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Tratamento criado nos anos 1970 para ajudar o coração surpreende pesquisadores ao apresentar resultados promissores contra a perda de memória ligada ao Alzheimer

Estudo com 190 participantes mostrou que 78% dos pacientes com Alzheimer leve melhoraram após seis meses de tratamento.


Por Bernardo Teixeira

25/10/2026 às 19h04

Tratamento criado nos anos 1970 para ajudar o coração surpreende pesquisadores ao apresentar resultados promissores contra a perda de memória ligada ao Alzheimer
Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

Um procedimento cardíaco desenvolvido há mais de cinco décadas pode beneficiar pacientes com Alzheimer. A contrapulsação externa aprimorada, conhecida pela sigla EECP, comprime as pernas e os glúteos para intensificar o fluxo sanguíneo para o coração. Descobertas recentes indicam que o tratamento também beneficia a circulação cerebral.

Pesquisadores, liderados por Jack Juni, documentaram que o tratamento várias vezes por semana traz ganhos cognitivos em pessoas com declínio mental leve ou demência inicial. Os resultados foram publicados em maio na revista American Journal of Alzheimer’s Disease & Other Dementias e sugerem um caminho inesperado para preservar funções de memória e pensamento.

Uma pessoa idosa recebe apoio de um cuidador, segurando as mãos dentro de casa, demonstrando compaixão.
Foto: Matthias Zomer/Pexels

Resultados promissores em pacientes com demência

Entre os 190 participantes do ensaio, 78% dos que tinham comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer em fase inicial melhoraram após seis meses de EECP. Em média, os voluntários que receberam o tratamento obtiveram cinco pontos a mais nos testes de função cognitiva, resultado equivalente à recuperação de dois anos de declínio.

O experimento comparou dois grupos: metade recebeu EECP regularmente, enquanto a outra utilizou placebo. Os dois grupos passaram por avaliações de memória, atenção, linguagem e raciocínio lógico, além de testes de atividades do dia a dia, como vestir-se, alimentar-se e executar tarefas domésticas.

Mulher idosa usando giz de cera em sessão de arteterapia dentro de casa. Foco nas mãos.
Foto: JIUN-JE LIN/Pexels

Tratamento pouco disponível no Brasil

Apesar dos resultados, a EECP ainda é pouco usada no país e oferecida apenas em alguns centros cardiológicos privados. Os próprios pesquisadores reconhecem, porém, que o estudo envolveu um número limitado de voluntários e que os resultados precisam ser validados em amostras maiores antes de mudar os protocolos clínicos.

A descoberta estimula o estudo de como a melhora da oxigenação sistêmica pode estabilizar ou reverter perdas cognitivas. Estudos futuros devem esclarecer se o benefício se estende a fases mais avançadas da doença e qual intervalo entre as sessões seria ideal para manter os ganhos.

Por que melhorar a circulação nas pernas ajuda o cérebro

A EECP comprime as pernas e os glúteos em um padrão específico para intensificar o fluxo sanguíneo. Embora tenha sido criado para beneficiar o coração, o procedimento também melhora a circulação sistêmica, inclusive no cérebro. Com mais oxigênio e nutrientes chegando aos neurônios, a circulação aprimorada pode ajudar a preservar ou recuperar funções cognitivas em pessoas com declínio mental.

O que significa melhora de cinco pontos em testes cognitivos

Para quem convive com Alzheimer ou comprometimento cognitivo leve, uma melhora de cinco pontos na escala de função cognitiva é significativa: equivale a recuperar aproximadamente dois anos de declínio. Na prática, isso pode significar lembrar melhor de acontecimentos recentes.

Manter conversas mais fluidas ou executar tarefas do dia a dia, como se vestir, comer ou cuidar da casa, com menos dificuldade ou assistência.

Um senhor idoso pensativo contempla o ambiente interno. A luz suave e os tons quentes acentuam a atmosfera serena.
Foto: Vitaly Gariev/Pexels

Quando a EECP pode não trazer os mesmos resultados

Os resultados promissores do estudo foram obtidos especificamente em pacientes com comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer em fase inicial. Os pesquisadores ainda não sabem se o tratamento funciona da mesma forma em fases mais avançadas da doença, quando a perda cognitiva já é severa.

O benefício pode, portanto, estar limitado a uma fase específica do Alzheimer, o que reforça a necessidade de tratar os pacientes nos estágios iniciais para aproveitar ao máximo seus efeitos.