Portais ajudam pessoas a viver sem álcool e tabaco


Por Tribuna

03/07/2016 às 07h00- Atualizada 05/07/2016 às 10h02

Pessoas dependentes de álcool e tabaco contam com dois suportes on-line para auxiliar na diminuição do consumo abusivo das substâncias. Criados em Juiz de Fora pelo Centro de Referência em Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Outras Drogas (Crepeia) em parceria com o Departamento de Ciência da Computação da UFJF, os sites “Álcool e Saúde” e “Viva sem tabaco” oferecem acompanhamento gratuito e personalizado para auxiliar na diminuição e finalização da dependência. O www.alcoolesaude.com.br, lançado no último dia 24, foi criado por professores e alunos, com o auxílio de quem já passou pelo processo de redução de bebidas no dia a dia. O projeto possui parceria também com professores da Universidade de Kansas (EUA). Já o www.vivasemtabaco.com.br foi criado em maio deste ano e já foi acessado mais de dez mil vezes, contando atualmente com cerca de 500 usuários ativos que estão tentando parar de fumar.

Conforme o coordenador do Crepeia e um dos idealizadores dos projetos, Telmo Ronzani, os sites fornecem inicialmente informações de possíveis danos e riscos que o consumo de álcool e tabaco pode oferecer. “O usuário responde a um questionário, que faz uma avaliação daquela pessoa, analisando os danos e o comprometimento dela em relação às substâncias. O resultado sai de imediato, juntamente com explicações sobre seu significado. A partir daí, o usuário é convidado a ler sobre algumas dicas e estratégias de diminuição e parada do consumo”, explica. Neste momento, conforme Telmo, são avaliados outros aspectos do consumo, como período e quantidade utilizados. A partir das respostas dadas, o usuário vai recebendo orientações específicas para seu caso. “Além disso, a pessoa pode receber por e-mail, conforme frequência desejada, outras orientações que vão ajudá-la a se manter nesta mudança de comportamento.”

Pesquisador do Crepeia, Leonardo Martins explica que estas ferramentas oferecidas pelo site são rápidas e interativas. No caso do álcool, por exemplo, o internauta pode conhecer consequências do consumo para a sua saúde, criar estratégias para beber menos, registrar seu consumo diário e verificar se está dentro do recomendado. “O site também conta com um sistema que permite ao usuário receber lembretes sobre a sua meta de consumo semanal, dentre outras informações que podem motivá-lo a alcançar seu objetivo.” Segundo Telmo, este tipo de iniciativa é válida tanto para quem já parou de consumir as substâncias e deseja se manter livre delas, quanto para quem está iniciando ou no meio deste processo. “Ajudamos também para que não haja recaída.” Os sites oferecem, ainda, contatos para que o usuário possa tirar suas dúvidas com a equipe de apoio.

No mesmo formato, o Crepeia oferece também o site “Viva sem tabaco”, que já foi acessado mais de dez mil vezes. “Por enquanto temos mais amostras qualitativas, que já estão dando um retorno muito positivo. As pessoas têm avaliado como bastante útil na diminuição do uso da substância. Estamos agora preparando uma amostra maior para uma comparação mais consistente”, explica Telmo.

Conteúdo deve ser traduzido para outras línguas

As informações e ferramentas presentes em ambos os sites foram desenvolvidas a partir de guias clínicos reconhecidos internacionalmente, além de contarem com resultados de pesquisas anteriores, consulta a especialistas na área, assim como avaliação do público-alvo (pessoas que fumam, pararam de fumar, usuários de álcool que fazem consumo pesado de álcool e outros que já fizeram, mas conseguiram diminuir). O projeto iniciou-se em 2012, com revisão da literatura científica da área, participação de membros da equipe em projetos internacionais semelhantes e captação de recursos.

Apesar de o foco inicial ser o público brasileiro, que tem de 18 a 65 anos e que consome álcool em alguma quantidade, os pesquisadores esperam que, em breve, o conteúdo do site seja traduzido para outras línguas, começando pelo inglês e espanhol. “Isso nos dá a expectativa de aumento do público-alvo. O Viva sem Tabaco, por exemplo, tem traduções para estas línguas, além do italiano, alemão e russo”, afirma o pesquisador Leonardo Martins.

Leonardo ressalta ainda que os resultados obtidos nas páginas podem variar de pessoa para pessoa. “Alguns estudos apontam que apenas a avaliação do consumo etílico e o recebimento de informações adequadas já podem produzir efeitos positivos, impactando na redução. Alguns casos, principalmente aqueles que envolvem um consumo mais pesado ou até mesmo a dependência, exigem maiores cuidados e tratamento mais intensivo, feito por um profissional de saúde qualificado e pode durar mais tempo. Em média, o programa atual está previsto para acompanhar de forma mais intensa os usuários por seis meses, com uma reavaliação anual pré-programada.”

Dados

No Brasil, estimativas de 2012 apontam que cerca de 50% da população ingerem bebidas alcoólicas. Entre homens, este número chega a 62%. Segundo pesquisa realizada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a cada cem mil mortes no Brasil, 12,2 mil estão relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas. “O que chama mais atenção é que mais da metade destas pessoas que bebem, fizeram consumo de álcool de forma pesada, podendo gerar algum tipo de prejuízo para a saúde. Dificilmente as pessoas sabem qual é o nível de consumo de álcool que pode ser considerado de baixo risco. Sempre pergunto aos meus amigos ou pessoas que não são da área, e elas geralmente não respondem de forma correta. Acessando o site, elas poderão descobrir,” afirma Leonardo.