Novo morador de Benfica, macaco bugio altera a rotina da vizinhança e alerta para riscos
Visita inusitada divide opinião de moradores; animais silvestres em espaços urbanos podem representar riscos

No último mês, a população do Bairro Benfica, localizado na Zona Norte de Juiz de Fora, tem lidado com um novo morador: um macaco bugio. A presença do animal tem alterado a rotina da vizinhança e dividido opiniões.
Considerado o maior primata do Novo Mundo, o macaco bugio pode chegar a 91 centímetros de comprimento e até dez quilos. Apesar de o habitat natural ser a mata, o crescimento das áreas urbanas e a diminuição das áreas verdes fazem com que, por vezes, os bugios ocupem regiões residenciais.
Uma moradora da Rua Diogo Álvares conta que a visita do animal durou, aproximadamente, 15 dias: “ele me incomodou um pouco, passou em cima da minha roupa no varal… Não tinha sossego”. Ela conta que enquanto alguns vizinhos achavam o animal “bonitinho”, outros tinham medo de ataques e da possibilidade de contrair doenças.
Moradores da vizinhança afirmam que entraram em contato com órgãos responsáveis pelo resgate de animais silvestres, mas que ainda não conseguiram buscar o animal.
Também moradora da região, a veterinária Keity Duque afirma que, pelo que conseguiu ver, o animal é um macaco bugio jovem e saudável, sem machucados. Mas não descarta que o primata possa apresentar riscos: “primatas silvestres como o bugio podem ser agressivos quando se sentem ameaçados, apesar de serem dóceis rotineiramente. Mas são animais silvestres, que podem transmitir raiva e outras doenças, outros vírus, porque a gente não sabe a procedência, né?”
A veterinária também se preocupa com o risco de maus-tratos. “Tem pessoas que não gostam, aí vem a questão dos maus-tratos: se esse animal vai tentar se alimentar dentro da casa de alguém, se será atacado por cachorros, se será envenenado… Eu já sei que tem animais atravessando a rua, correndo o risco de serem atropelados, andando no fio de alta tensão, como o outro que foi eletrocutado, então quem vai responder por isso?”, questiona. Como destacado por Keity, a Tribuna já noticiou o caso de um animal da mesma espécie atingido por uma descarga elétrica. Para ela, levar o bugio que está em Benfica para um local adequado é uma medida benéfica para a população e para o animal.
Orientações
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), é importante evitar interações com os bugios. “Além de possíveis ataques físicos às pessoas, nas cidades, os bugios podem também provocar outros acidentes, como no trânsito. A principal prevenção é não interagir com esses animais. Muitas pessoas alimentam micos, bugios e outros animais silvestres. Esse tipo de contato pode ser perigoso”, destaca o cabo Gláuber Fraga, acrescentando que não estimular o contato com os primatas é também uma forma de mantê-los afastados de propriedades privadas.

A orientação do CBMMG é que, ao encontrar animais silvestres, principalmente quando há filhotes, a população deve se manter afastada e acionar o 193. Isso garante que o resgate seja feito sem riscos e com o mínimo de estresse para os bichos.
No entanto, o caso do animal que está em Benfica não se enquadra no escopo de responsabilidades do Corpo de Bombeiros. Isso porque, de acordo com a corporação, o primata não apresenta risco nem para a população, nem para si mesmo.
“Conforme consta em norma técnica operacional, a atuação do Corpo de Bombeiros na contenção de animais se restringirá às ocorrências em que o animal estiver em uma situação que coloque em risco sua integridade física ou sua vida ou que coloque em risco pessoas ou outros animais, devendo, então, ser imobilizado para transporte para uma instituição ou soltura em seu habita natural. O caso não se enquadra nessa norma. O bugio não estava em um local que oferecia risco para pessoas e nem para o próprio animal”, informou por meio da assessoria.
Procurada, a Polícia Militar Ambiental (PMAmb) afirmou não ter sido contatada para o resgate do bugio. Todavia, também destacou que a atuação da corporação restringe-se a situações em que a integridade física do animal esteja ameaçada.
Os passeios dos macacos bugio não são uma novidade na cidade. O Bairro Tiguera, na Zona Sul da de Juiz de Fora, também já recebeu visita de um membro da espécie em janeiro deste ano. Conhecido como Cornélio, ele frequentava uma missa na Comunidade Nossa Senhora da Visitação, da Paróquia Mãe de Deus.
*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli









