Preso por homicídio é denunciado por abuso
O suspeito de ter matado a facadas Glauco Ferreira da Silva, de 27 anos, no Bairro Salvaterra, ao lado do Scala Motel, no último sábado, já estava sendo investigado pela Delegacia de Mulheres em função de uma tentativa de estupro cometida em 2013. Entretanto, o inquérito, conforme informações da unidade policial, só foi finalizado ontem, depois que outras quatro vítimas de abuso sexual procuraram a polícia e reconheceram o homem, que foi preso na terça-feira, na zona rural de Ewbank da Câmara. Glauco foi morto ao tentar defender a namorada, que estaria sendo chantageada pelo suspeito. Para as mulheres, o crime poderia ter sido evitado se o inquérito, instaurado pela Delegacia de Mulheres em janeiro de 2013, não tivesse demorado tanto para ser concluído.
Na época, uma recepcionista, então com 19 anos, chamou a polícia para denunciar que havia sido procurada por um homem, que se identificou como funcionário de uma grande empresa e que queria contratá-la para trabalhar em uma fábrica no Bairro Chapéu D’Uvas. Interessada na vaga, ela se encontrou com o autor, e, no carro dele, se dirigiram para a empresa a fim de conhecê-la. Porém, quando trafegavam por uma estrada de terra, perto do município de Ewbank da Câmara, o homem parou o veículo, um Gol, e desembarcou sozinho.
Ao retornar, ele estava sem roupas e teria agarrado a vítima, tentando manter relações sexuais com ela. Segundo o boletim de ocorrência que deu origem ao inquérito, a moça usou de força física e conseguiu escapar, correndo pela estrada até chegar a um ponto onde fez contato com sua família. Depois disso, o caso passou a ser investigado. Ontem, o delegado titular da Delegacia de Mulheres, Vitor Fiuza, limitou-se a informar que havia concluído o inquérito e que hoje ele seria remetido à Justiça, não esclarecendo o motivo da investigação estar em andamento desde 2013.
Vítimas relatam assédio sexual
A recepcionista, que foi ouvida ontem na Delegacia de Homicídios, de acordo com o delegado Rodrigo Rolli, que investiga a morte no Salvaterra, foi a única vítima do preso que registrou um boletim de ocorrência. Todavia, outras três mulheres, também ouvidas ontem na unidade policial, relataram terem sido assediadas sexualmente pelo autor das facadas contra Glauco. Conforme Rolli, depois da morte ao lado do motel, essas mulheres se sentiram na obrigação de procurar a polícia e relatar que o preso já tinha investido contra elas.
As vítimas, conforme o delegado, foram motivadas pela história da namorada de Glauco, uma jovem, 22, que estava sendo chantageada pelo preso, que dizia ter fotos íntimas dela e ameaçava publicá-las caso a mulher não mantivesse relações sexuais com ele. A moça marcou o encontro no motel e levou o namorado e dois amigos para tentar, segundo Rolli, “dar um corretivo” no suspeito. Os três homens foram esfaqueados, sendo que Glauco morreu no local com uma facada no peito. Os outros dois, de 36 e 33, já tiveram alta do Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ).
“Com esses depoimentos conseguimos demonstrar que esse indivíduo vinha praticando diversos crimes de conotação sexual na região onde as vítimas moravam”, ressaltou Rolli, acrescentando que ele agiu de modo semelhante, sempre atraindo suas vítimas com a história de montar uma firma e precisar contratar funcionárias, marcando encontros com elas a fim de estuprá-las. O delegado afirmou que vai encaminhar os depoimentos das vítimas para investigação na Delegacia de Mulheres.
Delegado ressalta importância da denúncia
“Todo esse episódio da morte perto do motel nos remete a dois pontos relevantes: o primeiro é que as vítimas de crimes sexuais não podem ter medo. Elas devem vencer o constrangimento e denunciar o crime para que a polícia judiciária tome suas providências e possa buscar o autor, para retirá-lo do seio social. A segunda é que a população não deve fazer justiça com as próprias mãos, como fizeram no caso das ameaças contra a namorada de Glauco, armando um flagrante. Elas acabaram se deparando com uma pessoa que reagiu e desferiu facadas em três pessoas, causando a morte de uma. É preciso buscar a polícia para que medidas legais sejam adotadas a fim de evitar situações como essa”, afirmou o delegado Rodrigo Rolli.
Ele afirmou que hoje deve ouvir os dois rapazes esfaqueados no episódio. O delegado ainda aguarda o depoimento do vigia do motel e o laudo de levantamento de local para concluir o caso. O autor do crime encontra-se no Ceresp.









