Detido suspeito de marcar confronto por rede social

Jovem que seria morador do Ipiranga exibe arma
A Polícia Militar agiu rápido e conseguiu deter na manhã de ontem um homem, 32 anos, suspeito de marcar, por meio de rede social, confronto com um suposto desafeto, 16, às 13h na Praça do Riachuelo, no Centro da cidade. As mensagens postadas em nome dos envolvidos em perfis do Facebook, na noite de quarta, estavam circulando pelo WhatsApp, deixando a população amedrontada. Algumas pessoas já cogitavam evitar aquela região, temendo a possível troca de tiros anunciada para a tarde. O caso aconteceu um dia depois de um vídeo também ser disseminado nas redes sociais mostrando três jovens, supostamente no Ipiranga, manuseando arma de fogo, atirando e fazendo ameaças a prováveis rivais. A polícia ainda investiga se as imagens têm ligação com o homicídio ocorrido na tarde de quarta no mesmo bairro durante cortejo de Folia de Reis.
De acordo com o comandante da 30ª Companhia da PM, responsável pelo policiamento no Centro, capitão Herivelton Soares, o suspeito detido foi abordado na Vila Olavo Costa, Zona Sudeste, mesmo bairro onde reside. Ele não portava arma ou outros materiais ilícitos, mas foi conduzido para a 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Santa Terezinha, para prestar esclarecimentos. Ele foi liberado e deve responder por incitação ao crime. “A população pode ficar tranquila, porque agimos rápido.” Embora o adolescente não tenha sido localizado, o comandante disse que não é preciso evitar a área da Praça do Riachuelo. “Quem observar a presença de algum suspeito ou ficar sabendo de alguma situação semelhante pelas redes sociais, deve acionar a PM”, orientou. O jovem seria morador do Furtado de Menezes, bairro vizinho ao Olavo Costa.
Conforme o capitão Soares, o homem detido teria passagens por roubo, lesão corporal e ameaça. O comandante ainda disse que há informações de envolvimento do adolescente em confrontos entre gangues naquela região. “Os seguranças do shopping (próximo ao local) também foram alertados sobre essa situação e disseram que ele tem histórico de envolvimento em brigas, inclusive com esfaqueamento.”
Ao ser abordado, o suspeito detido confirmou a postagem no Facebook, mas alegou que não iria comparecer ao confronto. “Ele disse que postou as mensagens no Facebook porque queria forjar o flagrante do outro, para que ele se armasse, fosse até o local e acabasse abordado pela polícia”, esclareceu o capitão Soares. “A motivação não foi bem esclarecida, ele disse apenas que não gosta do outro.”
O comandante acrescentou que a PM faz monitoramento das redes sociais, trabalhando com antecipação aos fatos, com foco na prevenção. Nesse caso, várias equipes já estavam em alerta, trabalhando para abordar os suspeitos. “Eles poderiam agir também em outro dia, horário ou local. Por isso fizemos o monitoramento específico dos dois.”
Polícia trabalha na identificação por imagens
Nesta semana, um vídeo, com cerca de um minuto e quarenta segundos, tem circulado pelo WhatsApp também incitando violência. Nas imagens, um dos rapazes diz ao outro que se deve colocar “bala na agulha, para não ficar dando tiro à toa”. É possível ouvir disparos enquanto eles apontam as armas para o alto.Em outro momento, com revólver em punho, um deles, acompanhado de outro jovem, dirige-se à câmera e diz: “Vocês acham que vão poder aguentar nós? (sic)”. Em outra imagem publicada no Facebook, um jovem, supostamente morador do Ipiranga e integrante de uma gangue, aparece sem camisa e com uma arma fogo na bermuda, na altura da cintura.
De acordo com o tenente Gilmar Silva, que responde pela 32ª Companhia da PM, as redes sociais têm sido utilizadas para ofensas contra as pessoas e mesmo marcação de confrontos. Sobre o vídeo, ele ressaltou que a PM já trabalha no monitoramento dessas imagens e vem identificando as pessoas, a fim de coibir práticas criminais. “Também contamos com uma equipe tática em operações que visam à retirada de armas das ruas e, principalmente, das mãos de adolescentes. No ano passado conseguimos superar nossa meta de apreensão”, destacou.
Ainda conforme o oficial, a Zona Sul é composta por cerca de 36 bairros e, apesar de estar atenta, a PM não consegue estar presente em todos os lugares. “Por isso, temos que contar com a comunidade, para nos ajudar com denúncias no 190 e no 181. Buscamos nos aproximar da população a fim de colher informações sobre quem anda armado e assim poder agir. Nossa meta é dar cem por cento de resposta às denúncias”.
Um morto
Conforme o tenente, apesar de moradores alegarem que o confronto que matou um homem e feriu outro na tarde de quarta no Ipiranga já estava marcado nas redes sociais, nenhum comunicado por parte da população chegou à PM. “Se tivéssemos tomado consciência, teríamos realizado uma ação para impedir, lançando um policiamento preventivo”, disse o militar, acrescentando que, após a ocorrência, houve uma resposta rápida à sociedade, uma vez que o suspeito de cometer os tiros foi capturado.
Os dois homens, de 21 e 48 anos, foram baleados em meio a grupos armados, que ainda usavam cães para atacar uns aos outros. A disputa seria entre moradores do Ipiranga e Bela Aurora e aconteceu por volta das 15h na Rua Licínio Pereira Cortes. O mais velho foi atingido na perna, enquanto o jovem, Edson Fernandes Gonçalves, ferido no abdômen, não resistiu e morreu na madrugada de ontem e foi enterrado no Cemitério Municipal.
Segundo o militar, a Zona Sul já tem locais rastreados onde são lançadas operações específicas. Para ele, a ocorrência é um caso isolado. “É preciso frisar que não há bairros rivais, mas sim algumas pessoas que se rivalizam. Em sua grande maioria, as comunidades da região gozam de boa convivência.”








