Três mulheres assassinadas

População cerca prédio na Halfeld, onde corpo de idosa de 85 anos foi encontrado com sinais de violência (Olavo Prazeres/30-06-16)
Os assassinatos de três mulheres da mesma família, de 85, 78 e 19 anos, causaram perplexidade ontem em Juiz de Fora. As três vítimas teriam sido mortas por um familiar, que é sobrinho da mais velha, filho da outra idosa e tio da jovem. O corpo de Maria Aparecida Liguori de Cerqueira, 85, foi encontrado primeiro. Ela estava morta em seu apartamento no Calçadão da Rua Halfeld, no Centro. Cerca de duas horas depois, as outras duas mulheres Elizabeth Philomena Liguori de Oliveira e Lara Amaral Liguori de Oliveira – avó e neta – foram achadas em um apartamento da Rua Dom Viçoso, no Bairro Alto dos Passos, na Zona Sul. Logo após a tragédia familiar que chocou a cidade, a Polícia Militar começou as buscas pelo principal suspeito, enquanto a Polícia Civil deu início às investigações. O homem, de 40 anos de idade, que teria problemas psiquiátricos desde os 20, estava em um Chevrolet Cobalt alugado e, após rastreado, foi preso, por volta das 19h de ontem no município de Barroso, a cerca de 130 quilômetros de Juiz de Fora. Comovidos, familiares passaram o dia em estado de choque, acompanhando os trabalhos da perícia no Instituto Médico Legal (IML) e na delegacia. À noite, os corpos das vítimas chegaram ao Cemitério Parque da Saudade, onde seriam velados na mesma capela.
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No caso do apartamento 1.002, do número 775 do Calçadão da Halfeld, o corpo de Maria Aparecida foi encontrado por uma sobrinha, que também era sua cuidadora, quando ela chegava para trabalhar pela manhã. A idosa morreu em cima de sua cama, em um dos quartos do imóvel, que ficava nos fundos do prédio. A Polícia Militar foi acionada e, em princípio, tratou o caso como suicídio. Porém, após acionar o Samu, foi constatado que a mulher apresentava um corte no pescoço e ferimentos na cabeça. A movimentação da polícia em frente ao prédio chamou atenção de pedestres na via mais movimentada da cidade.

No Alto dos Passos, descoberta de outras duas mulheres mortas, entre elas uma estudante de medicina de 19 anos (no detalhe), confirmou parentesco de vítimas (Marcelo Ribeiro/30-06-16)
A perícia da Polícia Civil foi acionada e confirmou que havia sinais de violência no corpo. A polícia não detalhou como teria sido causada a morte da idosa, mas a perícia recolheu uma panela de pressão, objeto que pode ter sido utilizado no crime. Ao serem verificados indícios de que havia ocorrido um assassinato no apartamento, uma equipe da Delegacia Especializada de Homicídios se deslocou para a Halfeld. Além dos investigadores e do delegado da Especializada, José Márcio de Almeida Lopes, a delegada regional, Patrícia Ribeiro, também esteve no endereço. Eles permaneceram no imóvel por cerca de uma hora e meia. Neste intervalo de tempo, a polícia recebeu a informação de que mais duas pessoas da família da idosa haviam sido encontradas mortas no Alto dos Passos. O corpo da idosa moradora da Halfeld foi removido às 13h30 e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Nenhum familiar foi encontrado no endereço.
Mortas a golpes de machadinha no Alto dos Passos

Objetos usados no crime, como machadinha e panela de pressão, são apreeendidos pela polícia (Marcelo Ribeiro/30-06-16)
Segundo a Polícia Militar, depois de tomarem conhecimento do crime no apartamento do Calçadão da Halfeld, parentes se dirigiram até a casa da irmã da vítima, Elizabeth Philomena Liguori de Oliveira, que morava na Rua Dom Viçoso, para contar sobre o ocorrido. A empregada, que trabalhava tanto na casa de Elizabeth como na residência de outro parente da idosa, na Rua Machado Sobrinho, também no Alto dos Passos, teria entrado no apartamento para prepará-la para receber a notícia dos familiares, entretanto, se deparou com o corpo da dona da casa. Ela estava enrolada em um cobertor com dois dedos decepados ao lado do corpo.
De acordo com a PM, a funcionária imediatamente se dirigiu para a Machado Sobrinho, informando o fato a outro neto da idosa, de 18 anos. “Em denúncia, via telefone, fomos informados sobre um homicídio neste endereço, e, quando chegamos, constatamos que eram duas vítimas”, disse o subtenente Rocha, do 27º Batalhão de Polícia Militar (BPM). A jovem, Lara Amaral Liguori de Oliveira, 19 anos, foi encontrada morta em outro quarto, também deitada na cama, com um travesseiro sobre o rosto e uma machadinha ao lado do corpo. Lara era de Coronel Pacheco e vivia com a avó porque estudava Medicina na UFJF. O Samu foi acionado para constatar os óbitos. Segundo a PM, não havia sinais de arrombamento no apartamento, o que levantou a suspeita de que poderia ser o filho de Elizabeth. A perícia chegou por volta das 13h e, após os trabalhos, os corpos foram retirados pela funerária e também encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML).
Comoção
Devido à presença de viaturas das polícias Militar e Civil, muitos curiosos se aglomeraram na Rua Dom Viçoso para acompanhar os trabalhos. Como era horário de almoço, dezenas de pessoas ocuparam rampas das calçadas. Nas proximidades do prédio em que a avó e a neta foram encontradas mortas, familiares e amigos se encontravam completamente consternados. Com um misto de tristeza e revolta, uma mulher, que seria filha de uma das idosas falecidas, se preocupava em manter em segurança um dos filhos, menor de idade, e que estava em horário escolar, temendo a ocorrência de outros acontecimentos envolvendo a família. Outros parentes se ausentaram do local para buscá-lo no colégio em que estudava e trazê-lo para junto da mãe. Ninguém falou com a imprensa. Colegas de turma da estudante da Faculdade de Medicina da UFJF chegaram ao local minutos antes de os corpos serem removidos pela funerária. Comovidos, eles buscaram dar apoio aos outros familiares das vítimas.
Por meio da Secretaria de Comunicação, a UFJF confirmou que a estudante cursava o segundo período do curso, tendo ingressado na instituição no ano de 2015. Em nota, a UFJF manifestou o seu pesar e informou que foi decretado luto na unidade, sendo as aulas suspensas na tarde desta quinta-feira. “A coordenadora do curso, professora Ivana Moutinho, ressaltou que Lara foi uma excelente aluna e deixou marcada na Medicina sua breve passagem. Destacou ainda que a morte da estudante deixa toda a comunidade acadêmica consternada”, disse a nota.









