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Hospital Therezinha de Jesus vai restringir atendimentos a partir desta quarta em Juiz de Fora

Medidas passam a valer nesta quarta-feira (7); hospital afirma que há R$ 16,4 milhões em valores em aberto e mantém urgência e emergência, por ora


Por Rafaela Lima

06/10/2026 às 19h03

salários atrasados no HMTJ por falta de repasse da PJF
(Foto: Fernando Priamo / Arquivo TM)

O Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus, em Juiz de Fora, informou à Prefeitura que vai restringir parte dos atendimentos realizados pela unidade a partir de 0h desta quarta-feira (7). Segundo ofício encaminhado nesta terça-feira (6) ao Município, a medida ocorre em razão da falta de regularização dos repasses financeiros e busca preservar a segurança dos pacientes diante da impossibilidade de manter o volume de assistência contratado.

De acordo com o documento, que a Tribuna de Minas teve acesso, os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos, por enquanto. Por outro lado, o hospital não aceitará novos pacientes para o serviço de hemodiálise, embora os pacientes que já estejam em tratamento continuem sendo atendidos pelo Sistema Única de Saúde (SUS). A unidade também informou que os pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) serão inseridos no sistema de regulação, com solicitação de transferência para outros hospitais da rede. Até que a transferência seja efetivada, eles permanecerão assistidos pelo Therezinha de Jesus.

Outra mudança anunciada foi a suspensão do recebimento, como retaguarda, de pacientes encaminhados pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e por outros hospitais. O hospital solicitou à Prefeitura que a Central de Regulação, as UPAs e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) sejam orientados a redirecionar esses encaminhamentos para outras casas de saúde da rede. Também pediu que sejam disponibilizadas vagas em outros hospitais para a transferência dos pacientes de UTI.

Hospital aponta R$ 16,4 milhões em valores em aberto

No ofício, o Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus alega que os repasses não foram regularizados mesmo após uma comunicação anterior à Prefeitura sobre a suspensão das atividades eletivas. A unidade aponta que os valores em aberto somavam R$ 16.478.118,74 em 1º de outubro.

Entre os valores citados estão R$ 2.257.166,28 referentes aos incentivos da Rede de Urgência e Emergência, relativos aos leitos de retaguarda e de UTI das competências de julho e agosto de 2026. Também são apontados R$ 1.917.081,93 do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC), relativos ao serviço de hemodiálise entre março e julho deste ano.

Segundo o hospital, as restrições são temporárias e serão revistas após a regularização dos repasses. A unidade reiterou que a manutenção dos atendimentos de urgência e emergência também depende da regularização dos pagamentos. Caso a inadimplência persista, a continuidade desses atendimentos poderá ser comprometida, conforme consta no documento.

O ofício foi encaminhado também ao Ministério Público de Minas Gerais, para ser juntado a um procedimento administrativo, e ao Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais.

O que diz a Prefeitura

A Tribuna de Minas procurou a Prefeitura de Juiz de Fora para apurar a situação dos repasses, os valores apontados pelo hospital e as medidas que serão adotadas diante das restrições anunciadas para esta quarta-feira e aguarda retorno.

Por meio de nota, o Poder Executivo local pontua que “tomou conhecimento da comunicação do prestador nas últimas horas da tarde”.

“A Administração Municipal informa que mantém abertos os canais de diálogo e que, ao longo da semana, serão realizadas outras reuniões institucionais para o encaminhamento da situação, que, até o momento, não gerou consequências práticas para o atendimento”, lê-se ainda no texto enviado à reportagem.

*Estagiária sob a orientação do editor Arthur Raposo Gomes.