Ex-comandante da PMMG é preso por importunação sexual em Juiz de Fora
Motorista e passageiros ajudaram a localizar o suspeito após a denúncia
Um ex-comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) de Belo Horizonte, de 59 anos, foi preso em Juiz de Fora suspeito de importunar sexualmente uma passageira durante uma viagem de ônibus interestadual, que passava pela cidade. O caso ocorreu na madrugada desta terça-feira (4), no Bairro Distrito Industrial, Zona Norte da cidade, e já reuniu, pelo menos, sete testemunhas
De acordo com o Boletim de Ocorrência que a Tribuna teve acesso, a polícia foi acionada por volta das 4h, quando o veículo que fazia o trajeto de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro parou na entrada do bairro. A passageira, de 34 anos, relatou que ocupava uma poltrona do ônibus, enquanto o coronel da reserva estava sentado logo atrás. Segundo ela, o homem passou a encostar os pés repetidamente em seu corpo e, em determinado momento, apoiou um deles sobre seus braços, simulando uma carícia. Em seguida, ainda de acordo com o relato, colocou o pé entre as poltronas e insistiu em tocá-la, apesar das tentativas da mulher de se afastar.
A vítima afirmou, ainda, que o suspeito passou a fazer contato físico com as mãos de forma insistente chegando a tocar sua coxa e apalpá-la. Nesse momento, ela gritou e o confrontou. Momento que, conforme o boletim de ocorrência, o homem disse que teria apenas encostado o pé nela, pediu desculpa e tentou esconder o rosto.
A mulher relatou que ficou desesperada, passou a chorar e pediu ajuda. À Polícia Militar, o motorista do ônibus da Guanabara, de 29 anos, informou que percebeu uma movimentação incomum entre os passageiros e, ao fazer uma parada para o desembarque de um colega de trabalho, viu o suspeito deixar o coletivo. Ao ser informado sobre o que havia ocorrido, o condutor e demais passageiros iniciaram a busca pelo suspeito.
Após a comoção de todos dentro do coletivo, o coronel da reserva foi encontrado escondido atrás de um caminhão estacionado às margens da rodovia, segundo consta no Boletim de Ocorrência. O documento também que o suspeito, após ver que seria abordado, teria tentado correr. O homem foi perseguido e alcançado pelas testemunhas e contido com o auxílio também de um funcionário de um posto de coletivo próximo ao local.
Empresa afirma que colabora com investigações
Em nota, a Guanabara informou que repudia qualquer forma de violência e que está colaborando com as autoridades na apuração do caso. Segundo a empresa, assim que tomou conhecimento da ocorrência, o motorista acionou o protocolo interno para casos de importunação sexual, comunicou a Central de Operações e conduziu o ônibus até a delegacia mais próxima, em Juiz de Fora, para a adoção das medidas cabíveis. A empresa informou ainda que um representante da Util presta assistência às passageiras envolvidas e que os demais ocupantes do coletivo seguiram viagem em outro veículo disponibilizado pela companhia.
Passageiras relatam ‘comportamento estranho’ do suspeito
Outras duas mulheres, 21 e 33 anos, também passageiras do ônibus relataram que o comportamento do homem chamou atenção durante a viagem e qualificaram como “incomum e suspeito”. Segundo as mulheres, ele caminhava constantemente pelo corredor com comentários que causavam desconforto.
Outra passageira, de 24 anos, relatou à Polícia Militar que, em determinado momento da viagem, o homem sentou-se ao seu lado alegando que aquela era sua poltrona. Posteriormente, contudo, verificou-se que o assento destinado ao coronel da reserva era outro. A jovem afirmou ter se sentido desconfortável com o comportamento do suspeito, que considerou estranho, e decidiu trocar de lugar. Ela destacou, ainda, que observou que embora houvesse diversos assentos vagos no ônibus, o homem insistia em permanecer próximo às passageiras.
Suspeito nega acusações
Ao ser ouvido pela PM, o suspeito relatou que trocou de assento pois sua poltrona estava ocupada por mochilas. O homem também afirmou que dormiu durante a viagem, o que poderia ter feito encostar os pés na passageira de forma involuntária. Ele negou qualquer ato de cunho sexual e que desembarcou espontaneamente para evitar tumulto.
Conforme apuração da Tribuna de Minas, o oficial já comandou o 1º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e o Batalhão de Radiopatrulhamento Aéreo. Ele ingressou na corporação em 1988 e, segundo a PMMG, encontra-se atualmente aposentado. Em nota, a Polícia Militar informou que, após tomar conhecimento da ocorrência, efetuou a prisão em flagrante do suspeito. A corporação acrescentou que, “por se tratar de crime comum e não militar, o autor foi conduzido à Polícia Civil” e que acompanha o caso.
A Polícia Civil informou que o suspeito permanecia na delegacia até o início da tarde desta terça, onde era lavrado o Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD).









