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UFJF adia as provas do Pism para janeiro


Por EDUARDO MAIA

03/10/2015 às 07h00

As provas do Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism) serão aplicadas em 17 e 18 de janeiro. As novas datas foram definidas em reunião do Conselho Universitário (Consu) na tarde de ontem, atendendo ao pedido do Colégio de Aplicação João XXIII e da Associação de Docentes das Instituições Federais de Ensino de Juiz de Fora (Apes). Em decorrência das greves dos professores e técnicos, o entendimento dos solicitantes é de que os alunos do colégio e do IF Sudeste estariam prejudicados em relação aos demais candidatos, já que, até os dias 13 e 14 de dezembro, não haveria tempo suficiente para a reposição do calendário. As demais datas do processo seletivo, incluindo o prazo final de inscrição até 22 de outubro, estão mantidas.

De acordo com a diretora-geral do João XXIII, Andréa Vassalo Fagundes, o adiamento garantirá aos alunos a preparação adequada ao processo. “Encaminhamos a solicitação por entendermos que o colégio é uma unidade acadêmica da UFJF e está dentro de um cronograma de greve há quase dois meses. É justo que a universidade atenda à educação básica, garantindo a qualidade de reposição quando voltarem as aulas e permitindo que os alunos estejam em pé de igualdade com os de outras instituições que não estão em greve”, defende.

No mesmo tom, a diretora da Apes Gisele Moreira explica que o adiamento atende também ao direito de greve dos docentes. “É preciso garantir que os alunos tenham condições objetivas de concorrerem ao Pism e também o respeito à luta dos professores, que deverão fazer a reposição das aulas com qualidade”, assegura. Na carta enviada ao Consu, a Apes solicitava que o calendário do Pism contemplasse efetivamente o tempo de paralisação das instituições.

Repercussão

A decisão, no entanto, não foi recebida de forma positiva entre todos os candidatos. Aluna do segundo ano de uma escola particular, Júlia Campos não se conforma com a prorrogação. “Durante todo o ano, os professores do meu colégio fizeram um trabalho muito árduo junto com os alunos para que o programa do Pism fosse cumprido com qualidade. Meu ano letivo vai terminar por volta de 20 de novembro e depois será revisional. Acho injusto um professor ser “obrigado” a trabalhar até janeiro. No fim, nem os alunos nem os professores têm férias direito e começam o ano letivo já cansados e estressados porque não conseguiram descansar”, desabafa.

O edital do Pism de 2016 disponibilizará 1.161 vagas em 59 cursos no campus de Juiz de Fora e outras 250 em dez opções de graduação em Governador Valadares. As inscrições devem ser feitas até 22 de outubro. Nesta edição, as provas dos três módulos, que antes eram aplicadas em três dias, vão acontecer em apenas dois.

A greve dos professores completa hoje 54 dias na UFJF e no IF Sudeste. Na última terça-feira, os professores deliberaram em assembleia pela saída unificada do movimento junto aos comandos das outras instituições mobilizadas pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes). Na ocasião, ficou definido que o retorno dos professores dependeria da decisão do Conselho Universitário (Consu), que revogou a suspensão do calendário acadêmico, vigente desde 28 de julho. No dia 8, os professores se reúnem em nova assembleia, quando devem definir uma data de retorno. A previsão é de que os docentes voltem aos postos de trabalho até o próximo dia 13.

A retomada das aulas na UFJF, no entanto, depende principalmente do retorno dos técnicos-administrativos, que estão parados há 128 dias, já que são eles os responsáveis pelas matrículas de calouros da instituição. Eles também aprovaram a proposta de reajuste oferecida pelo Governo, de 10,5% em dois anos, mas decidiram voltar ao trabalho somente quando o acordo fosse assinado pelo Ministério do Planejamento. Em assembleia ontem, a minuta do acordo foi lida aos grevistas, restando ainda a definição de reposição das atividades. O comando nacional de greve entende ser necessária apenas a reposição de serviços ao contrário da reposição das horas não trabalhadas. Nova assembleia está marcada para o dia 6, às 9h, no Restaurante Universitário, e outra em Governador Valadares, às 14h, para uma definição final do retorno.

Retomada das aulas depende de acordos nacionais