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24 crianças e jovens deixam Aldeias SOS


Por DANIELA ARBEX

07/09/2016 às 07h00

Vinte e quatro crianças e adolescentes que estavam nas Aldeias SOS foram transferidos ontem à tarde da entidade. A medida foi tomada por decisão da juíza da Vara da Infância e Juventude, Maria Cecília Gollner Stephan, depois que novas denúncias de violação dos direitos de meninos e meninas acolhidos foram encaminhadas a ela. Em maio deste ano, a Tribuna realizou uma série de matérias sobre as condições em que adolescentes estavam sendo mantidos na instituição. Na ocasião, algumas meninas estavam sendo exploradas sexualmente nas ruas da cidade. Na época, eram assistidas 60 crianças e adolescentes. O Ministério Público apura novas situações envolvendo os internos, e a investigação corre em segredo de justiça. O secretário de Desenvolvimento Social, Abraão Ribeiro, confirmou que o convênio mantido entre a entidade e a Prefeitura não será renovado. Na segunda-feira, a Aldeia foi surpreendida com o anúncio. A decisão foi comunicada durante reunião da Justiça com representantes da entidade.

A mudança das crianças foi realizada por comissários da Vara da Infância e Juventude, e uma força-tarefa foi criada na secretaria para garantir que a transferência de local fosse realizada com o mínimo impacto para os assistidos. Todo o grupo, que estudava em escolas públicas do Bairro Grama, onde a Aldeia está localizada, já foi matriculado em escolas da região central da cidade, onde crianças e jovens que estão em acolhimento institucional passarão a viver.

Segundo Abraão, diante da decisão da juíza, uma nova instituição foi procurada para assumir o atendimento que era oferecido pelas Aldeias SOS. A Associação Projeto Amor e Restauração (Apar), que está registrada no Conselho Municipal de Assistência Social e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, foi escolhida para realizar o novo convênio com a Prefeitura. O que se sabe sobre a Apar é que a entidade prestava atendimento para mulheres adultas com histórico de dependência de drogas. Questionado sobre a expertise dessa entidade para atender crianças vítimas de violência doméstica e situações de vulnerabilidade, Abraão informou que uma nova equipe foi contratada pela Apar e que a associação alugou um imóvel no Centro para prestar o atendimento a 20 meninos e meninas. Outros quatro foram transferidos para a Vivendas do Futuro e Estância Juvenil, ambas instituições de acolhimento municipais. “Para as crianças que viviam nas Aldeias SOS, a mudança foi um choque, mas o nosso trabalho é justamente o de garantia de direitos. Estamos dando um suporte intensificado a elas, que também estão sendo acompanhadas por psicólogos e comissários da Vara da Infância.”

No final da tarde, a Tribuna entrou em contato com as Aldeias SOS, em São Paulo, mas o expediente havia sido encerrado. O gerente nacional de comunicação da entidade também foi procurado pelo celular, mas as chamadas não foram atendidas. A juíza Maria Cecília também foi procurada no final da tarde, mas o expediente também havia sido encerrado. Além da Vara da Infância, ela acumula o cargo de juíza eleitoral.