Samu Cisdeste recebe 50 novas ambulâncias; Juiz de Fora será contemplada com nove unidades
Veículos serão usados para renovação da frota e ampliação de bases do serviço de urgência na região; entrega ocorre após série de reportagens da Tribuna sobre dificuldades estruturais e financeiras do sistema

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), operado pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde para Gerenciamento da Rede de Urgência e Emergência da Macro Sudeste (Cisdeste), que atende 147 municípios, recebeu 50 novas ambulâncias destinadas à renovação da frota e à ampliação de bases descentralizadas na região. Entre os municípios contemplados está Juiz de Fora, que receberá nove veículos, sendo sete para substituição de unidades antigas e duas Unidades de Suporte Básico (USB) para expansão da estrutura de atendimento.
De acordo com o consórcio, os novos veículos estão na sede da Faculdade de Ciências Médicas de Juiz de Fora (Suprema), localizada na Al. Salvaterra 200, no Bairro Salvaterra, onde estão sendo feitas vistorias e devem começar a operar nos próximos dias, após a conclusão de procedimentos administrativos, como contratação de seguro, emplacamento e demais trâmites legais.
Ainda conforme o Cisdeste, o recebimento das unidades integra a política de renovação de frota do Governo federal, voltada à substituição de ambulâncias com mais de cinco anos de uso. A medida tem como objetivo reduzir falhas mecânicas, diminuir custos com manutenção e ampliar a disponibilidade operacional do serviço.
A chegada das ambulâncias ocorre após discussões recentes sobre a estrutura e o financiamento do Samu na região. Em julho de 2025, reportagem da Tribuna mostrou que o Cisdeste enfrentava déficit anual estimado em cerca de R$ 5,38 milhões, resultado da diferença entre os repasses federais e estaduais e o custo real de operação do serviço. À época, gestores de consórcios alertavam, em ofício enviado ao Ministério da Saúde, para o risco de comprometimento do atendimento caso não houvesse recomposição do custeio.
Pouco tempo depois, em setembro, outra reportagem da Tribuna apontou que o Samu atuava sob forte pressão financeira. A situação ficou evidente após um grave acidente na BR-040, em Juiz de Fora, quando seis ambulâncias do Samu estiveram disponíveis para o atendimento das dezenas de vítimas, fazendo com que algumas delas aguardassem o retorno das equipes que transportavam os pacientes mais graves. Das seis ambulâncias, duas foram montadas com profissionais que atuam na Central de Regulação Médica, no setor administrativo e no Núcleo de Educação Permanente.

Já em novembro de 2025, o próprio Cisdeste informou à Tribuna que aguardava a aquisição de novas ambulâncias pelo Ministério da Saúde para recompor a frota e ampliar a estrutura do serviço. Na ocasião, o consórcio destacou que todas as unidades em operação em Juiz de Fora tinham mais de cinco anos de uso e poderiam se tornar antieconômicas devido ao desgaste provocado pela alta demanda de atendimentos.
Além da renovação de veículos, o consórcio também prevê a ampliação de bases descentralizadas em diferentes municípios. A definição das cidades contempladas foi baseada em estudos técnicos que consideraram fatores como volume de ocorrências, tempo médio de resposta, distância entre bases e áreas com menor cobertura.
Atendimento
Segundo o Cisdeste, a ampliação da estrutura busca reduzir o tempo de resposta nas ocorrências e aproximar as equipes das comunidades atendidas. Atualmente, o Samu regional presta assistência a cerca de 2,5 milhões de habitantes distribuídos entre os municípios consorciados.
O serviço funciona 24 horas por dia e realiza atendimento pré-hospitalar em casos clínicos, traumáticos, obstétricos e psiquiátricos, além de atuar na regulação de urgências e na transferência de pacientes entre unidades de saúde.