anos, mantém uma parceria com a Prefeitura para ocupação do solo. "Pagamos pelas mesas e cadeiras que são colocadas na praça e respeitamos os horários impostos. Durante a semana, fechamos antes das 22h. Para crianças, oferecemos jogos e brinquedos com o objetivo de atrair toda a família. Antes de fecharmos, todo o espaço é varrido", afirma a comerciante Rita de Cássia Vicente, 50. Ela conta que, além deste atrativo, uma missa é realizada todos os meses na área. "Temos um exemplo a ser seguido. Não há pichações e nem tráfico ou uso de drogas." O mesmo ocorre no trevo do Bom Pastor, Zona Sul, onde uma lanchonete instalada dentro da praça coibiu a ação de vândalos e usuários de entorpecentes.
A manutenção destas áreas, conforme Olender, é importante para preservar a sensação de segurança e atrair frequentadores. É o caso da Praça Padre Geraldo Pelzers, no Santa Luzia, região Sul. O espaço, recém-inaugurado, possui quadra poliesportiva e brinquedos, além de estar limpa e oferecer atividades fixas, como caminhada orientada e aulas de futsal. "A programação é super importante, mas infelizmente só ocorre em nove locais. Um bom caminho é planejar para convidar, cada vez mais, as pessoas a usarem estes serviços."
Outras atividades em praças, realizadas em Juiz de Fora, são promovidas pela Secretaria de Esporte e Lazer (SEL) por meio do programa "Bairro de lazer", com o oferecimento de jogos lúdicos e práticas esportivas com supervisão de profissionais, em diversos locais, de acordo com um calendário previamente definido. Além dos eventos culturais da Funalfa, como os encontros de Folia de Reis e charolas, blocos carnavalescos e festivais de dança, teatro e bandas novas, que ocorrem nas praças da área central e em alguns bairros.







