Rio na Amazônia que ferve a 90°C por causa do magma da Terra e cozinha animais vivos que caem na água

Rio na Amazônia ferve em pontos extremos por calor geotérmico, ultrapassa 90°C e reduz biodiversidade local


Por Yasmin Henrique

10/06/2026 às 18h26

Rio na Amazônia que ferve a 90°C por causa do magma da Terra e cozinha animais vivos que caem na água

Pesquisas científicas apontam o Shanay-timpishka como um modelo natural para investigar os efeitos do aumento de temperatura sobre florestas tropicais, devido às condições incomuns registradas em seu ambiente. Localizado na floresta amazônica do Peru, o rio apresenta características térmicas extremas que chamam a atenção da comunidade científica.

Em determinados pontos de seu percurso, a água ultrapassa 90 °C e pode se aproximar de 100 °C, o que o torna conhecido como o “rio que ferve”. Essa condição o coloca entre os ambientes naturais mais extremos já documentados na Amazônia, servindo como referência para o estudo de ecossistemas submetidos a calor intenso.

Rio fervente

As temperaturas extremas do rio não estão associadas à radiação solar, mas a processos geológicos subterrâneos. Falhas na crosta terrestre permitem a ascensão de águas aquecidas em profundidade, criando pontos que se aproximam do ponto de ebulição. O contato com a água pode causar queimaduras graves em poucos segundos e representa risco elevado para a fauna local. 

Vegetação e biodiversidade (Global Change Biology)

  • Amostragem: gradiente térmico de 1 a 2 km e 70 parcelas.
  • Método: monitoramento contínuo de temperatura.
  • Resultado: queda média de 11% na diversidade a cada +1 °C.
  • Em áreas mais quentes: até 33% menos espécies.
  • Efeito adicional: comunidades vegetais mais homogêneas.

Fisiologia vegetal (tolerância ao calor)

  • Espécies analisadas: 6 tipos amazônicos.
  • Foco: fotossíntese sob estresse térmico.
  • Resultado: resposta desigual entre espécies.
  • Alguns casos mostram aclimatação parcial entre estações.
  • Exposição experimental: até 43 °C.
  • Indica limites fisiológicos em ambientes úmidos tropicais.

Estresse térmico foliar (New Phytologist)

  • Avaliação: margens de segurança térmica das folhas.
  • Resultado: redução progressiva com aumento de temperatura.
  • Consequência: maior vulnerabilidade ao calor.
  • Relação direta com perda de diversidade observada.

Cursos d’água da Amazônia

Na Amazônia, além do Shanay-timpishkade, existem cursos d’água com diferentes tipos de risco ambiental e físico. 

  • Rio Tinto: sofre contaminação por metais pesados ligados à mineração ilegal, elevando o risco de intoxicação. 
  • Rio Madre de Dios: concentra mercúrio na água e nos peixes, com impactos à saúde humana. 
  • Rio Beni: tem correntezas fortes e cheias perigosas, aumentando afogamentos e erosão. 
  • Rio Amazonas, em certos trechos: envolve riscos por correnteza intensa, baixa visibilidade, fauna e acidentes em períodos de cheia.