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Insegurança ronda campus


Por MICHELE MEIRELES

11/04/2015 às 06h00

Alunos reclamam de escuridão e mato alto no escadão que liga o ICE ao anel viário (leonardo costa/10-04-15)

Alunos reclamam de escuridão e mato alto no escadão que liga o ICE ao anel viário (leonardo costa/10-04-15)

Uma rotina de insegurança. É assim que os estudantes do Instituto de Ciências Exatas (ICE) da UFJF definem o modo como se sentem no local, principalmente durante a noite. A Tribuna esteve no campus e constatou a falta de iluminação em diversos pontos e a presença restrita de seguranças privados. A vulnerabilidade vem fazendo com que acadêmicos mudem hábitos para se proteger. Na noite da última quarta-feira, uma aluna do curso de engenharia elétrica, de 22 anos, foi assaltada quando saía da aula. No mesmo dia, quatro estudantes também haviam sido rendidos e roubados por dez criminosos em outra instituição, no estacionamento da Faculdade Machado Sobrinho.

No caso da UFJF, o crime ocorreu por volta das 20h, quando a jovem esperava o ônibus em um ponto na saída do ICE. Segundo a vítima, ela foi abordada por dois garotos, que portavam facas, e roubaram seu celular. “Neste dia, como estava sozinha, não desci pelo escadão (que dá acesso ao anel viário da UFJF), justamente por questão de segurança, e acabou acontecendo isto. Depois do assalto, tentei procurar algum segurança ao redor, porém não tinha nenhum. Fui até o ponto em frente ao Instituto de Ciências Humanas (ICH), onde desci para pegar o primeiro ônibus que pudesse”, relatou a estudante.

A jovem, que costuma sair por volta de 23h da universidade, afirmou que, desde o episódio, não volta mais sozinha para casa. “Depois das 22h, não passa mais ônibus no ICE, inevitavelmente tenho que descer, não corro mais este risco, meu pai tem vindo me buscar. Minha preocupação não é com bens materiais, e sim com que algo mais grave ocorra,” relata. A Tribuna conversou com diversos universitários do ICE, que abriga os departamentos de ciência da computação, estatística, física, matemática, química e universalização da informática e alunos de outros cursos que têm aulas no espaço. Todos relataram a vulnerabilidade do local e temem a violência. Uma das principais preocupações é com um escadão, que liga o prédio do ICE, inaugurado no segundo semestre de 2009, ao anel viário.

O local tem mato alto no entorno e construções inacabadas, que podem servir de abrigo para criminosos. Na noite da última quinta-feira, quando a reportagem esteve no campus, parte do acesso estava iluminada, mas os estudantes denunciaram que as lâmpadas ficam apagadas com frequência. “Temos que ir iluminando o caminho com a luz do celular. Procuramos sempre descer em grupos maiores, mas em alguns dias não dá. Não tem pra onde fugir: se não utilizarmos o escadão, temos que dar a volta no ICE, o que é igualmente perigoso”, contou uma discente do curso de física. Três colegas, estudantes de física, engenharia e química, moram nos arredores da UFJF, mas não se expõem. “Dava para ir a pé, mas não nos arriscamos. Sempre estamos em grupo e vamos de ônibus. Aqui é muito ermo. Pelo menos aqui (no ponto), temos para onde correr, pedir ajuda. Na descida, é pior”, disse uma aluna.

Estacionamentos

Quem vai para a aula de carro também não está protegido, porque os estacionamentos estão mal iluminados. “Já vi pessoas se escondendo atrás de carros, possivelmente para tentar assaltar alguém. O risco é o mesmo, e ainda podemos perder o carro em um assalto. Aqui são necessárias melhorias urgentes”, disse um estudante de engenharia da computação, de 26 anos, acrescentando que procura sempre sair na companhia de amigos e fazer disciplinas durante o dia.

Reforço

Em nota, a Secretaria de Comunicação da UFJF explicou que a proteção no campus é feita 24 horas por funcionários do quadro e terceirizados, além de vigias e porteiros, mas os números não são divulgados por questões de segurança. São usadas, também, quatro motos e duas viaturas, que atuam com o intuito de inibir a ação criminosa. De acordo com a nota, a Diretoria de Segurança reforçou a vigilância no Pórtico Sul.

Sobre a falta de iluminação no ICE, a UFJF disse que é necessária uma maior força de trabalho, que seria possível somente com a finalização do processo de contratação de terceirizados. “Enquanto isso, a segurança será reforçada com maior patrulhamento. A Diretoria de Segurança informa que um novo edital de licitação será aberto com previsão de maior número de pessoal de vigilância noturna.” Questionada se a área considerada vulnerável pelos alunos é monitorada por câmeras, a UFJF informou que o sistema está em fase de substituição para equipamentos mais modernos.

Estudantes assustados em faculdade

Na Faculdade Machado Sobrinho, permanece a tensão por causa do roubo aos estudantes ocorrido no estacionamento da unidade no Bairro Cruzeiro do Sul, na Zona Sul, na noite de quarta-feira. Na tarde de ontem, um dos alunos entrou em contato com a Tribuna, reclamando da falta de segurança nas dependências do campus. Segundo ele, que pediu para não ser identificado, o estacionamento permanece sem vigia, e as dependências da faculdade não são cercadas. “Os bandidos chegaram até a faculdade subindo um barranco, que dá acesso ao Bairro Santa Luzia. Pior que todos estão assustados, porque nem na guarita há segurança, somente um porteiro, e, mesmo assim, a entrada é feita sem qualquer tipo de identificação. Ontem (quinta-feira), alguns professores liberaram os alunos um pouco mais cedo que o habitual.”

A Tribuna tentou contato com representantes da faculdade para falar sobre o assunto, mas até 19h de ontem não obteve retorno.

* colaborou Eduardo Valente