‘Estão pagando pra ver o que vai acontecer com a gente’, diz moradora do Dom Bosco

Moradores resistem à evacuação mesmo diante de riscos e pedem por maior assistência


Por Elisabetta Mazocoli e Fernanda Castilho

01/03/2026 às 15h19

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Barranco que cedeu no Bairro Dom Bosco (Foto: Leonardo Costa)

Ruas e casas construídas em áreas de risco do Bairro Dom Bosco, na região Central de Juiz de Fora, foram atingidas pelas fortes chuvas que iniciaram na segunda-feira (23). Mesmo diante de riscos, moradores do bairro resistem à ideia de deixar suas casas e pedem por maior assistência do poder público.

Mariana dos Santos Pereira, 37 anos, moradora do Bairro Dom Bosco, teve sua casa interditada pela Defesa Civil de Juiz de Fora neste domingo (1), após as fortes chuvas que atingiram todo o município e a região. Segundo ela, após obras realizadas pela Cesama na rua Jean Beghelli com a rua Silvério da Silveira, na parte do bairro conhecida como “chapadão”, houve infiltração nas casas — inclusive na sua. Foram dias pedindo ajuda até que alguém viesse avaliar a situação e prestar ajuda para as cinco famílias que moram no terreno. “Os barrancos dessas casas caíram, tudo devido também ao buraco aberto na obra. Disseram que aqui está tudo oco, que a casa está caindo. Aí desceu o barranco e minha casa soltou da terra”, diz. Mesmo com a interdição da rua, muitos condutores continuam subindo no trecho de carro, causando maior pressão no solo já instável e deixando a moradora ainda mais insegura. “Estão pagando pra ver o que vai acontecer com a gente”, disse.

Em desabafo, Mariana, que vive com os filhos, a sobrinha gestante e seus cachorros, conta que desde a última quarta-feira dorme mal e passou a usar medicamentos para lidar com a situação. Ela também revela estar com medo de perder, além da casa, seu emprego como técnica de enfermagem. “Trabalho na área da saúde, como vou conseguir cuidar de alguém sendo que eu estou precisando ser cuidada? Como vou cuidar de alguém se a minha família está em risco?”, questiona.

Mesmo tendo deixado sua casa e ido para o imóvel de parentes e amigos, ela diz que a situação provoca muita insegurança, já que mesmo os mais próximos também moram no bairro. Parte dos seus familiares não queriam deixar o imóvel por receio de não terem onde ficar. “A Prefeitura e a Defesa Civil pedem para ir para o abrigo, mas não é fácil largar tudo que a gente conquistou aqui e ir dormir lá. A gente só quer ficar seguro dentro da nossa casa”, diz. Uma outra moradora, que não quis ser identificada na matéria, corroborou o relato. Ela voltou para a casa, que também está localizada em local de risco, depois de ter passado uma noite no abrigo. “Não é fácil deixar a vida para trás. Não tenho como ir pra casa de ninguém”, contou.

PJF recomenda evacuação diante de insegurança

Em casos de insegurança, mesmo em vias ainda sem indicação formal de evacuação, e mesmo com a presente trégua das chuvas, a recomendação da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) é sair de casa. “Quem não tiver para onde ir deve se dirigir aos abrigos disponibilizados pela Prefeitura”.

O órgão afirmou que a linha 199, da Defesa Civil, está com alto volume de chamadas, mas que ao tentar ligar, deve-se insistir na chamada, pois as ligações entram em fila de espera e são atendidas. “A Defesa Civil segue em monitoramento permanente das áreas de risco e está emitindo orientações de evacuação para locais ameaçados pelos canais oficiais da Prefeitura”.

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