Um problema que ocupava apenas a 7ª posição em 1990 agora lidera os riscos à saúde no Brasil e ultrapassou até a hipertensão
Pesquisa integra a série Global Burden of Disease e acompanha há décadas os principais fatores associados à perda de saúde no país.

O maior risco à saúde da população brasileira já não é a pressão alta, e sim o excesso de peso. O índice de massa corporal elevado saltou da 7ª posição em 1990 para o topo do ranking em 2023, deixando a hipertensão para trás, segundo estudo publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas.
A pesquisa integra a série Global Burden of Disease e acompanha há décadas os principais fatores associados à perda de saúde no país. Os dados revelam um Brasil que aprendeu a conter alguns problemas antigos, mas falhou em barrar o avanço do peso corporal.
A mudança da obesidade para o topo do ranking mostra como o perfil dos riscos à saúde se transformou no período analisado.
O que melhorou e o que piorou no país
A pressão arterial elevada dominava o ranking de fatores de risco no início do período analisado. Políticas de controle e o maior acesso a medicamentos ajudaram a reduzir seu impacto, e ela caiu para o 2º lugar.
O tabagismo seguiu o mesmo caminho: sua redução diminuiu o peso desse fator entre as causas de adoecimento. Já a glicose alta no sangue, ligada principalmente ao diabetes, subiu da 6ª posição em 1990 para a 3ª em 2023, na mesma direção da obesidade.
Uma doença crônica com várias causas
O Ministério da Saúde trata a obesidade como doença crônica e multifatorial, ligada a fatores biológicos, sociais e ambientais, além da má alimentação e da pouca atividade física. Não se trata, portanto, de um problema isolado de escolha individual.
Segundo o Ministério da Saúde, o excesso de peso eleva o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, problemas no fígado e nos rins, além de alguns tipos de câncer. Esse conjunto de complicações amplia o impacto da obesidade sobre o sistema de saúde.
As canetas emagrecedoras ganharam popularidade nos últimos anos como ferramenta de tratamento e fazem parte da resposta a esse cenário. Desde 2025, os preços desses medicamentos caíram cerca de 70% nas farmácias, segundo o governo federal.









