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Homem confessa mortes da mãe, da tia e da sobrinha


Por DANIELA ARBEX E MICHELE MEIRELES

02/07/2016 às 07h00

Rodrigo foi apresentado ontem e, depois, voltou ao Ceresp (olavo prazeres/01-07-16)

Rodrigo foi apresentado ontem e, depois, voltou ao Ceresp (olavo prazeres/01-07-16)

Comoção e dor nos enterros no Parque da Saudade

Comoção e dor nos enterros no Parque da Saudade

A Polícia Civil apresentou ontem pela manhã o suspeito de ter matado a mãe, uma sobrinha e uma tia em dois apartamentos da cidade localizados nas ruas Halfeld e Dom Viçoso. O crime chocou a cidade e mobilizou as polícias nas buscas por Rodrigo José Liguori de Oliveira, 40 anos, que foi capturado no município de Barroso, pela equipe da Delegacia Especializada de Homicídios, cerca de seis horas após os corpos serem encontrados. Além de confessar os assassinatos, o homem contou aos policiais detalhes de como ocorreram as mortes. Em uma ação arquitetada durante uma semana, ele matou as mulheres enquanto dormiam. Em seguida, fugiu em um carro alugado e ainda tentou se livrar do rastreador do veículo contratado pelo período de um mês. Levado para o Ceresp, o autor deve passar por exame de sanidade mental, já que há informação de que ele sofre de esquizofrenia. Enquanto ele era interrogado, as três vitimas de uma mesma família eram veladas na mesma capela do cemitério Parque da Saudade. Os três caixões foram mantidos fechados durante todo o período. Os enterros, ocorridos às 16h e às 16h30 de ontem, reuniram centenas de pessoas da cidade e região, já que parte da família morava em Coronel Pacheco.

De acordo com o delegado José Márcio de Almeida Lopes, que está à frente da investigação criminal, o suspeito foi levado para a delegacia de Santa Terezinha ainda na noite de quinta-feira. Ele chegou à unidade policial por volta das 20h30, onde prestou depoimento. Muito confuso, alegou que cometeu o crime em função de uma suposta herança e disse que era “perseguido por um policial da Polícia Federal”. O suspeito contou aos policiais que a primeira morte foi a da tia Maria Aparecida Liguori de Cerqueira, 85 anos, no apartamento da Rua Halfeld. Conforme seu depoimento, o homem foi ao local usando como desculpa a compra de um aquecedor para a idosa. “Ele permaneceu lá durante algum tempo, conversou com a vítima, assistiu TV com ela. Quando percebeu que a tia estava sonolenta, o autor foi até a cozinha, pegou uma panela e a golpeou. Ao perceber que ela estava desacordada, tentou sufocá-la com um travesseiro e depois cortou seu pescoço com um canivete”, contou o delegado.

Após o primeiro assassinato, o homem deixou o apartamento e foi até um motel nas proximidades do Bairro Grama, Zona Nordeste, onde ficou por cerca de duas horas, segundo ele, descansando. Em seguida, por volta das 3h30 de quinta-feira, o criminoso seguiu para sua casa, no Alto dos Passos, onde morava com a mãe Elizabeth Philomena Liguori de Oliveira, 78, e a sobrinha Lara Amaral Liguori de Oliveira, 19, estudante de Medicina da UFJF. “O assassino já desceu do carro, que estava alugado há cerca de um mês, com um machado em mãos. Ele contou que, quando chegou, a mãe estava sonolenta e a atingiu com golpes de machado. Em seguida, seguiu para o quarto da sobrinha, que dormia, golpeando-a com o instrumento diversas vezes”, contou o delegado.

O estado em que os corpos foram encontrados chamou a atenção da polícia. Os quartos, segundo os investigadores, tinham sangue até no teto. O rosto de Lara foi desfigurado e dois dedos da mãe de Rodrigo haviam sido decepados. Depois dos crimes, o homem fugiu no carro alugado. Segundo José Márcio, no caminho, ele tentou tirar o rastreador, mas não conseguiu. Acabou detido por volta das 19h, em uma praça em Barroso, a cerca de 130 quilômetros distante de Juiz de Fora. A sanidade mental do homem deverá ser avaliada.

Assassino confesso se diz arrependido

Após ser apresentado pela Polícia Civil, o suspeito do triplo homicídio conversou com a imprensa. Em alguns momentos, ele apresentou fala bastante desconexa e fez muitas menções a uma suposta perseguição da “Polícia Federal” a ele. Já em outras partes do discurso, deu detalhes de como praticou os crimes. Segundo ele, no momento em que matava as mulheres, sentiu “mais ou menos pena” e afirmou que elas estavam dormindo e, por isso, não tiveram como reagir.

Formado em direito, Rodrigo José Liguori de Oliveira alegou, ainda, que a mãe e a tia estavam “contra ele” em um processo de herança. Também afirmou ter planejado os homicídios cerca de dez dias antes. “Com a dificuldade de conseguir comprar arma e munição no morro, fiquei parado. “Tô” me sentindo péssimo. Minha sobrinha é como se fosse minha filha, eu avisei “pros” homens da Polícia Federal não mexerem com ela, avisei que, se eu lesasse ela, era por causa do pai dela, que fazia injúria pra cima de mim”. disse. Ele contou que alugou o carro para fugir, pois tem fobia de andar de ônibus.

Centenas acompanham sepultamento

O enterro de Maria Aparecida Liguori de Cerqueira, 85 anos, Elizabeth Philomena Liguori de Oliveira, 78, e Lara Amaral Liguori de Oliveira, 19, foi marcado pela comoção. Centenas de pessoas de Coronel Pacheco – cidade natal da estudante de Medicina da UFJF -, Piau, Bicas, Santos Dumont, Guarará, Barbacena, Simão Pereira e Juiz de Fora se dirigiram ao cemitério Parque da Saudade para se despedir das mulheres e tentar confortar os familiares atingidos pela tragédia. Estudantes da UFJF, onde Lara cursava o segundo período de Medicina, e dos colégios por onde ela passou no ensino fundamental e médio fizeram questão de homenagear a jovem, considerada por todos uma aluna aplicada e uma grande colega. Os pais de Lara permaneceram todo o tempo dentro da capela onde os três corpos foram velados. Muito abalada, a mãe de Lara repetiu diversas vezes para amigos que sua filha morreu antes da hora. Ela precisou ser medicada e não acompanhou o cortejo fúnebre, iniciado às 16h30.

A família recebeu diversas coroas de flores, tantas que elas precisaram ser levadas para os locais dos sepultamentos em uma Kombi. A Embrapa, empresa onde o pai de Lara trabalha, também disponibilizou uma van para que os funcionários pudessem assistir aos enterros. Maria Aparecida foi a primeira a ser enterrada, às 16h. Meia hora depois, o caixão de Elizabeth deixou a capela, seguido pelo de Lara, que foi muito aplaudida. Mesmo amparado, o pai da estudante fez questão de carregar o caixão da filha até o endereço da sepultura. No entanto, ele não conseguiu permanecer no local durante a descida do caixão. Uma oração ainda foi feita no local e, ao final, os presentes tornaram a bater palmas para as duas vítimas.

Perplexos, amigos da família comentaram o quanto a mãe de Rodrigo, assassino confesso da mãe, da tia e da sobrinha, era carinhosa com o rapaz que apresentava sinais de doença mental desde os 20 anos. Muitos disseram que ela sempre teve um zelo especial por ele e que ninguém imaginava que as coisas chegariam a esse ponto. Também houve quem dissesse duvidar que Rodrigo havia agido sozinho. O caso ainda está em investigação pela polícia.