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Em busca de uma vida sem dor

A dor sinaliza que algo no organismo não está bem. Geralmente, o nível de intensidade é o agudo e, na maioria dos casos, cessa com alguma medicação. Existem casos de a dor se tornar persistente, mesmo depois de o paciente buscar atendimento médico e investigar a origem do sintoma. Se a condição passar de seis […]

Por Bárbara Riolino

12/03/2017 às 07h00

A dor sinaliza que algo no organismo não está bem. Geralmente, o nível de intensidade é o agudo e, na maioria dos casos, cessa com alguma medicação. Existem casos de a dor se tornar persistente, mesmo depois de o paciente buscar atendimento médico e investigar a origem do sintoma. Se a condição passar de seis meses, a dor será considerada crônica, e a pessoa precisa lançar mão de terapias que amenizem o desconforto, pois não existe cura nestes casos. Dados da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) mostram que a dor afeta, pelo menos, 30% dos indivíduos em algum momento da sua vida. A incidência da dor crônica no mundo oscila entre 7% e 40% da população e, como consequência, cerca de 60% ficam parcial ou totalmente incapacitados, de maneira transitória ou permanente, comprometendo de modo significativo a qualidade de vida. Não existem dados estatísticos oficiais sobre a dor no Brasil, mas segundo a SBED, sua ocorrência tem aumentado substancialmente nos últimos anos.

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Silvia possui um neurotransmissor implantado na medula que a ajuda a conviver com a dor (Foto: Leonardo Costa)

Para trazer mais esclarecimentos, o Grupo de Apoio e Tratamento da Dor Crônica (GATD) promove nesta segunda (13), um evento voltado para orientações e cadastro de pacientes na cidade. O encontro acontece às 14h na Superintendência Regional de Saúde, no antigo Palácio da Saúde, na Avenida dos Andradas. A presidente do grupo, Silvia Martins da Silva, explica que a proposta é mostrar para a sociedade que a dor crônica não é uma desculpa, tampouco frescura ou problemas emocionais. “Os prejuízos do não tratamento refletem na vida social e profissional do paciente, que, muitas vezes, não consegue se recolocar no mercado de trabalho e dar conta de atividades corriqueiras.”

Silvia sabe o que é conviver com a dor crônica. Há oito anos, quando trabalhava como técnica em enfermagem de um hospital, acidentou-se com uma ampola, e um dos cacos de vidro atingiu o nervo do dedo polegar da mão esquerda. De lá para cá, buscou uma série de médicos e terapias auxiliares e também se recolocar no mercado de trabalho, o que ainda não aconteceu. O resultado foram pelo menos cinco cirurgias no membro e diagnósticos imprecisos. A única certeza era a continuidade da dor. “Foram cinco anos passando por especialistas sem sucesso, até que, em 2014, realizei novo exame que mostrou que eu tinha uma lesão neuropática avançada. A indicação para o meu caso era bomba de morfina ou implantação de um aparelho de neurotransmissão na medula. Meu médico, na época, optou pelo aparelho. Apesar de ainda ter limitações, consigo levar uma vida normal.”

 

Dor começa a partir de lesão de nervo

Segundo o neurocirurgião Marcelo Quesado Figueira, a dor crônica acontece a partir da lesão de nervo, que passa a enviar ao cérebro sinais que ele interpreta como sendo a dor. “A pessoa não pode se acostumar com a dor, e um problema complicado não tem uma solução simples. Para identificar a dor, o paciente precisa passar por uma avaliação individual para verificar qual método de controle será o mais eficaz. O tratamento é multimodal, que envolve medicação, psicoterapia, bloqueios de dor, cirurgias, infiltrações, atividades físicas e terapias auxiliares, como a acupuntura”, observa. Para ele, o problema da dor é subestimado em nosso país. “A dor crônica não é bem vista na sociedade, pois muitos interpretam como alguém que está simulando ou pleiteando um ganho secundário, e isso não acontece. Você pode ter dor a vida toda e não vai morrer por conta dela, mas terá uma vida horrível. Imagina dormir e acordar com dor todos os dias?”

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Além de medicamentos e intervenções cirúrgicas, a dor crônica pode ser controlada a partir de terapias, como acupuntura, fisioterapia, crioterapia, radiação, pilates, RPG e a prática de ioga e meditação. A mais difundida é a acupuntura, que atua na estimulação de nervos periféricos distribuídos no corpo. O método tradicional é realizar a estimulação a partir de agulhas. Conforme o ortopedista e acupunturista José Antônio Meyer Pires, a acupuntura também acontece por meio de eletrodos.

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JF não tem centro de atendimento

Juiz de Fora não possui um centro de atendimento destinado exclusivamente a pacientes com dor crônica. Apesar das reuniões do grupo acontecerem às segundas-feiras na Superintendência Regional de Saúde, Silvia e outros 40 membros pleiteiam um lugar que ofereça esse tipo de serviço na cidade, ou até mesmo, a instituição de uma política pública voltada para este fim. “Precisamos que seja um local que ofereça atendimento multidisciplinar, pois a prevenção é o caminho, e a dor precisa ser levada a sério”. O GATD teve início em 2010, dentro do Hospital João Penido, e reunia pacientes que começaram a conversar entre eles sobre dor crônica. Silvia conta que todos buscavam apoio, pois as próprias famílias não compreendiam a condição deles.

A Prefeitura de Juiz de Fora, por meio da Secretaria de Saúde, informa que a Subsecretaria de Redes Assistenciais possui alguns tratamentos relacionados a doenças específicas, como o Departamento de Práticas Integrativas e Complementares (Dpic), que oferece tratamento a dores crônicas através da acupuntura. A pasta diz, ainda, que, no Departamento de Saúde do Idoso, há profissionais de fisioterapia destinados a tratar dores crônicas comuns da idade, e que algumas Unidades de Atenção Primária à Saúde (Uaps) também ofertam grupos de alongamentos e atividades físicas que auxiliam no tratamento e prevenção das dores crônicas.



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