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Suspeito de atropelar e matar idoso se apresenta à Polícia Civil

Família pretende realizar manifestação pedindo Justiça

Por Vivia Lima

04/12/2018 às 20h27- Atualizada 05/12/2018 às 14h47

José Fernandes era tido como um homem bondoso e carismático (Foto : Arquivo pessoal)

O suspeito de atropelar e por fim à vida do idoso José Sebastião Fernandes, 68 anos, prestou depoimento nesta terça-feira (4). A oitiva foi realizada à tarde, na Delegacia em Santa Terezinha. O conteúdo do depoimento, no entanto, não foi divulgado. O inquérito é presidido pela delegada Camila Miller, da 7ª Delegacia de Polícia Civil, responsável pela investigação. Segundo informou a assessoria da instituição, o jovem, de 22 anos, depôs na companhia de seu advogado e “todas as demais diligências estão sendo empreendidas para uma célere apuração do caso”.O suspeito deverá responder em liberdade.

Por volta das 5h30 da manhã do último sábado, José foi atropelado por um automóvel que seguia em alta velocidade pela Avenida Barão do Rio Branco, quando atravessava na faixa destinada a pedestres. O caminho era o mesmo realizado pela vítima há muitos anos, que seguia para hemodiálise naquela manhã.

Segundo informou a PM, o condutor teria avançado o sinal vermelho, entre as ruas Afonso Pinto da Mota e Floriano Peixoto, atingindo e arremessando o aposentado a uma distância aproximada de 50 metros. Apesar de socorrido pelo Samu, ele não resistiu e faleceu trinta minutos após o acidente. Já o condutor, segundo consta no Registro de Eventos e Defesa Social (Reds), fugiu sem prestar socorro. Ele seguiu no sentido Manoel Honório em alta velocidade sem respeitar a sinalização semafórica.

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Veículo localizado

Diferentemente daquilo que havia sido informado pela assessoria da Polícia Civil, na tarde de segunda-feira (3), a informação foi corrigida pela própria instituição nesta terça. “Retificamos que o veículo foi localizado por uma equipe da Polícia Civil e que esta informação foi anexada posteriormente ao inquérito policial responsável pela investigação”.

O automóvel suspeito foi encontrado entre domingo e segunda-feira, no Bairro Miguel Marinho, na região Norte de Juiz de Fora, quando o suspeito também teria sido identificado. Apesar de questionada, a Polícia Civil não informou a hora e a rua em que o veículo foi encontrado.

Família busca por justiça

“Um dos homens mais incríveis que convivi.” Assim definiu Gilson Gerheim, neto do idoso atropelado, em conversa com a Tribuna. A vida de José Sebastião foi brutalmente interrompida na manhã do último sábado, quando foi atingido pelo veículo que, de acordo com a PM,  trafegava em alta velocidade. Segundo a família, há dez anos, José Sebastião saía da casa onde morava, no Bairro Bom Jardim, com destino ao Centro. No entanto, antes de chegar ao HPS, endereço onde fazia hemodiálise, ele foi atingido pelo carro. José estava sozinho. “Ele sempre estava acompanhando de colegas de tratamento, e tinha o cuidado de atravessar quando o sinal estivesse verde para os pedestres e respeitava a sinalização”, garantiu Gilson, de 24 anos. “Estamos chocados com a brutalidade da morte do meu avô. Há anos ele fazia este tratamento e passou por inúmeras dificuldades. Às vezes, passava mal. Teve algumas complicações, mas superou tudo. Não esperávamos que viesse a falecer desta forma agressiva”, relatou o neto, acrescentando que o avô teve as pernas, a costela e o pescoço quebrados em decorrência do impacto.

A família busca por respostas e, para isso, tenta reunir provas para que a morte de José não faça parte, apenas, das estatísticas relacionadas a mortes no trânsito. Os parentes organizam uma passeata, que deverá ser realizada na próxima semana, pedindo Justiça. “Vingança nunca foi nosso foco. Não queremos que este caso seja, somente, um número e buscamos que as autoridades nos enxerguem. O motorista simplesmente fugiu depois de arremessar meu avô a 50 metros e agora está em liberdade. Tenho certeza que ele será responsabilizado”, afirma Gilson, garantindo que busca por imagens e testemunhas que possam auxiliar na elucidação do caso. Os familiares tentam superar a tristeza nas lembranças deixadas pelo pai, irmão e avô. “Ele era de sorriso fácil, carinhoso e querido por todos. O bom tratamento com as pessoas foi o que ele nos deixou depois que este motorista imprudente arrancou a vida dele. Tudo aqui em casa faz lembrá-lo, mas ele não volta.” José Sebastião Fernandes deixou esposa, duas filhas e três netos.

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