Moradores temem desmoronamento de casas do projeto Colorindo o Habitar, no Bairro Esplanada
Parte das residências apresenta rachaduras; rua foi evacuada há uma semana
Moradores temem o desmoronamento de casas da Rua Professor Valquírio Seixas de Faria, no Bairro Esplanada, Zona Norte de Juiz de Fora, que compõem o projeto Colorindo o Habitar, macro mural inaugurado em 2023. De acordo com os relatos, a estrutura de parte das residências que foram evacuadas no dia 26 de fevereiro sofreu abalos que comprometem a segurança da região, como a Rua Osmar Cortes Claro, localizada logo abaixo do conjunto habitacional, que foi evacuada na quarta-feira (4).
De acordo com vídeos enviados por uma moradora da Rua Osmar Cortes Claro à Tribuna, há rachaduras, muros estufados e um fio de energia segurando árvores que já deslizaram. Segundo ela, a situação das casas do projeto Colorindo o Habitar também oferece perigo à Rua Nicolau Capelli, que já foi atingida por um deslizamento, e à Rua Norberto Gerhein, que está sendo usada como desvio do trânsito em virtude da interdição da “curva da miséria”, na Avenida Olavo Bilac.
“Na minha casa não caiu nada, mas nos vizinhos na frente, sim. Uma laje de uma casa cedeu e outro pedaço ficou pendurado. Caiu terra, alguns tijolos. As árvores que sobraram conseguiram segurar parte do entulho, mas pode ser que em uma próxima chuva não segure”, relata.
A moradora decidiu deixar a residência antes que a Defesa Civil solicitasse a evacuação da Rua Osmar Cortes Claro. “Decidi fazer por medo mesmo. Só de olhar pra cima, a gente já via que não tem terra embaixo de uma das casas. Outros moradores também saíram antes, principalmente os que têm casa logo abaixo”, explica.

‘Estamos fragilizados’
Durante a evacuação, a Defesa Civil orientou aos moradores que aguardassem o fim do período de chuvas para solicitar uma vistoria do órgão, que irá avaliar se será permitido o retorno às casas. Diante da incerteza, o sentimento de quem tem que sair é de medo. “Eu, como todos aqui na rua, estamos vivendo vários lutos ao mesmo tempo. Estamos fragilizados, porque todo mundo escutou o barulho quando as casas desabaram. Tinham pessoas conhecidas lá, a gente escutou pedindo ajuda, pedindo socorro, e agora a gente passa por essa situação do luto de deixar nossa casa”, conta.
Procurada, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) afirma que “o projeto Colorindo o Habitat teve caráter exclusivamente urbanístico e comunitário. Ele atendeu a uma reivindicação histórica da comunidade, realizando obras estruturais no escadão, incluindo a implantação de sistema de drenagem, exatamente para melhorar o escoamento da água e reduzir a pressão hídrica sobre o terreno daquela encosta. Além disso, procedeu com a revitalização das fachadas das casas e a valorização do espaço urbano. É importante destacar que esse projeto não tinha como objetivo realizar obras de contenção ou mitigação geotécnica de risco”.
A Administração complementa que “obras de drenagem realizadas no escadão tiveram papel importante na melhoria das condições do local. Sem essas intervenções, há avaliação técnica de que os impactos das chuvas poderiam ter sido ainda mais graves, possivelmente provocando deslizamentos semelhantes aos que ocorreram em outras áreas da cidade”.