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Esquema de entrada de drogas e celulares em penitenciária é desmantelado

Polícia Civil e Seap, em ação conjunta, acabaram com prática que envolvia 25 detentos e ex-agente


Por Michele Meireles

07/03/2018 às 17h44- Atualizada 07/03/2018 às 20h06

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Foto: Michele Meireles

Uma operação conjunta entre a Polícia Civil de Juiz de Fora e a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), por meio da Assessoria de Inteligência da Penitenciária, desmantelou um esquema de entrada de drogas e celulares na Penitenciária Ariovaldo Campos Pires. As investigações, que duraram cinco meses, apontaram que 25 detentos estavam envolvidos na ação criminosa, que era articulada do lado de fora da cadeia por dois homens. Um deles, ex-agente penitenciário, foi preso. O outro ainda não foi encontrado. A manobra, batizada de “Fim da Linha”, descobriu que cada celular chegava a custar R$ 1.500, e as drogas, na maioria maconha, R$ 100 o grama.

Segundo a Delegacia Especializada Antidrogas, que conduziu a apuração, a entrada dos materiais era feita de forma arcaica: os envolvidos do lado de fora, de um terreno que faz divisa com os muros da cadeia, jogavam os objetos, que eram amarrados com corda a uma pedra, para dentro da Penitenciária. Do lado de dentro, os presos içavam os materiais, que caiam próximo a uma janela de ventilação da cela 3. O gancho era feito com material reaproveitado das marmitex. Os próprios detentos faziam o monitoramento dos agentes penitenciários para realizar as operações.

Os envolvidos, conforme apontou o delegado Rogério Woyame, agiam sempre durante a madrugada. Algumas vezes, ficavam por horas nas imediações da cadeia esperando o momento oportuno para lançar os celulares e a droga. Cinco presos ocupavam a linha de frente, negociando a compra com os suspeitos e içando os materiais enviados de dentro da cela. “Os presos iam monitorando a movimentação dos agentes dentro das galerias e nas muralhas e passavam em tempo real a localização deles. Os detentos e os homens que jogavam o material conversavam até por vídeo conferência”, detalhou o policial. Conforme Woyame, os suspeitos usavam linhas pretas para dificultar a visualização durante a noite e envolviam a pedra, usada como peso, em meias para evitar que elas fizessem barulho ao caírem no chão da unidade prisional.

De posse dos materiais, de acordo com a Polícia Civil, os detentos distribuíam os celulares e a droga na Ariovaldo Campos Pires. Conforme a Polícia Civil, antes de fazer as “entregas”, os dois homens mandavam fotos dos materiais para os presos. Um suspeito de 30 anos foi detido no Linhares, Zona Leste, mesmo bairro onde fica a unidade prisional. “Além de morar no bairro e conhecer bem a região, este preso já tinha sido agente penitenciário contratado em outra cidade. Apesar de não ter trabalhado em Juiz de Fora, ele conhecia a rotina do sistema prisional”, destacou o delegado. Na casa dele foram apreendidos carretéis de linha, possivelmente usados na manobra criminosa, e dinheiro. A participação dele foi comprovada por meio de interceptação telefônica. Seu comparsa não foi localizado.

Durante a operação desta quarta-feira (7), os policiais apreenderam 34 celulares e uma porção de maconha na cela 3. A investigação descartou a participação de agentes penitenciários no crime. Uma jovem de 18 anos e um rapaz de 19 também foram detidos. Segundo a Polícia Civil, a moça já guardou drogas para o homem preso no Linhares, e o rapaz já comprou dele arma e drogas. Eles foram identificados através da interceptação telefônica. Todos os envolvidos prestaram depoimentos na delegacia.

Outras apreensões

Em um intervalo de seis meses, esta é a terceira vez que a entrada de drogas e celulares na Ariovaldo Campos Pires é descoberta. Em novembro passado, um esquema parecido foi desmantelado. Homens estariam usando linha de pedreiro para lançar os entorpecentes para dentro da penitenciária. Na ocasião, agentes de segurança evitaram a entrada de cerca de três quilos de drogas e de três celulares na Penitenciária Professor Ariovaldo Campos Pires, durante a madrugada. Os agentes, com ajuda de cães farejadores, viram três homens entrando no perímetro de segurança, próximo ao muro.

Ao avistarem os agentes, os homens teriam fugido e deixado uma mochila com invólucros e barras de substâncias análogas a maconha, cocaína e crack, totalizando aproximadamente três quilos de drogas, além de quatro carretéis de linha, que seriam utilizados para arremessar o material para dentro da penitenciária.

Em janeiro deste ano, a direção da unidade abriu uma investigação preliminar no âmbito administrativo para apurar a entrada de drogas e celulares na unidade, após a apreensão de pouco mais de 2,5 kg de maconha, 56 aparelhos celulares, 36 carregadores de celular, 18 fones de ouvido para celular, três fones auriculares bluetooth, 11 baterias avulsas de celular, 14 chuços (arma artesanal), sete garrafas pet e de dez litros de bebida alcoólica.Todos os materiais estavam em um mesmo pavilhão.

Em setembro passado, um esquema de entrada de drogas na Penitenciária Ariovaldo Campos Pires dentro de frascos de medicamentos foi descoberto em operação conjunta entre a Polícia Civil e Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap).