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Um movimento simples, feito deitado no chão, ganhou destaque entre treinadores que orientam pessoas com mais de 60 anos

Praticado regularmente, o exercício produz resultados em poucas semanas e dispensa academia, equipamento ou técnica complexa.


Por Bernardo Teixeira

01/11/2026 às 19h33

Um movimento simples, feito deitado no chão, ganhou destaque entre treinadores que orientam pessoas com mais de 60 anos
Foto: SHVETS production/Pexels

Fortalecer os glúteos na meia-idade é o caminho mais direto para preservar a autonomia nas tarefas diárias, segundo consenso crescente entre profissionais de educação física e fisioterapia.

A ponte de glúteos, um exercício feito deitado, sem equipamento e em poucos minutos, concentra a atenção desses especialistas como uma das ferramentas mais eficazes para quem passou dos 60 anos e quer manter a independência no cotidiano.

Subir um lance de escadas, sair de uma cadeira sem apoio ou caminhar sem que as pernas fraquejem são gestos que parecem banais até deixarem de ser fáceis. Os glúteos são essenciais para essas ações, e seu enfraquecimento é um dos principais fatores da perda de mobilidade com o passar dos anos.

Resgatar essa força muscular não exige academia nem aparelhos sofisticados, apenas conhecimento do movimento correto.

Por que esse exercício importa depois dos 60

Os glúteos funcionam como motor da movimentação humana em atividades rotineiras. Caminhar, subir escadas e levantar-se de uma cadeira dependem diretamente dessa musculatura.

Bruno Pontes, preparador físico certificado pelo American College of Sports Medicine e pela AFAA. Explica que o fortalecimento dessa região está vinculado diretamente à capacidade de executar as tarefas do dia a dia com independência, conforme publicado no Tom’s Guide.

Quando essa força desaparece, não se perde apenas a mobilidade, perde-se também a segurança ao se mover pela casa ou na rua.

Mantê-los fortes deixa de ser questão meramente estética e torna-se imperativo para a autonomia. A parte inferior do corpo, quando bem condicionada, permite que o idoso viva sem depender de terceiros para atividades que qualquer pessoa considera óbvias.

Homem idoso se exercitando em casa em um mat de yoga com halteres. Estilo de vida saudável e fitness.
Foto: SHVETS production/Pexels

Como executar o movimento corretamente

O exercício começa com o corpo deitado de costas no chão. Os joelhos devem ficar levemente dobrados, e os pés, bem apoiados no chão, na altura dos ombros. Nessa posição, eleve o quadril enquanto contrai os glúteos, e depois, desça lentamente até quase tocar o chão novamente, e mantenha o ritmo controlado, sem acelerar.

A execução adequada concentra o esforço nos músculos-alvo e evita sobrecarregar as costas. Como cada pessoa tem um nível de condicionamento, o movimento deve respeitar os próprios limites para reduzir o risco de lesões.

Quando praticado com regularidade, esse movimento reduz a tensão na região lombar e melhora a estabilidade pélvica. Esses ganhos facilitam tarefas que muitos idosos temem deixar de conseguir realizar com o tempo. A prática de 10 a 12 repetições já produz resultados em poucas semanas.

Um caminho acessível para a longevidade

A ponte de glúteos é recomendada por profissionais pela simplicidade. Não exige academia, equipamento de custo elevado nem uma técnica que demande anos de treinamento. O movimento pode ser incluído na rotina em diferentes lugares, como a sala ou o quarto, inclusive ao acordar.

Essa acessibilidade remove uma das maiores desculpas para não treinar: a falta de recursos ou tempo para se deslocar até um espaço especializado. Proteger a mobilidade após os 60 é investimento direto em qualidade de vida futura. E quando o exercício que oferece esse retorno é tão simples, a decisão de começar fica ainda mais clara.

Homem idoso exercitando em um tapete de yoga em casa, promovendo um estilo de vida saudável e bem-estar.
Foto: SHVETS production/Pexels

Como a força muscular se relaciona com o risco de morte

A força muscular funciona como indicador da saúde de vários sistemas do corpo ao mesmo tempo. Quando os músculos se mantêm fortes durante o envelhecimento, isso mostra que os ossos, o sistema nervoso e o metabolismo estão trabalhando bem em conjunto. Esses sistemas sustentam a mobilidade, o equilíbrio e a capacidade de realizar atividades do dia a dia.

Além disso, músculos mais fortes protegem contra lesões e incapacidades, pessoas com melhor força muscular têm menor probabilidade de cair ou se recuperam mais facilmente se caírem.

O tecido muscular também desempenha papel importante na regulação do açúcar no sangue e no uso de energia, o que explica por que manter a força está associado a melhor controle de condições como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

O estudo que mudou o entendimento sobre força e longevidade

A relação entre força muscular e longevidade não é recente, mas foi confirmada por uma pesquisa abrangente que acompanhou mais de 5 mil mulheres, de 63 a 99 anos, durante oito anos.

Os pesquisadores mediram a força de duas formas: pelo aperto de mão e pelo tempo que cada participante levou para se levantar de uma cadeira sem usar os braços. Eram dois testes simples, baratos e que não exigiam equipamentos especializados.

Mulheres com maior força no aperto de mão e melhor desempenho no teste da cadeira apresentaram risco significativamente menor de morrer por qualquer causa durante o acompanhamento. A associação permaneceu depois que os pesquisadores consideraram fatores como idade, condições médicas crônicas, características socioeconômicas e níveis de atividade física.

O resultado indica que a força muscular é um preditor importante de sobrevivência, independentemente desses fatores.