Saúde amplia vacinação contra febre amarela em JF


Pelo segundo dia consecutivo, juiz-foranos formaram fila em frente ao PAM-Marechal, no Centro, em busca da vacina contra a febre amarela. Por volta das 8h, centenas de pessoas já aguardavam para receber a imunização. A corrida aos postos tem sido observada desde terça-feira (7), um dia após o anúncio de que um macaco encontrado no Bairro São Pedro, na Cidade Alta, estava infectado com a doença. Para evitar que mais filas se formem nas unidades de saúde, a Secretaria de Saúde ampliou o horário de funcionamento do PAM-Marechal, que vai funcionar das 8h às 17h, sem intervalo para almoço, e irá realizar um mutirão no sábado, com abertura de todos os postos de saúde do município.
Outra estratégia adotada para tentar evitar que mais filas se formem foi a transferência do local de aplicação de vacinas para o térreo, em uma sala exclusiva para aplicação da vacina no PAM, referência em atendimento na região central. De acordo com a assessoria da pasta, a mudança ampliou a capacidade de aplicação das doses. Além disso, oito estagiários de enfermagem estão reforçando a aplicação. No total, 64 estagiários devem ser disponibilizados por faculdades de enfermagem para apoiar as equipes de vacinação.
Anunciada em coletiva de imprensa na segunda-feira (6), uma parceria com a UFJF também tem sido aguardada pela população, com a abertura de um posto de vacinação na universidade. No entanto, ainda não há previsão para que a parceria seja colocada em prática. A Diretoria de Imagem Institucional da UFJF informou à Tribuna que, em reunião realizada ontem, a UFJF decidiu que, neste sábado, dia especial de vacinação no município, não haverá posto de vacinação no campus e que “a instituição segue em conversa com as secretarias municipal e de Estado de Saúde para formalizar a parceria e poder executar, em data posterior, a campanha de vacinação no campus”. Conforme a assessoria da Secretaria de Saúde, a expectativa é que, assim que as 125 mil doses já solicitadas ao Estado cheguem ao município, seja colocado em prática o que já tem sido acordado com a Faculdade de Enfermagem da universidade, mas a pasta ainda não foi notificada sobre uma previsão de chegada das vacinas.
Definido protocolo de hospitais
Ontem, cerca de dez representantes de hospitais públicos e privados se reuniram com a Secretaria de Saúde para alinhar condutas com relação ao atendimento de casos suspeitos de febre amarela em humanos na cidade. Segundo a subsecretária de Urgência e Emergência, Adriana Fagundes, a reunião teve como objetivo tranquilizar tanto a população como os funcionários e servidores que atuam na área da Saúde sobre o protocolo a ser seguido em um caso suspeito da doença em humanos. “O alinhamento de conduta torna-se necessário nos momentos em que é preciso fortalecer um protocolo clínico ou trazer inovações, por exemplo, e isso gera a certeza de um bom atendimento ao usuário. O produto final é uma assistência de qualidade.” De acordo com Adriana, uma capacitação será realizada internamente em todos os hospitais para orientar sobre controle de infecção hospitalar, entre outros tópicos.
Questionamentos
Um dos principais questionamentos da população sobre a aplicação das vacinas é o tempo de espera nas filas. Segundo alguns usuários, a demora por atendimento no PAM-Marechal ontem chegou a cerca de duas horas. Porém, a Secretaria de Saúde informou que “o que houve foi uma grande procura, como está acontecendo em toda a cidade, principalmente por ser uma região central” e que, somente ontem, 600 doses de vacina foram aplicadas no PAM-Marechal. A Secretaria de Saúde também informou que, das 75 mil doses entregues na segunda, 35 mil já foram distribuídas em todo o município.
Apesar das medidas para evitar a formação de filas e distribuir doses de acordo com as demandas de cada região, centenas de juiz-foranos têm relatado não terem conseguido se vacinar, seja porque as vacinas acabam antes que todos sejam vacinados ou porque os horários de atendimento das Uaps não atendem às necessidades dos usuários. Questionada pela Tribuna, a Secretaria informou que a distribuição das doses é feita diariamente, “de acordo com uma programação prévia e com as demandas extras que surgem”. A pasta ainda destacou que sempre há vacinas estocadas nas Uaps, que são reabastecidas quase que diariamente, e que o desabastecimento que ocorreu anteriormente acontecia porque a cidade não tinha prioridade no recebimento de doses.
Com relação ao horário de funcionamento dos postos, a pasta reforça que está fazendo um esforço especial para garantir que todas as unidades estejam abastecidas durante todo o horário de vacinação, entre 8h e 10h45 e 13h e 16h45. No sábado, todas as Uaps funcionarão das 8h às 13h, além do PAM-Marechal e dos departamentos de saúde da Criança e do Adolescente e do Idoso. Neste mesmo dia, durante o mutirão, a Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Juiz de Fora vai fiscalizar todas as unidades de saúde.
Efeitos colaterais da vacina são benignos
A preocupação com a vacina contra a febre amarela não é um problema só para quem ainda não conseguiu se vacinar. Após receber uma dose, algumas dúvidas podem surgir, principalmente com relação aos efeitos colaterais. De ambos os lados, a preocupação é válida, segundo o médico infectologista Rodrigo Daniel de Souza, mas não é motivo para pânico em nenhum dos casos. “Como em toda vacina, existem efeitos colaterais. Em geral, eles são benignos e não são graves. A aplicação é vetada em pessoas com imunidade muito baixa, como idosos e pessoas com imunodepressão, pois nesses casos, a possibilidade de ter a doença após a aplicação da vacina aumenta em até dez vezes. Por isso essas pessoas, assim como as gestantes, precisam de orientação médica para saber se podem ou não tomar a vacina”, explica.
As orientações para quem deve se vacinar mudaram após a confirmação de que um macaco com febre amarela foi encontrado na cidade. De acordo com o infectologista, isso acontece porque a possibilidade de haver casos em humanos aumenta. “A vacina não era contraindicada em crianças menores de 9 meses, apenas não é recomendada. Mas a vacinação em menores de 6 meses é contraindicada, por isso a vacina foi liberada para crianças com idade entre 6 e 8 meses. Antigamente, a vacinação era recomendada de dez em dez anos, mas desde 2015 essa recomendação foi modificada. Por isso, quem já tiver tomado as duas doses da vacina está imunizado”, ressalta Rodrigo Daniel.
A população também questiona a validade da doença, mas o infectologista afirma que a vacina é altamente eficaz. “O risco de a própria vacina causar a doença é muito baixo, e acontece, aproximadamente, em três a cada 100 mil doses. Apesar de ser feita com o vírus enfraquecido, a vacina é eficaz. Na maioria dos casos já registrados, as pessoas que desenvolveram a doença foram infectadas na Zona Rural, onde a cobertura vacinal é menor, ou eram pessoas de outros estados que foram a locais com surto”, finaliza.










