Justiça nega adiamento, e convenção é mantida
O juiz eleitoral Mauro Francisco Pitelli não acolheu o pedido de tutela antecipada da ação ordinária impetrada pelos dirigentes do PMDB favorável a uma composição com o PT e manteve a convenção do partido a ser realizada na manhã de hoje. A petição assinada pelo ex-prefeito Tarcísio Delgado, o ex-vice-prefeito João César Novaes, e pelos dirigentes da sigla, Luiz Carlos de Carvalho e Tânia Alves, pedia a nulidade do edital e o cancelamento da reunião dos convencionais com abertura de novo prazo para inscrição de propostas alternativas à candidatura própria do PMDB. O magistrado não vislumbrou motivos para intervir nos transmites interno da legenda e manteve a inscrição do deputado estadual Bruno Siqueira como candidato único a ser lançado pela sigla na disputa pela Prefeitura. A expectativa é de que o parlamentar se torne oficialmente o primeiro candidato a prefeito de Juiz de Fora.
A aposta na confirmação do nome de Bruno pela maioria dos membros do diretório hoje se deve em parte à mobilização do grupo pró-candidatura própria e também à ausência da ala dos chamados "tarcisistas", que não devem comparecer à convenção. Até o final da noite de ontem, ainda se estudava um agravo para tentar reverter a decisão contrária à tutela antecipada. Até aquela hora, apenas Luiz Carlos de Carvalho havia confirmado presença no encontro. "Estarei lá (na sede do PMDB) às 8h." A expectativa é de que ele exerça a função de porta-voz do grupo e faça um pronunciamento sobre os recentes acontecimentos internos da legenda. Essa alternativa teria sido estudada durante encontro no sítio de Tarcísio, no Distrito de Torreões, na noite da última sexta-feira, para a hipótese de a ação não ser acatada pela Justiça. Se os "tarcisistas" vão manter o embate e a forma como isso se dará dependerá do recado que vai chegar aos convencionais.
A argumentação dos peemedebistas favoráveis a uma aliança com o PT passa pela possibilidade de vitória ainda no primeiro turno. A avaliação é de que um terceiro nome na disputa favoreceria apenas o prefeito Custódio Mattos (PSDB), que hoje estaria dependente do segundo turno para se reeleger. Nesse sentido, Tarcísio iniciou sua articulação retirando do páreo seu filho e deputado federal Júlio Delgado (PSB). O próximo passo seria demover também Bruno, que acabou resistindo, ancorado no argumento de viabilidade eleitoral de candidatura própria do PMDB. Tarcísio iniciou, então, uma série de conversas internas para retomar espaço no partido, mas acabou esbarrando em um processo de convencimento pelo voo solo iniciado há dois anos pelo próprio Bruno. Até o imbróglio envolvendo o edital da convenção estourar no início do mês, Tarcísio e Bruno faziam contas diárias sobre quantos votos teriam no diretório no caso de um eventual embate.
A manutenção da convenção para hoje pela Justiça nos termos estabelecidos pela executiva do partido foi comemorada com discrição pelos aliados de Bruno. Embora o discurso oficial seja de que a unidade ainda é possível, ninguém mais aposta em um palanque com Bruno e Tarcísio. Ao contrário, os adeptos à candidatura própria do PMDB esperam ver o ex-prefeito ao lado da candidata petista Margarida Salomão ou ainda com Júlio Delgado, caso seu herdeiro retorne ao páreo.







