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Uma decisão de Trump nos EUA pode mexer com o preço do combustível no Brasil e acende alerta para os brasileiros

Dados do Ministério do Desenvolvimento apontam uma dependência real.


Por Clyverton Silva

29/09/2026 às 08h57

Uma decisão de Trump nos EUA pode mexer com o preço do combustível no Brasil e acende alerta para os brasileiros
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O governo americano pondera cercear embarques de diesel. Combustível que sai dos portos dos Estados Unidos a preços cada vez mais altos — e essa deliberação traz riscos diretos para quem abastece carro no Brasil.

Donald Trump sinalizou no último fim de semana que a Casa Branca trabalha para conter o valor do diesel no mercado interno americano, reconhecendo que qualquer restrição às vendas externas elevaria temporariamente o preço da gasolina doméstica.

Dados do Ministério do Desenvolvimento apontam uma dependência real: o país importa aproximadamente 30% de todo diesel que consome. A Rússia é o maior fornecedor externo, seguida pelos Estados Unidos.

Informações da Kpler colocam o Brasil entre os maiores compradores do combustível americano. Numa lista que inclui Chile, México, Peru, Marrocos, França e Reino Unido — uma posição que amplia a exposição local a mudanças de política comercial americana.

Por que a restrição americana importa

Se Washington bloquear embarques de diesel, países importadores teriam de reorganizar fornecedores num momento em que a oferta global já sofre pressões. Conflitos entre Rússia e Ucrânia, tensões entre Washington e Irã, além de estoques reduzidos, comprimem o mercado internacional. Realocar compras nesse cenário significaria pagar mais caro ou enfrentar dificuldades de abastecimento.

Analistas do Goldman Sachs calculam cenários distintos conforme a duração de uma eventual proibição. Enquanto houver espaço nos reservatórios americanos, cada semana de restrição poderia derrubar o preço do diesel no varejo dos Estados Unidos em aproximadamente US$ 0,25 por galão — reduzindo pressão interna.

Mas com silos cheios, a conta muda: restringir o diesel criaria pressão de alta na gasolina, já que os dois combustíveis são refinados juntos na maioria das plantas.

Até agora nenhuma ação concreta foi anunciada, e a discussão ganhou tração porque o diesel atingiu patamares críticos no mercado americano, criando pressão política para agir.