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Rua Henrique Surerus tem loja roubada 6 vezes


Por MARCOS ARAÚJO

06/02/2015 às 07h00- Atualizada 06/02/2015 às 13h31

Comerciantes da rua, que fica entre a Itamar Franco e a Espírito Santo, pedem atenção da polícia

Comerciantes da rua, que fica entre a Itamar Franco e a Espírito Santo, pedem atenção da polícia

Em 12 meses, uma agência de viagem sediada na Rua Henrique Surerus, no Centro, foi assaltada seis vezes, conforme o proprietário. A frequência dos roubos no local expõe a fragilidade da segurança naquele trecho. Proprietários e funcionários de estabelecimentos comerciais, inclusive das ruas no entorno, estão amedrontados e cobram mais patrulhamento na área. O proprietário da agência, de 37 anos, que também é dono de uma loja de serviços automotivos na mesma rua, que também foi assaltada duas vezes no ano passado, contou que contratou uma pessoa, que fica de prontidão na porta da agência, para monitorar a movimentação na rua e avisar qualquer atitude suspeita. “Foi a forma que encontramos para nos sentir mais seguros, já que temos seis câmeras eletrônicas internas e duas externas que já não fazem diferença. Na verdade, precisamos de mais atenção da polícia aqui na região”, afirmou o proprietário, que preferiu não ter o nome divulgado.

Os transtornos do empresário não se restringem à violência. Em função de um dos assaltos sofridos pela agência, toda a equipe foi trocada, porque os funcionários ficaram traumatizados e não quiseram continuar trabalhando. “Como as nossas câmeras não estão inibindo os ladrões, se tivesse aqui na rua uma do programa “Olho vivo”, seria mais efetivo”, avaliou. O medo afeta a rotina de outros comerciantes da rua. Uma das lojas chegou a não funcionar no horário especial de Natal para evitar investidas dos assaltantes. “Aqui fica muito deserto, principalmente depois das 17h, e é impossível ficar até mais tarde de porta aberta, pois ficamos muito vulneráveis”, diz uma funcionária.

 

Casos recentes

O assalto mais recente à agência de viagem aconteceu no início de janeiro, no dia 6, quando a loja foi alvo de dois criminosos armados, que invadiram o local por volta das 14h e anunciaram o roubo. Depois do crime, a dupla ainda fugiu utilizando um táxi. Em novembro do ano passado, três homens também invadiram o estabelecimento, por volta das 13h. Um deles usava máscara cirúrgica, e os outros estavam armados com revólver. Um dos bandidos teria permanecido na porta, dando cobertura ao crime, enquanto os outros dois foram recolhendo objetos e dinheiro. Os ladrões ordenaram aos clientes que fossem para a área interna da agência. O trio fugiu a pé em direção à Avenida Itamar Franco. Eles levaram cerca de R$ 3.500, além do celular de um cliente.

Insegurança registrada por lojistas desde 2013

Nas outras lojas da rua e no entorno, os funcionários também relatam sobre a insegurança de trabalhar no local. “Acho que os bandidos sabem que não há muito rotatividade de clientes por aqui, o que deixa as lojas mais vazias e, por isso, eles aproveitam para assaltar”, opina uma vendedora de 46 anos. “Os ladrões andam armados, usando revólver, não é faquinha não. Nossa sorte é que ainda não entraram aqui, porque se entrarem levam tudo”, diz. A funcionária de outra loja, 35, contou que, na última vez em que a agência de viagens foi assaltada, viu dois homens correndo na rua armados. “Isso traumatiza a gente. Acho que a rua deveria ter um policial dando cem por cento de atenção, porque, se entrar alguém aqui, não consigo voltar a trabalhar”, disse a mulher.

Uma outra comerciante, 37, observou que, como há muitas funcionárias mulheres nesses estabelecimentos, o bandidos se sentem mais encorajados. “Eles sabem que, como não há homens, conseguem intimidar.”

A insegurança no trecho não é recente. Em julho de 2013, matéria da Tribuna abordou o problema. Na ocasião, a mesma agência também havia sido assaltada. Além disso, a poucos metros dali, foi registrado homicídio após um roubo em uma pizzaria que fica na Rua Espírito Santo. Como foi mostrado na reportagem, os comerciantes também cobraram mais segurança das forças de segurança pública, instalaram câmeras de monitoramento e, alguns, passaram a fechar as portas mais cedo. Em 2014, a Polícia Militar também registrou casos de furtos de veículos estacionados na Rua Henrique Surerus.

Dois presos

De acordo com o comandante da 30ª Companhia de Polícia Militar, capitão Herivelton Soares, diariamente, há lançamento de viaturas para patrulhamento no entorno da Rua Henrique Surerus. “Sempre privilegiamos os horários de maior movimentação, já que se supõe que neles há maior circulação de dinheiro, o que atrairia os ladrões. Contudo, vamos reforçar o patrulhamento daquela área, principalmente após o horário das 17h, como forma de aumentar a segurança dos comerciantes”, ressaltou o capitão. Ele ainda explicou que, em 2014, a PM registrou três casos de assalto contra a agência de viagem na Henrique Surerus e que dois assaltantes que participaram em um dos roubos foram presos.