Juiz-forano mantém gasto alto mesmo com rodízio
O juiz-forano não está economizando água como deveria para um momento de crise hídrica que afeta toda a região Sudeste. Apesar da manutenção do rodízio de abastecimento na cidade desde outubro, a redução de consumo inicialmente observada, de 6,04%, declinou para 5,64% em novembro, 1,82% em dezembro, e, em janeiro, ficou em 2,7%. O diretor-presidente da Cesama, André Borges de Souza, afirma que “houve acomodação em relação ao rodízio”, e esta falta de empenho por parte da população pode significar a necessidade de radicalizar o revezamento nos próximos meses. Isso tudo para que não falte água durante o período de estiagem, historicamente entre abril e setembro. No entanto, esta possibilidade ainda será discutida internamente.
[Relaciondas_post] O problema também persiste se for analisada a situação da represa João Penido, ainda a principal fonte de recurso hídrico em operação no município. Conforme a Cesama, ela está com 36% de sua capacidade de armazenar água e não teve aumento significativo no nível após as últimas chuvas. No fim de fevereiro, o manancial estava com 37%. Em Chapéu D’Uvas, que ainda não opera na capacidade máxima, o nível subiu de 47% para 49%, e São Pedro, que só atende a 8% da população, a acumulação aumentou de 85% para 88%.
Para tentar reverter o quadro, funcionários da Cesama estão indo às casas dos consumidores que desperdiçam água. O trabalho começou em 9 de fevereiro e está focado nas denúncias que chegam à companhia por meio dos canais de atendimento, como o telefone 115, o site e o balcão de atendimento, na Avenida Getúlio Vargas 1.001. Até ontem, 208 lares já tinham sido visitados por uma equipe formada por sete colaboradores, todos com ampla experiência e mais de 20 anos de carreira na empresa pública. Hoje pela manhã mais cinco famílias seriam surpreendidas pela equipe.
De acordo com a auditora interna da Cesama, Carla Mendes Vidal Frota, que coordena este trabalho, o grupo é composto por profissionais nas áreas de administração, economia, pedagogia e informática, além de estagiários. “A receptividade está sendo muito boa, com raras situações de resistências e poucas reincidências. Quando chegamos a estas casas, explicamos ao morador que ocorreu uma denúncia e damos dicas de como economizar e evitar o desperdício. Também conhecemos situações interessantes, de pessoas que já captam água da chuva ou reutilizam a da máquina de lavar”, explicou, dizendo ainda que o trabalho é voluntário. Ela também disse que o maior número de denúncias está concentrado em bairros da Zona Leste, o que não significa ser o local onde a população mais abusa.
O mesmo grupo promove quatro palestras semanais em escolas e empresas, em razão da grande demanda. Isso porque, inicialmente, a ideia era que estes eventos ocorressem duas vezes por semana. Na rede municipal de ensino, serão atendidas 75 unidades ao longo do ano, além de apresentações teatrais com o grupo da Cesama duas vezes por mês. Para as outras redes, os pedidos devem ser solicitados pelos canais de comunicação da companhia.
Trabalho educativo
André Borges explica que estas ações são uma maneira de atender à lei, já em vigor, que visa a multar pessoas que lavam calçadas e fachadas com água tratada. O problema é que a companhia não tem fiscais em seu quadro para aplicar os autos de infração, mas o trabalho educativo poderia ser feito.
Sobre a redução brusca da economia em dezembro, o diretor-presidente creditou ao fato de ser um mês festivo e atípico. “Também não demos continuidade ao rodízio durante o Natal e o Ano Novo. Agora vamos focar em campanha intensa nas emissoras de televisão, rádio e mídia impressa para voltarmos aos 6%. Quando o rodízio começou, foi um grande susto para todos, mas as pessoas foram voltando à sua rotina com o passar dos meses. Precisamos reforçar a necessidade de acumular água. Os juiz-foranos precisam entender que a água desperdiçada hoje é aquela que poderá faltar nas torneiras em agosto e setembro.”








