Profissionais de saúde esperam mais de duas horas na fila para vacina
Por volta de meio-dia desta quinta (6), a fila, que começava na Rua Santo Antônio, já seguia pela Benjamin Constant e tomava parte da Avenida dos Andradas
Os profissionais de saúde que foram se vacinar contra a Covid-19, na manhã desta quinta-feira (6), precisaram amargar uma longa espera para receber o imunizante no Restaurante Universitário (RU) da UFJF. Por volta de meio-dia, a fila, que começava na Rua Santo Antônio, seguia pela Benjamin Constant e tomava parte da Avenida dos Andradas, no Centro da cidade. Relatos ouvidos pela reportagem dão conta de que o tempo de espera tem sido superior a duas horas para se vacinar.
Este foi o caso da dentista Thaís Carvalho dos Santos. A profissional chegou no ponto de vacinação depois das 9h e, ao meio-dia, ainda aguardava para receber o imunizante. De acordo com Thaís, a longa fila permaneceu durante toda a manhã. “Minha pressão baixou e eu quase desmaiei, tive que comprar um lanche”, relata a consequência de ter aguardado no local. “São muitos profissionais em um ponto só de vacinação. Precisavam ter diversificado mais, mas concentrou muita gente em um lugar só, e tem vários postos de saúde na cidade”, diz.
A opinião é compartilhada pelo educador físico Márcio Vagner, que também aguardava há mais de duas horas e meia na fila para vacinação. Apesar da espera embaixo do sol, a expectativa do profissional é positiva, considerando que ele atua, também, em clínica de fisioterapia, lidando com idosos e pacientes com comorbidades. “Centralizaram tudo aqui, mas estamos com esperança de chegar rápido, mesmo enfrentando esse sol”, diz. “Sabemos que a única coisa que vai nos privar um pouco dessa doença é a vacina, então estamos nessa expectativa grande de vacinar logo.”

Também educador físico, Rodrigo Crispim esperava há horas para se vacinar. “O sol não está ajudando, só tem alguns momentos de sombra”, brinca. O profissional também lida diretamente com pacientes com comorbidades e vê maior segurança para trabalhar após a vacinação. “Pior do que eles pegarem, é a gente contaminá-los. Acho que ambos os lados se ajudam com a vacina.”
A Tribuna voltou ao local no período da tarde, e a situação não era diferente. O profissional de Educação Física, André Tagliatti, de 39 anos, conta que havia chegado na fila, às 13h, mas, três horas e meia depois, continuava à espera da sua vez. Para ele foi entregue uma senha de número 168, por volta das 16h. “Ou seja, ainda faltam 167 pessoas na frente para vacinar. Não dá para entender o porquê de apenas um único lugar para essa vacinação, por que não ampliou para outros postos. Estamos aqui aglomerados, nos expondo e expondo as outras pessoas também”, disse.
A fisioterapeuta Lídia Oliveira, 36, ficou na fila de 13h às 17h e não conseguiu ser imunizada. Segundo ela, o nome dela não constava na lista para ser vacinada, apesar dela dizer que realizou o cadastro. “Eles não liberaram minha vacinação, porque não tive como comprovar meu cadastro. Fiquei quatro horas na fila, perdi minha agenda de pacientes marcada para esta tarde e não consegui ser vacinada. Acho que também está faltando organização nesse processo”, diz, acrescentando que foi informada, no local, que deverá esperar a PJF abrir nova agenda de marcação de vacinas.
PJF diz que público-alvo é grande e processo pode ser moroso
Sobre o tempo de espera na fila, a Prefeitura de Juiz de Fora informa que o público-alvo dos trabalhadores de saúde a serem vacinados, na cidade, ainda é grande. “São cerca de nove mil pessoas, além das cerca de 20 mil já vacinadas, e, tendo em vista a necessidade de comprovação de documentação para aplicação da vacina, o processo se torna ligeiramente moroso. Por isso, a Secretaria de Saúde escalonou a imunização desses trabalhadores em diversos dias, de acordo com a faixa etária de cada um deles”, esclarece a PJF por meio de nota.
A Administração municipal ainda reforça que, nesta quinta-feira (6), foram vacinados os profissionais de saúde cadastrados entre 36 e 39 anos e que não será permitido o adiantamento do calendário vacinal. “É importante destacar que há diferentes campanhas de imunização em andamento: Influenza e vacinas de rotina nas UBSs e Covid-19. A campanha contra a Covid-19 segue em diversos pontos: Departamento de Saúde do Idoso e nos locais de atendimento específicos para pacientes renais, pessoas com Síndrome de Down, grávidas e puérperas (Sport Club) que necessitam de um atendimento mais cuidadoso e específico. Por isso, neste momento, não abriremos novos pontos de vacinação”, ressalta.
A PJF também adverte que há diversos relatos de pessoas que não se enquadram entre os profissionais de saúde que têm direito à vacinação ou estão tentando antecipar o calendário. Há, ainda, os que não estão cadastrados para se vacinar, neste momento, no ponto de imunização no Restaurante Universitário da UFJF.
Profissionais de saúde
A vacinação dos profissionais de saúde cadastrados seguiu até às 16h no Restaurante Universitário da UFJF. O público-alvo da campanha nesta quinta-feira englobou os trabalhadores com idade entre 36 e 39 anos. De acordo com a PJF, pela definição do Ministério da Saúde (MS), são considerados trabalhadores da saúde aqueles que trabalham em estabelecimentos de assistência, vigilância à saúde, regulação e gestão à saúde, ou seja, que atuam em estabelecimentos de serviços de saúde, a exemplo de hospitais, clínicas, ambulatórios, unidades básicas de saúde, laboratórios, farmácias, drogarias e outros locais. Apenas os profissionais vinculados a esses estabelecimentos estão contemplados neste momento pelo Plano de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19.
Nesta sexta-feira (7), a vacinação no RU será voltada aos trabalhadores em saúde de 33 a 35 anos.
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Também educador físico, Rodrigo Crispim esperava há horas para se vacinar. “O sol não está ajudando, só tem alguns momentos de sombra”, brinca. O profissional também lida diretamente com pacientes com comorbidades e vê maior segurança para trabalhar após a vacinação. “Pior do que eles pegarem, é a gente contaminá-los. Acho que ambos os lados se ajudam com a vacina.”









