UFJF e Ministério Público fazem parceria para apurar gargalos na saúde


Por Renan Ribeiro

02/03/2017 às 18h58- Atualizada 02/03/2017 às 19h04

(Foto: Alexandre  Dornelas/ UFJF)
(Foto: Alexandre Dornelas/ UFJF)

Com a intenção de apurar as causas de gargalos na área da saúde identificadas pelo Ministério Público Estadual (MPE), como a dificuldade de acesso a leitos de UTIs Neonatais e as falhas na distribuição de medicamentos no SUS, a UFJF e o MPE assinaram um convênio nessa quinta-feira (2). A parceria envolve, em um primeiro momento, as Faculdades de Administração e Ciências Contábeis e de Medicina, que devem produzir indicadores, interpretar os resultados e avaliá-los. Com os resultados, o MPE terá condições de indicar formas de trabalho, que possam ser aplicadas para solucionar os problemas. A parceria foi iniciada há mais de um ano, quando começaram as discussões que formataram a colaboração. Enquanto a UFJF ficará responsável pela pesquisa científica, o MPE deve instaurar os procedimentos necessários para viabilizar a coleta de material para análise. A partir da formalização do convênio, de acordo com o promotor e coordenador Regional das Promotorias de Justiça e Defesa da Macrorregião Sudeste, Rodrigo Ferreira de Barros, o trabalho de campo pode ser iniciado.

“O convênio assinado é celebrado para cinco anos, com previsão de várias frentes nas quais podemos atuar junto com o Ministério Público, em busca de soluções para a área de saúde. A ampliação pode se dar por meio da abertura de novas frentes de trabalho. Dessa forma, envolvemos mais grupos de pesquisa, mais estudantes da UFJF e temos a expectativa de que a cooperação possa ser prorrogada por mais tempo”, explicou o reitor da UFJF, Marcus Vinícius David. A primeira frente que deve ser analisada pelo grupo é a dificuldade de acesso da população a procedimentos de pré-natal, inclusive, a ocupação de leitos em UTIs neonatais. Em outra frente, o convênio deve se dedicar à gestão e distribuição de medicamentos, outra fonte de demandas indicada pelo MPE.

“Vivenciamos diariamente uma série de problemas. A pesquisa científica vai identificar quais são as causas e permitirá uma atuação mais qualificada do MPE sobre os pontos que apresentam ineficiência, além de apontar quais procedimentos devem ser adotados para solucioná-los”, comentou o promotor Rodrigo de Barros. Ele explica que há um déficit no número de leitos de UTI disponíveis, por exemplo. “O número de pacientes aguardando por esse tipo de atendimento é muito maior do que o de unidades disponíveis.” Do mesmo modo que se faz necessário avaliar como acontece a dispersão de medicamentos, queremos saber se o controle e a aquisição são eficientes e se esses remédios estão chegando para quem realmente precisa, tanto na atenção primária à saúde, quanto nos tratamentos especializados.

O convênio não tem ônus financeiro para nenhuma das partes envolvidas e não possui, por esse motivo, dotação orçamentária. Ele visa ao estudo de 94 municípios da Região Ampliada de Saúde Sudeste, formado pelas microrregiões de Além Paraíba, Carangola, Juiz de Fora, Lima Duarte, Bom Jardim de Minas, Leopoldina, Cataguases, Muriaé, Santos Dumont São João Nepomuceno, Bicas e Ubá.