Uso de ônibus de bairro por alunos provoca polêmica
Uma polêmica envolvendo o transporte público em Juiz de Fora ganhou as redes sociais no início desta semana. Estudantes da UFJF estariam sendo intimidados na Linha 549, do residencial Nova Germânia, mas que também passa dentro do campus universitário. O problema estaria na grande demanda por esta linha, evidenciado, principalmente, entre o fim da tarde e o início da noite. Na última sexta-feira, dia 3, uma estudante de direito disse que outros alunos da instituição foram hostilizados pelo cobrador, que havia informado que os moradores da comunidade deveriam subir no ônibus e, enquanto isso não acontecesse, o veículo não sairia do ponto, na Avenida Presidente Itamar Franco. Conforme a estudante Bianca Lignani, 21 anos, o motorista chegou a desligar o motor do ônibus. “O cobrador disse que, se não estivéssemos satisfeitos, deveríamos descer e pegar o ônibus da Universidade. O problema é que todos são lotados, e pagamos a passagem como todos os outros.”
Situações como esta seriam recorrentes nas linhas da Cidade Alta que transitam pelo anel viário do campus universitário. Por um lado, está o fato de os acadêmicos terem que enfrentar ônibus lotados para chegar à aula e, por outro, estão os moradores, que sofrem o impacto do forte adensamento observado nesta região da cidade, onde os serviços públicos não acompanharam este crescimento.
No caso do Nova Germânia, residencial construído pelo programa habitacional Minha casa, minha vida, do Governo federal, o problema está na localização. Isso porque, antes de chegar ao destino, a linha passa por diversos bairros, além do Campus da UFJF. O resultado, segundo a presidente da Associação dos Moradores, Carla Corrêa, é o atendimento precário a esta comunidade. “Os moradores não conseguem subir. Prova disso é que o ônibus, quando chega no condomínio, está praticamente vazio. Nós entendemos o lado dos estudantes, mas a nossa situação também é difícil. O Nova Germânia tem 334 casas, algumas com quatro, outras com até dez moradores. Muitas famílias são carentes, e não temos creches ou escolas, ou seja, dependemos do ônibus para tudo. Esta superlotação tem acontecido, principalmente, no horário de entrada nas aulas da UFJF. O motorista chega a desligar o ônibus mesmo e não sai enquanto os moradores não entram, como forma de desestimular a entrada dos alunos, já que o ônibus da Universidade passa logo em seguida. A comunidade gosta muito dos profissionais, e acho que não é culpa deles.”
Uma solução, já apresentada pela Associação de Moradores à Settra, seria mudar a rota da linha 549, fazendo a ida ao bairro pelo Morro da Glória. Sugestão esta que, segundo ela, não foi atendida pela pasta que teria informado a impossibilidade de fazer qualquer alteração até que o novo modelo de transporte coletivo seja implantado. Carla também disse que membros da associação estão buscando contato com estudantes da UFJF que se dizem afetados com os ônibus cheios. O objetivo é que juntos encontrem uma solução para o problema com a Prefeitura.
No caso de sexta-feira, a estudante Bianca Lignani disse que registrou boletim de ocorrência por entender que a relação de consumo foi afetada. “Foi a gota d’água. Muitos alunos, coagidos, desceram do ônibus e foram para o campus a pé, enquanto outros se juntaram e foram de táxi. O motorista fazia hora em todos os pontos, inclusive contribuindo para gargalos no trânsito.” Sobre este fato, a auxiliar de tráfego da empresa Tusmil, Luciana Aparecida da Costa Luiz, informou que os profissionais não são orientados a terem esta conduta. “Não tomamos conhecimento deste caso, mas é importante que o passageiro denuncie para a empresa, relatando o horário e o prefixo do carro, para que possamos tomar as nossas medidas.”
De acordo com a Settra, será solicitada as imagens das câmeras internas do ônibus para que seja constatada a possível má conduta dos profissionais. Caso a denúncia seja confirmada, a empresa será notificada. Sobre a qualidade do atendimento aos universitários, a pasta informou que, “com o encerramento da licitação, o sistema de transporte público vai ser modificado gradativamente, e todas as regiões da cidade serão contempladas. A previsão é que, já a partir do mês de agosto, mais de cem ônibus novos passem a integrar a frota de ônibus, melhorando o atendimento”. Foi informado ainda que, neste novo modelo, pode ser possível a mudança de rota da linha 549, mas que isso ainda precisa ser avaliado.
A UFJF informou, via Diretoria de Comunicação, que o reitor tem se reunido com o prefeito para levar algumas demandas da instituição. E a questão dos ônibus é um dos assuntos a ser discutido, já que a universidade quer saber da possibilidade de aumentar o número de linhas que atende a comunidade acadêmica.









