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Trump anuncia fechamento de famoso centro cultural nos Estados Unidos, após Justiça barrar tentativa de colocar seu nome no prédio

O Kennedy Center, um dos principais centros de artes cênicas de Washington, será fechado imediatamente após uma decisão judicial impedir novamente que o…


Por Evellyn Nascimento

16/09/2026 às 14h34

Trump anuncia fechamento de famoso centro cultural nos Estados Unidos, após Justiça barrar tentativa de colocar seu nome no prédio
Foto: Mark Stebnicki/Pexels

O Kennedy Center, um dos principais centros de artes cênicas de Washington, será fechado imediatamente após uma decisão judicial impedir novamente que o nome de Donald Trump seja acrescentado ao edifício. O anúncio foi feito pelo próprio presidente na terça-feira (15), pouco depois de um juiz federal bloquear a mais recente tentativa do conselho da instituição de homenageá-lo no complexo.

O conselho de administração, formado majoritariamente por aliados de Trump, votou pelo fechamento do prédio principal sob a justificativa de que seriam necessárias intervenções de segurança e uma ampla reforma. A decisão ocorreu poucas horas depois de o juiz federal Christopher Cooper determinar que o conselho não poderia colocar o nome do presidente no prédio ou renomear áreas do complexo sem autorização do Congresso.

Em publicação na Truth Social, Trump afirmou que o fechamento seria necessário para dar início ao processo de reconstrução. O presidente, porém, também condicionou a realização das obras ao resultado da disputa judicial: segundo ele, se os tribunais mantiverem o bloqueio à inclusão de seu nome, a reforma não será realizada.

Justiça já havia determinado retirada do nome de Trump

A disputa não começou com a decisão desta terça-feira. Em maio, Cooper já havia determinado que o nome de Trump fosse retirado da fachada do Kennedy Center, ao concluir que somente o Congresso poderia alterar a denominação estabelecida para o memorial dedicado ao ex-presidente John F. Kennedy. As letras foram removidas em junho.

Em agosto, no entanto, o conselho voltou a aprovar uma proposta para colocar o nome de Trump no edifício. Entre as alternativas discutidas estava uma inscrição relacionada à reforma do centro e a possibilidade de renomear a área externa como “President Donald J. Trump Plaza”. A iniciativa voltou à Justiça e foi novamente barrada por Cooper.

Na decisão de 22 páginas, o juiz afirmou que o conselho não poderia instalar novos memoriais para Trump ou qualquer outra pessoa ou entidade no Kennedy Center sem autorização do Congresso. A determinação atingiu não apenas a fachada, mas também a tentativa de renomear espaços físicos do complexo.

Fechamento ocorre em meio a disputa sobre reforma

A direção do Kennedy Center afirma que o prédio apresenta problemas estruturais que exigem uma intervenção imediata. No início de setembro, parte do teto do Grand Foyer desabou, espalhando destroços em uma área de circulação próxima às salas de espetáculo. Ninguém ficou ferido no incidente.

O conselho também vinha defendendo o fechamento do edifício para uma grande reforma. Documentos apresentados à Justiça apontavam que a estrutura estaria insegura para ocupação contínua e que seriam necessárias obras extensas. A caracterização dos problemas, porém, foi contestada por representantes da deputada Joyce Beatty, que move a ação contra a tentativa de acrescentar o nome de Trump ao centro.

O governo federal destinou US$257 milhões para a reforma, segundo documentos judiciais citados pela Associated Press. Trump afirmou que os trabalhos, considerados por ele “muito amplos e complexos”, não começarão caso a Justiça mantenha a decisão que impede a inclusão de seu nome.

Programação cultural é afetada

O fechamento interrompe as atividades no principal edifício do Kennedy Center e ocorre depois de meses de mudanças na programação e na administração da instituição. Desde que Trump assumiu o comando do conselho, o centro passou por uma série de alterações em sua gestão e enfrentou cancelamentos e disputas relacionadas à programação artística.

A controvérsia sobre o nome também já provocou reações entre artistas. O músico Chuck Redd, por exemplo, cancelou uma apresentação de Natal no centro em protesto contra a tentativa de associar o nome de Trump à instituição. Posteriormente, o Kennedy Center foi condenado a pagar US$ 252 mil ao músico, segundo o texto original da matéria e fontes sobre o caso.

Trump fala em manter centro fechado

Após a decisão judicial, Trump indicou que o impasse sobre seu nome pode determinar o futuro da reforma. O presidente afirmou que pretende recorrer e que o Departamento de Justiça buscará acelerar a tramitação do caso nos tribunais superiores.

A disputa agora envolve, de um lado, o fechamento e a reforma defendidos pelo conselho do Kennedy Center e, de outro, a determinação judicial de que mudanças destinadas a homenagear Trump dependem de autorização do Congresso. Enquanto o processo avança, o prédio permanece fechado e a realização das obras continua vinculada ao desfecho da disputa judicial.

Por que o centro recebeu o nome de Kennedy

O Kennedy Center recebeu esse nome em homenagem ao ex-presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, assassinado em 22 de novembro de 1963, em Dallas, no Texas. Kennedy estava em um carro aberto durante uma carreata quando foi atingido por tiros. Ele tinha 46 anos e morreu pouco depois, no hospital.

O complexo cultural foi inaugurado em 1971, oito anos após a morte do presidente, como um memorial nacional em sua homenagem. A instituição é oficialmente chamada John F. Kennedy Center for the Performing Arts, e sua denominação foi estabelecida por lei federal — um dos principais argumentos usados na Justiça para barrar a tentativa de acrescentar o nome de Trump ao prédio sem autorização do Congresso.