CPI da Covid: Renan anuncia 14 investigados, incluindo Queiroga e Pazuello

Maioria das pessoas é ligada ao presidente Jair Bolsonaro; Wizard e Weintraub fazem ‘turismo da impunidade’, afirma Renan


Por Agência Estado

18/06/2021 às 13h44

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), classificou oficialmente 14 pessoas como investigadas pela comissão. A maioria delas é ligada ao presidente Jair Bolsonaro, o que representa uma derrota para o governo na CPI e expõe a articulação para enquadrar e responsabilizar o chefe do Planalto pelo descontrole da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

O atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é um dos investigados. Na prática, passar da condição de testemunha para investigado permite que Queiroga e os demais tenham acessos aos documentos da CPI, além de sinalizar que a comissão já levantou provas e indícios para responsabilizar a atuação dessas pessoas na pandemia. Por outro lado, em um possível novo depoimento, um investigado pode optar por não falar no colegiado.

A CPI recebeu documentos do Itamaraty mostrando que Queiroga se comunicou com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e defendeu em abril o tratamento precoce contra a doença. O depoimento de Queiroga na CPI foi classificado pelo relator como “pífio”, inclusive com declarações mentirosas ao ter negado que defendia o uso de medicamentos sem eficácia comprovada e dito que possui autonomia do presidente Jair Bolsonaro na pasta.

O relator também afirmou que Queiroga levou um “puxão de orelha” da OMS ao ter cobrado agilidade no envio de vacinas ao Brasil após, no ano passado, ter atrasado os pedidos do imunizante e optado por comprar vacinas apenas para 10% da população do Brasil no consórcio Covax Facility, quando era permitida a opção pela compra de imunizantes para atender 20% ou até 50% da população brasileira. Integrantes do suposto “gabinete paralelo” que assessora o presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia também são alvos da CPI.

Veja a lista dos investigados pela CPI da Covid:

– Elcio Franco – ex-secretário executivo do Ministério da Saúde.
– Arthur Weintraub – ex-assessor internacional da Presidência da República.
– Carlos Wizard – empresário.
– Eduardo Pazuello – ex-ministro da Saúde.
– Ernesto Araújo – ex-ministro das Relações Exteriores.
– Fabio Wajngarten – ex-secretário de Comunicação.
– Francieli Fantinato – coordenadora do Programa Nacional de Imunização.
– Hélio Angotti Neto – secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde.
– Marcellus Campêlo – ex-secretário de Saúde do Amazonas.
– Marcelo Queiroga – ministro da Saúde.
– Mayra Pinheiro – secretário de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde.
– Nise Yamaguchi – médica oncologista.
– Paulo Zanotto – virologista.
– Luciano Azevedo – anestesista.

Wizard e Weintraub fazem ‘turismo da impunidade’, afirma Renan

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que o empresário Carlos Wizard e o ex-assessor internacional do presidente Jair Bolsonaro, Arthur Weintraub, estão fazendo “turismo de impunidade” ao não comparecer para prestar depoimento no colegiado. Os dois estão fora do Brasil e foram convocados para esclarecer participação no chamado “gabinete paralelo” que assessorou o chefe do Planalto na pandemia.

Carlos Wizard pediu para ser ouvido virtualmente, solicitação negada pela CPI. O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), decidiu acionar a Justiça para a condução coercitiva e a apreensão do passaporte de Wizard quando este estiver em território nacional. Wizard informou que viajou aos Estados Unidos para acompanhar o tratamento médico de um familiar.

“O que eles estão fazendo, porque têm dinheiro, é uma espécie de turismo de impunidade” disse o relator em coletiva de imprensa. “Viajam para o exterior para driblar o prazo da CPI. Isso evidentemente põe obstáculos no caminho da investigação e nós não vamos concordar que essas coisas aconteçam.”

Renan Calheiros afirmou que mais da metade dos fatos investigados pela CPI já estão comprovados. Nesta sexta-feira, ele apresentou uma lista com 14 pessoas que se tornaram oficialmente investigadas. Na mesma coletiva de imprensa, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), declarou que o relatório de Renan, quando for apresentado, será “blindado” e que aqueles que defendem Bolsonaro serão “abandonados”.

O prazo de funcionamento da CPI termina no final de julho. A intenção da cúpula da comissão é que não haja recesso para que o período seja cumprido sem prorrogação. A próxima fase da investigação, disse Randolfe, envolverá as suspeitas de desvios na saúde do Rio de Janeiro. Para ele, há um “acumpliciamento criminoso” entre agentes privados e públicos na pandemia.

A CPI fará uma sessão secreta com o governador cassado do Rio Wilson Witzel. A inclusão de governadores como investigados, reforçou o relator, dependerá de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores, a avaliação é de que o Judiciário não dará aval para o Senado investigar os chefes de Executivos estaduais.

Queiroga

Renan Calheiros também afirmou que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, “mentiu muito” ao prestar depoimento no colegiado. Queiroga e outras 13 pessoas foram oficialmente classificadas como investigadas pela CPI.

Documentos enviados pelo Itamaraty à CPI mostram que o ministro da Saúde “tentou vender o tratamento precoce e a cloroquina” em conversa com a Organização Mundial de Saúde, de acordo com o relator. Na CPI, ele afirmou que o tratamento precoce não tem eficácia comprovada contra o novo coronavírus.

“Ele finge que é ministro, defende o uso de máscara e o presidente diz que ele estará obrigado a fazer um decreto minimizando o uso de máscara. Defende autonomia concorrente dos Estados e o presidente da República entra, com a participação dele, contra essa autonomia concorrente”, afirmou o relator da CPI da Covid, na coletiva.

Renan classificou como irresponsável as declarações de Jair Bolsonaro nas redes sociais reforçando a tese de imunidade de rebanho. “Ele continua induzindo as pessoas a não se vacinarem. Continua, dessa forma, matando pessoas”, disse o relator.

A CPI resolveu convocar representantes do Facebook e Youtube após Bolsonaro declarar, em transmissão ao vivo, que a infecção por covid é mais eficiente do que a vacina. Os senadores querem que as plataformas tomem providências para banir a veiculação desse tipo de conteúdo.

Para Renan Calheiros, Bolsonaro continua induzindo pessoas à morte com respaldo do ministro da Saúde. “Ele (Queiroga) vai ter que ser investigado para que ele entenda que precisa parar com essa loucura, que ele não pode continuar, a pretexto do cargo que ocupa, fazer essas atrocidades ou concordar com as atrocidades que são feitas diariamente pelo presidente da República.”

Os comentários nas postagens e os conteúdos dos colunistas não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir comentários que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.