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Suas lágrimas podem revelar mais sobre o cérebro do que você imagina

Pesquisa indica que lágrimas podem revelar informações sobre a saúde e ajudar no desenvolvimento de exames menos invasivos


Por Yasmin Henrique

18/07/2026 às 12h57

Suas lágrimas podem revelar mais sobre o cérebro do que você imagina
(Foto: reprodução/kaboompics/Pexels)

Pesquisadores têm estudado as lágrimas como uma possível fonte de informações sobre a saúde, já que o fluido contém moléculas capazes de refletir processos biológicos do organismo. Essa característica pode abrir caminho para exames mais simples, rápidos e menos invasivos no futuro.

Um dos avanços nessa área foi desenvolvido pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde cientistas criaram um sensor de baixo custo capaz de detectar dopamina em lágrimas. O dispositivo identificou diferentes concentrações do neurotransmissor em testes com lágrimas artificiais humanas, em estudo publicado na revista científica ACS Omega.

Lágrimas revelam o Parkinson

Dopamina e Parkinson:

  • A dopamina é um neurotransmissor essencial para a comunicação entre neurônios, atuando nos movimentos, aprendizagem, memória, motivação e emoções.
  • Alterações nessa substância estão relacionadas a condições neurológicas e psiquiátricas.
  • No Parkinson, a perda de neurônios produtores de dopamina compromete a coordenação dos movimentos, causando sintomas como tremores, rigidez e lentidão.

Lágrimas como fonte de informações:

  • O fluido lacrimal é estudado como uma alternativa simples e indolor para identificar biomarcadores.
  • As lágrimas possuem moléculas como proteínas, lipídios e metabólitos capazes de refletir processos do organismo.

Sensor desenvolvido pela UFPel:

  • O dispositivo utiliza grafeno produzido por laser para detectar dopamina.
  • A reação do neurotransmissor com o material gera um sinal elétrico que indica sua concentração.
  • O sensor tem tamanho aproximado ao de um selo postal.

Resultados e limitações:

  • O equipamento identificou diferentes níveis de dopamina em testes laboratoriais e manteve o funcionamento mesmo com outras substâncias presentes nas amostras.
  • A tecnologia ainda está em fase experimental e precisa de novos estudos com lágrimas reais de pacientes para avaliar sua aplicação clínica.

Fonte de informações

O uso das lágrimas como fonte de informações de saúde vai além das pesquisas sobre Parkinson. Estudos avaliam seu potencial na identificação de doenças oculares, processos inflamatórios e alterações neurológicas, incluindo possíveis marcadores relacionados ao Alzheimer, como as proteínas tau e beta-amiloide.

Embora ainda não substituam exames tradicionais, as pesquisas indicam que o fluido lacrimal pode se tornar uma ferramenta complementar para acompanhar diferentes processos do organismo. O desafio é transformar os resultados laboratoriais em testes seguros e confiáveis para aplicação médica.