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SUS vai ganhar hospitais voltados aos idosos após governo buscar modelo em Portugal e Espanha

O governo federal avalia criar uma estrutura própria de assistência aos idosos dentro do SUS. A ideia é repensar como a rede pública atende essa…


Por Evellyn Nascimento

28/08/2026 às 09h36

SUS vai ganhar hospitais voltados aos idosos após governo buscar modelo em Portugal e Espanha
Foto: Jsme MILA/Pexels

O governo federal avalia criar uma estrutura própria de assistência aos idosos dentro do SUS. A ideia é repensar como a rede pública atende essa população, tomando como referência experiências de outros países, como Portugal e Espanha, mas com ajustes para a realidade do Brasil.

O ministro Alexandre Padilha deu detalhes sobre os planos nesta quinta-feira, 20, durante o 34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, em Brasília. Segundo ele, a proposta deve unir ações de prevenção, atenção primária e assistência especializada, somadas à criação de novos formatos de atendimento voltados ao público idoso.

As novidades que o SUS vai oferecer

Hospitais de transição são o destaque da proposta. Eles ofereceriam reabilitação após a internação, permitindo ao idoso retornar ao convívio familiar com suporte profissional. Ao lado deles poderiam integrar espaços comunitários com atividades de cultura, esporte, lazer e qualificação profissional. Hoje não há no país uma rede pública oficialmente organizada de hospitais de transição, mas o tema já é discutido no Congresso, que tem projetos de lei em tramitação para incorporar esse modelo à saúde pública.

Cuidados paliativos também estão em estudo para expansão na rede. Hoje, a rede pública conta com apenas uma unidade dedicada integralmente a esse tipo de cuidado, o Hospital Estadual Mont Serrat, em Salvador — o restante do país se apoia em alas, enfermarias e núcleos especializados espalhados por outros estados, sem uma cobertura organizada. A reorganização pretende mudar esse cenário fragmentado.

Como ficará a responsabilidade das famílias

Um objetivo central é evitar que o peso do cuidado recaia principalmente sobre parentes. O modelo mantém o idoso próximo à família — valor cultural importante na sociedade brasileira — mas oferecendo suporte profissional adequado para não sobrecarregar filhos e netos. Padilha destacou que as Santas Casas e instituições filantrópicas terão papel decisivo, aproveitando infraestrutura subutilizada que já possuem, como estruturas de cuidados paliativos.

A proposta também considera hospitais de base comunitária, estruturas menores e mais próximas das populações locais. Isso reduz barreiras de acesso e integra o idoso com sua rede de vizinhos e amigos, em vez de isolá-lo em unidades distantes do bairro.

Onde a proposta está agora

Ainda em elaboração, a reorganização será discutida com o setor filantrópico. Há também um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional — o PL 977/2026 — que busca oficializar a Assistência de Transição de Cuidados dentro do SUS.

Hoje, esse tipo de serviço funciona de forma fragmentada em enfermarias de reabilitação dentro de hospitais gerais ou através de redes de atenção domiciliar, sem um modelo unificado ou exclusivo.

Se aprovado, o novo desenho marcaria a primeira vez que o Brasil teria uma rede pública e estruturada voltada especificamente para essa modalidade de cuidado.