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Criadores da raça pitbull promovem encontro

Evento acontece na Praça CEU neste domingo e deve reunir mais de 30 donos de cães


Por Iuri Fontana, Estagiário sob supervisão da editora Luciane Faquini

06/10/2019 às 07h00

(Foto Flávio Silvério Magalhães)

De cães que travavam combates com touros no século XVIII ao resultado do cruzamento entre bulldogs e terriers, em busca de um cachorro que combinasse esportividade, resistência e atletismo, a origem dos American Pitbull Terriers, mais conhecidos como pitbulls, pode ser explicada de diferentes maneiras. Deixando as divergências e controvérsias históricas de lado, o que pode ser constatado é que, atualmente, estes cães possuem força e porte físico avantajado e, por conta dessas características, são comumente lembrados por ataques envolvendo vítimas. Tentando reverter este estereótipo de agressividade, um grupo de criadores da raça em Juiz de Fora programou para este domingo (6) o primeiro encontro de pitbull da cidade, na Praça CEU, a partir das 9h.

A ideia de reunir os animais e seus donos em um único lugar surgiu de Flávio Silvério Magalhães, criador da raça há cinco anos. “Eu estava assistindo na televisão e na internet várias pessoas dizendo que o pitbull é um cachorro perigoso e assassino. Tem muito preconceito sobre a raça. Então eu e outro criador resolvemos mostrar para as pessoas que o pitbull não é esse monstro que estão falando, e assim surgiu a ideia do encontro.”

Segundo o idealizador, a projeção é de que compareçam de 30 a 40 criadores na Praça CEU, e que o evento aconteça uma vez por mês em diferentes regiões da cidade, sendo uma oportunidade, segundo ele, de mostrar a sociedade que o pitbull não é um cão violento. “O evento seria inicialmente em um local fechado, mas então eu sugeri um lugar aberto para a pessoa que não cria e não entende sobre a raça saber que a gente interage com a sociedade e que isso não é um problema.”

Ainda conforme Flávio, Juiz de Fora possui uma comunidade crescente de criadores que está se organizando. “Começamos a nos juntar recentemente. Eram vários pequenos grupos nas redes sociais e a gente se juntou em um só. Trocamos informações sobre alimentação, doenças que acontecem com um e com outro. É também isso que a gente quer fazer no encontro, conversar, dar dicas um para o outro do que a gente faz e do que a gente não faz”, complementa.

“A criação é o que mais influencia”

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Para o especialista Lucas Bonuto, que estuda cães há 23 anos e trabalha com comportamento canino há 13, não há evidências sobre uma raça ser agressiva naturalmente, mas entende-se que o animal está suscetível à contaminação por parte dos humanos em sua criação. “Não existe raça agressiva ou raça brava. Existe um cachorro que se torna assim, mas claro que vários fatores vão favorecer para que isso aconteça. A criação e o que o dono faz ou deixa de fazer é o que mais influencia.”

Ainda conforme o educador de cães, a grande diferença entre o pitbull e raças de porte parecido é que, em uma situação de ataque, a sua força pode causar danos graves. “A diferença é que se um cão de porte menor com um poder de ataque menor se tornar agressivo não vai virar notícia, mas um cão com o poder de ataque do pitbull, por exemplo, se sai de controle na questão da dominância, é claro que é de se preocupar, porque vai dar trabalho. Mas não se pode, de forma alguma, estereotipar um padrão para a raça inteira.”
Ainda conforme Lucas, o encontro é uma das ações necessárias para desmistificar parte daquilo que se pensa da raça. “Acho importantíssimo, principalmente que seja bem feito, porque essa conscientização tem de vir dos donos. Nós temos que conscientizar as pessoas que têm essa predisposição a pensar de maneira tendenciosa em relação à raça.”

O que diz a lei

Em todo o estado de Minas Gerais, a Lei 16.301 de 2006 rege a criação de cães das raças pitbull, dobermann, rottweiler e outras de porte físico e força semelhante. Conforme a norma, o dono é obrigado a adotar medidas de segurança como placa de advertência na entrada do imóvel onde o cão é criado e impedir o acesso do animal a caixas de correio e equipamentos relacionados. Na condução em via pública e no transporte é obrigatória a utilização de equipamentos de contenção animal. O descumprimento das normas resultam em multa ou apreensão do cão.

 

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