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Ter o próprio negócio ou garantir os direitos da carteira assinada? Pesquisa revela qual caminho os brasileiros mais associam a uma vida melhor

Religião e aspiração moldam o eleitorado com igual peso na decisão de voto entre os candidatos.


Por Clyverton Silva

22/10/2026 às 13h38

Ter o próprio negócio ou garantir os direitos da carteira assinada? Pesquisa revela qual caminho os brasileiros mais associam a uma vida melhor
Foto ilustrativa: Vitaly Gariev/Pexels

Um levantamento da Meio/Ideia divulgado nesta terça-feira (21) mostra que quase metade dos brasileiros, 43,3%, associa melhorar de vida à possibilidade de abrir o próprio negócio ou trabalhar de forma autônoma. A carteira assinada, com seus direitos trabalhistas, aparece como essa referência para 32,0% dos entrevistados — um retrato de como as aspirações variam conforme o grupo de eleitores.

Essa diferença também se reflete no eleitorado dos candidatos: entre quem apoia Flávio Bolsonaro, 62,3% dizem preferir empreender por conta própria. Já entre os que apoiam Lula, 65,4% veem a estabilidade da carteira assinada como sinônimo de uma vida melhor.

A aspiração que vai além da renda

Na análise da pesquisa, o CEO do Meio, Pedro Doria, aponta que essa divisão não reflete diferenças econômicas entre os grupos. A distribuição de renda dos dois grupos é semelhante, e a preferência se mantém em praticamente todas as faixas de ganho. Isso ocorre inclusive entre os integrantes da classe C. Com renda de 1 a 3 salários mínimos: 67,8% dos que querem um negócio próprio apoiam Bolsonaro, enquanto 63,0% dos que preferem a carteira assinada apoiam Lula.

O documento também descarta que a ocupação atual explique a diferença. Entre quem já trabalha por conta própria ou é empresário, o apoio a Flávio cai para 55,9%, contra 38,9% entre esse mesmo grupo que prefere carteira assinada. Isso revela um padrão importante: o que define o voto não é ser empreendedor, mas desejar sê-lo.

Religião e aspiração moldam o eleitorado

A pesquisa aponta que a aspiração pesa tanto quanto a religião na decisão eleitoral. Evangélicos dão 69,6% de apoio a Bolsonaro, e católicos, 55,0% a Lula. É justamente entre os eleitores católicos, porém, que essa preferência de vida produz o efeito mais acentuado na decisão de voto.

Entre os que preferem um negócio próprio, Flávio tem 53,6% dos votos, contra 42,3%. Já entre os que preferem a carteira assinada, Lula chega a 76,7%, contra 20,1%.

Entre evangélicos, a vantagem de Flávio prevalece até entre quem deseja carteira assinada: 58,3% a 36,7%. Entre todos os aspectos analisados na pesquisa, nenhum outro expõe de forma tão nítida o contraste entre os perfis e as expectativas de quem vota em Flávio e em Lula quanto essas duas preferências de vida.