Ambulantes protestam na Avenida Getúlio Vargas

Trabalhadores reclamam da permanência na Praça do Riachuelo, onde eles foram alocados pela Prefeitura em novembro do ano passado


Por Renan Ribeiro e Renato Salles, repórteres

06/01/2022 às 17h13- Atualizada 06/01/2022 às 21h54

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Ambulantes alegam queda nas vendas após mudança para a praça (Foto: Fernando Priamo)

Um grupo de ambulantes protestou, na tarde desta quinta-feira (6), contra a decisão da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) de alocá-los na Praça do Riachuelo. Os trabalhadores pararam o trânsito na esquina da Avenida Getúlio Vargas com a Rua Marechal Deodoro, no Centro. A Polícia Militar esteve no local e tentou negociar com os manifestantes, que seguravam cartazes com dizeres contra a permanência no novo ponto estipulado pela PJF para organizar o comércio popular de rua. Há informações de que uma ambulante teria passado mal durante o protesto. O ato foi finalizado por volta das 17h30.

Um dos participantes do protesto, o vendedor Carlos Caetano, criticou a decisão da Prefeitura. “Na Marechal não pode trabalhar, não pode na Halfeld, não pode na Batista. “Tiraram todo mundo da Getúlio Vargas dizendo que é por causa do viaduto, mas o que o viaduto mudou? Nada. O viaduto já está inaugurado e não mudou nada aqui, tiraram só os camelôs.”

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Trânsito foi interrompido pelos ambulantes, e Polícia Militar precisou controlar a situação (Foto: Fernando Priamo)

Ele também relatou à Tribuna que muitos dos ambulantes não estão ficando na Praça do Riachuelo, pois no local não teria lugar para todos. “Lá na praça não tem nenhuma estrutura para a gente trabalhar. Não estamos ficando lá, porque ninguém quer trabalhar lá, não tem lugar para todo mundo. E quem está lá não está satisfeito. Passamos o pior Natal agora, não vendemos nada.”

Outra manifestante, Hilda Maria da Silva, ressaltou que a indignação vem da trajetória dos trabalhadores. Alguns deles com mais de 40 anos no comércio popular da cidade. “Eles perderam o seu direito de trabalhar do dia para a noite, sem defesa. Foram para a praça sem condição nenhuma, porque lá eles não fazem nem para comer. Não paga o estacionamento, não paga a luz, não paga nada.” Ela afirma que a classe precisa ser defendida. “Estamos querendo que eles tenham seus direitos da melhor maneira possível. Tem que ouvi-los. Tem que ter conversa, tem que ter diálogo”, defendeu Hilda.

Manifestantes sinalizam novo protesto para esta sexta

O vendedor ambulante Gabriel Brasileiro, de 21 anos, ressaltou que o grupo que participou do protesto de forma espontânea é formado por comerciantes insatisfeitos e que não possuem uma liderança. Segundo Gabriel, muitos deles têm enfrentado dificuldades financeiras desde que foram transferidos para a Praça do Riachuelo. “Alguns tiveram que pedir ajuda para passar este Natal.”

Segundo ele, o local para onde os ambulantes foram remanejados não oferece condições de trabalho, tem pouco movimento de possíveis clientes e registra outros problemas sociais, com a presença de usuários de drogas e de pessoas em situação de rua que dividem o espaço com os comerciantes.

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Grupo ressaltou que tentou um diálogo com a Prefeitura na tarde desta quinta-feira, mas sem sucesso (Foto: Fernando Priamo)

Gabriel disse ainda que a maioria dos ambulantes que participou do protesto tinha, até o ano passado, suas barracas montadas nas principais vias da cidade, como Avenida Getúlio Vargas e as ruas Halfeld e Marechal Deodoro. “Trabalhavam há oito anos na Getúlio”, conta.

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Ao fim do protesto, os manifestantes ressaltaram que buscaram um diálogo com a Prefeitura na tarde desta quinta-feira, mas sem sucesso. Os ambulantes querem ser realocados para seus pontos de origem e prometem uma nova manifestação para esta sexta-feira.

PJF diz que tem dialogado com a categoria

Por meio de nota, a Prefeitura de Juiz de Fora destacou que reforça o seu compromisso em manter o diálogo com os trabalhadores do comércio popular irregulares. “Com o intuito de promover a mobilidade e a requalificação do Centro, foi oferecida a oportunidade desses trabalhadores continuarem vendendo suas mercadorias na Praça do Riachuelo, através da assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). O espaço público recebe intervenções do programa Boniteza regularmente, além de outras atividades promovidas pela PJF. Os primeiros a aderir receberam barracas e 50 pessoas foram beneficiadas no mês de dezembro com cestas básicas e de Natal. Servidores da Prefeitura estão todos os dias na praça para manter o diálogo, como conferir a presença nos pontos.”

A PJF informou que a revogação do TAC pode ser feita pelo Município quando for constatado descumprimento ou solicitada pelo comerciante, mas tem implicações quando houver a licitação formal, caso os ambulantes insistirem na prática irregular. “O objetivo das ações é garantir melhores condições de trabalho com a formalização e coibir a precarização. As mudanças já impactaram em uma melhor acessibilidade para pedestres e maior agilidade urbana para o transporte público e veículos.” A PJF ainda reiterou na nota que encaminhou à Câmara Municipal em novembro a mensagem com o projeto de lei para a regulamentação da atividade, uma vez que a legislação em vigor tem quase 30 anos e encontra-se defasada. Novas licenças, conforme a PJF, só poderão ser emitidas após a aprovação.

Trânsito

Em função do protesto dos ambulantes na tarde de quinta-feira, o trânsito na região foi prejudicado, e as câmeras da Infotrans indicavam o tráfego lento e retenção na Getúlio Vargas e na Floriano Peixoto por volta das 17h. A Polícia Militar e os agentes da Guarda Municipal estiveram presentes para orientar o tráfego de veículos. Um desvio foi feito provisoriamente para carros de passeio na altura da Rua Benjamin Constant.

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Trânsito na região ficou comprometido em função da manifestação (Foto: Fernando Priamo)

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