Você acorda cedo ou prefere dormir até mais tarde? A ciência revela por que não existe um horário perfeito para todos
Entender o próprio padrão de sono vale mais do que seguir fórmulas prontas de horário de despertar.

Não existe um minuto exato no relógio que garanta acordar bem disposto. Pesquisa publicada no site The Conversation, assinada por pesquisadores da Universidade de Murcia, mostra que o momento ideal de despertar depende de uma combinação de fatores pessoais, e não de uma fórmula única aplicável a todo mundo.
Duas pessoas podem dormir pelo mesmo número de horas e acordar em condições completamente diferentes. Uma se levanta alerta, enquanto a outra sente o corpo pesado e a mente lenta, como se ainda estivesse presa ao sono.

Por que a sensação muda tanto de um dia para o outro
Esse estado de torpor ao despertar tem nome: inércia do sono. Nesse período, o cérebro ainda não retomou plenamente suas funções, o que deixa as reações mais lentas e dificulta decisões simples logo após a pessoa abrir os olhos.
A sensação costuma passar sozinha, geralmente em cerca de 30 minutos, embora em alguns casos esse tempo seja maior. A intensidade da inércia varia de pessoa para pessoa e depende de quantas horas a pessoa dormiu, do horário marcado pelo relógio biológico interno e da forma como ocorreu o despertar.

O papel do estágio do sono no despertar
Dormir não funciona como apertar um botão e religá-lo horas depois. A noite se organiza em estágios distintos: sono leve, sono profundo e sono REM, quando os olhos se movem rapidamente, que se alternam em ciclos ao longo das horas de descanso.
Despertar próximo de uma fase REM costuma trazer mais disposição e até lembrança de sonhos recentes. Já uma interrupção abrupta durante o sono profundo tende a deixar a inércia mais intensa.
O estágio do sono no momento do despertar não explica tudo sozinho. O acúmulo de privação de sono, o horário do dia em que a pessoa acorda e o cronotipo individual, se ela é mais produtiva de manhã ou à noite, também influenciam. Às vezes até mais do que a fase exata do sono.
Acordar durante o sono leve ou o REM aumenta a chance de um despertar tranquilo, mas não garante disposição automática. Os próprios autores do estudo reforçam que cada organismo reage de um jeito às mesmas condições de sono.

Por que o cálculo de 90 minutos não funciona
Uma recomendação popular sugere calcular ciclos de 90 minutos a partir do horário de despertar, prometendo que dormir por 6 horas, 7 horas e meia ou 9 horas garantiria acordar durante o sono REM. A ideia tem a aparência de uma conta exata, fácil de seguir.
O problema é que esses 90 minutos representam apenas uma média entre pessoas, não um padrão fixo aplicável a cada noite. O estudo da Universidade de Murcia mostra que os ciclos de sono variam de duração conforme o indivíduo e até ao longo da mesma noite, o que torna esse tipo de cálculo pouco confiável na prática.
O texto reforça que entender o próprio padrão de sono vale mais do que seguir fórmulas prontas de horário de despertar.
O que acontece com seu corpo quando você dorme menos ciclos do que precisa
Reduzir as horas de sono para acordar cedo, mesmo com a intenção de fazer exercício ou ganhar tempo, traz consequências imediatas e de longo prazo. No dia seguinte a uma noite encurtada, a pessoa pode ter sonolência durante o dia, dificuldade para se concentrar, desatenção, irritabilidade, dor de cabeça e tontura.
Esses sintomas afetam as atividades normais e a segurança.
Mas o problema vai além do dia seguinte, e quando noites mal dormidas se tornam rotina ao longo de anos, aumenta o risco de problemas cardiovasculares, como infarto e derrame cerebral. Além de hipertensão, obesidade, diabetes, colesterol alterado e sintomas de ansiedade e depressão. Também há risco de perda de memória e desenvolvimento de demência.
Dormir o suficiente é necessário para manter o corpo funcionando adequadamente.









