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Estiagem termina sem rodízio


Por EDUARDO VALENTE

08/10/2016 às 07h00

João Penido está em situação melhor do que em igual período do ano passado (Fernando Priamo/06-10-16)

João Penido está em situação melhor do que em igual período do ano passado (Fernando Priamo/06-10-16)

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A estiagem terminou no fim de setembro sem transtornos no abastecimento público de água. Em Juiz de Fora, apesar do baixo volume de chuvas nos últimos seis meses, que somou apenas 55% do previsto, os mananciais se mantiveram com volume de acumulação superior ao observado nos últimos anos. Na comparação com igual período do ano passado, João Penido e Chapéu D’Uvas, as duas maiores represas do município, estão com o nível bem mais confortável atualmente, enquanto a Represa de São Pedro apresenta uma ligeira queda (ver quadro). Historicamente, o período chuvoso se inicia em outubro e segue até o mês de março, quando se concentram mais de 80% das precipitações do ano na cidade. Por isso, a Cesama garante que não há possibilidade de rodízios ou racionamentos em um futuro próximo.

Na avaliação do diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, a estiagem não interferiu no abastecimento público em razão do aumento da contribuição das águas de Chapéu D’Uvas na matriz. “O manancial fez diferença considerável com relação aos anos anteriores. Em 2014, quando ela começou a operar, já estávamos no fim da estiagem e, por isso, não conseguimos fazer economia. Em 2015 a participação já foi maior, mas partimos de níveis nas represas nunca antes atingidos. Apenas em 2016 conseguimos trabalhar em condições consideradas normais, mesmo com chuvas abaixo da média histórica. É a prova que a infraestrutura contribuiu e agora nos dá tranquilidade.”

Ainda em setembro, a companhia concluiu a interligação de Chapéu D’Uvas até a Estação de Tratamento de Água (ETA). Esta manobra operacional permite captar maior quantidade do recurso do manancial e, consequentemente, preservar as outras represas. Além disso, o tratamento tende a ser mais barato. Isso porque, para garantir o recurso para toda a cidade, a Cesama precisa colocar no sistema, em média, 1.500 litros de água a cada segundo, e todo este volume vem das três represas e do Ribeirão Espírito Santo, que é um manancial de passagem. Chapéu D’Uvas, que antes fornecia cerca de 130 litros de água por segundo, agora entrega 350. João Penido fornece 650 litros por segundo, São Pedro 100 e o ribeirão 350. “Gastamos mais energia para captar no ribeirão, pois é preciso buscar água no fundo do vale e jogar no alto da Estação de Tratamento CDI (Distrito Industrial). Ao mesmo tempo, Chapéu D’Uvas vem quase toda por gravidade, precisando das bombas apenas para vencer o nível entre o lago e a adutora”, explicou.

Fenômeno La Niña deve trazer mais chuvas

De acordo com prognóstico divulgado no fim de setembro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a estação chuvosa, iniciada agora, deve ser de chuvas acima da média em algumas regiões do país, como a Norte e a Nordeste. Isso ocorre porque especialistas já observam a formação do fenômeno climatológico La Niña que, diferente do El Niño, esfria as águas do oceano pacífico, mas também altera o regime de chuvas. No Sudeste brasileiro, a previsão também é de precipitações um pouco acima da normal climatológico e, em algumas ocasiões, elas podem vir intensas. Outra característica do fenômeno é que o verão deve ser menos quente.

Em Juiz de Fora, de janeiro a setembro, o Inmet registrou 895 milímetros de chuvas, o que representa 54,2% do esperado para todo o ano. Entre outubro e dezembro são esperados 630 milímetros em anos típicos, o que faria o município terminar 2016 com mais de 90% das chuvas previstas.

Com este prognóstico, a Cesama já planeja intervenções que foram interrompidas por causa do baixo volume de chuvas nos últimos anos. Entre elas, promover manutenções nas ETAs e renovar as águas do fundo de João Penido, eliminando sujeira acumulada. Desta forma, a companhia aumenta a qualidade da água e reduz os custos de tratamento.