Integrantes de grupo criminoso com atuação em JF são condenados a até 48 anos de prisão

Rede criminosa foi acusada de usura, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa


Por Bernardo Marchiori

11/08/2025 às 18h49

Dez pessoas (sete homens – incluindo dois policiais militares – e três mulheres) foram condenadas a penas até 48 anos de prisão, além de multa, pela prática dos crimes de usura, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa armada. A rede criminosa atuava em Juiz de Fora e foi alvo de operação deflagrada pelo Gaeco em julho de 2023.

As penas deverão ser cumpridas inicialmente em regime fechado. Cinco deles, que já estavam presos preventivamente, não poderão recorrer em liberdade. A Justiça também determinou a perda de bens e valores decorrentes das atividades criminosas, após o trânsito em julgado, e a perda da função pública dos dois policiais.

Na época do início da operação, 13 mandados de prisão preventiva foram cumpridos em Juiz de Fora e Anchieta, no Espírito Santo. A operação também desencadeou 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro e indisponibilidade que ultrapassam R$ 16 milhões. O MP tinha confirmado à reportagem que três policiais militares foram presos, sendo dois da ativa e um da reserva.

Conforme a denúncia do Ministério Público, o Gaeco instaurou Procedimento Investigatório Criminal após receber uma notícia crime enviada pela Polícia Militar. Foi informado sobre a existência de um grupo de pessoas suspeitas de integrarem uma rede criminosa envolvida com o tráfico de drogas e de armas, agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.

O relatório da PM apontava, inclusive, o envolvimento de dois policiais militares com traficantes de drogas e de armas atuantes nos bairros Santo Antônio e Vila Ideal. Segundo o MP, os militares teriam se associado aos traficantes e ficado responsáveis pela proteção pessoal dos criminosos e dos “negócios da organização”, principalmente com o monitoramento e o repasse de informações privilegiadas.

A apuração indica que os negócios escusos evoluíram para a lavagem de dinheiro por meio de financeiras que emprestariam dinheiro a juros exorbitantes e, para assegurar o cumprimento das obrigações pelos clientes, o grupo criminoso se valeria de ameaças, violência física e intimidações aos clientes e seus familiares. “No processo de cobrança, funcionários e gestores dessas empresas utilizavam-se de grande violência e grave ameaça, com emprego de arma de fogo, praticando de maneira reiterada diversos crimes de extorsão.”

O MP ainda destaca que o dinheiro utilizado como capital de giro para os empréstimos seria, em grande medida, proveniente do tráfico de drogas, e os denunciados passaram a captar clientes interessados em “investir” nos negócios do grupo criminoso por meio de empresas criadas para acobertar a prática de agiotagem e extorsão. Em troca, os supostos investidores, que possuíam ciência de como os denunciados potencializavam os ganhos e retornos, receberiam rendimentos em valores muito superiores aos de mercado.

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