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Remédio tomado uma única vez ajuda a impedir que doença rara volte e Brasil registra menor número de casos desde 1978

O Brasil registrou em 2025 o menor número de casos de malária desde 1978, segundo o Ministério da Saúde. Foram 118.037 diagnósticos ao longo do ano, uma…


Por Evellyn Nascimento

07/09/2026 às 13h46

Remédio tomado uma única vez ajuda a impedir que doença rara volte e Brasil registra menor número de casos desde 1978
Foto: Reprodução/Agevisa/RO

O Brasil registrou em 2025 o menor número de casos de malária desde 1978, segundo o Ministério da Saúde. Foram 118.037 diagnósticos ao longo do ano, uma redução de 15% em relação a 2024. No mesmo período, as mortes pela doença passaram de 56 para 39, queda de 30%, enquanto os casos da forma grave diminuíram 30,7%.

Os resultados ocorrem em um período de ampliação do uso da tafenoquina, medicamento capaz de combater uma das formas do parasita responsável pelas recaídas da malária. Incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023, o tratamento começou a ser disponibilizado na rede pública em 2024.

A principal diferença está na duração do tratamento. Enquanto alguns medicamentos precisam ser administrados durante vários dias, a tafenoquina pode ser utilizada em dose única em pacientes que atendem aos critérios clínicos. A estratégia é especialmente relevante em regiões onde o acesso aos serviços de saúde pode dificultar o acompanhamento de tratamentos prolongados.

Novo tratamento do Brasil contra recaídas de malária

A malária causada pelo Plasmodium vivax, espécie responsável pela maior parte dos casos registrados no país, pode retornar mesmo depois que os sintomas desaparecem. Isso acontece porque o parasita consegue permanecer no fígado em uma forma dormente, que posteriormente pode voltar à circulação sanguínea e provocar um novo episódio.

É justamente nessa etapa que a tafenoquina atua. O medicamento elimina os parasitas que permanecem no fígado e, dessa maneira, reduz a possibilidade de que a infecção volte a se manifestar.

A administração em dose única também facilita a adesão ao tratamento. Em comunidades indígenas e localidades mais distantes dos centros urbanos, completar um esquema que exige medicamentos por vários dias pode representar uma dificuldade adicional para pacientes e equipes de saúde.

A tafenoquina foi incorporada ao SUS para pessoas com 16 anos ou mais, com peso a partir de 35 quilos, e passou a ser oferecida pela rede pública em 2024. Até junho de 2026, mais de 33.700 pessoas haviam recebido o medicamento, incluindo 3.920 pacientes atendidos em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

Alcance ampliado para crianças muda o impacto em comunidades indígenas

A oferta do tratamento foi ampliada em março de 2026, quando uma formulação pediátrica passou a permitir o uso em crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos. A mudança amplia o alcance de uma estratégia de prevenção de recaídas em uma população importante para o controle da doença no país.

Até junho deste ano, 1.446 crianças e adolescentes já haviam recebido o medicamento. A ampliação tem relevância especialmente para comunidades indígenas, que concentram parte significativa dos casos de malária registrados no Brasil.

No Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, 1.515 pessoas receberam tafenoquina. Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária caíram 61,9% na região. Considerando os casos totais, houve redução de 55% entre janeiro e julho, com os registros passando de cerca de 17 mil para 7,6 mil.

A oferta do medicamento já alcança 54 municípios e 17 DSEIs. Para ampliar o uso adequado, mais de 2.400 profissionais de saúde foram capacitados para prescrever e acompanhar o tratamento.

Liderança global e integração em estratégia maior de saúde

O Brasil foi o primeiro país a incorporar a tafenoquina ao tratamento da malária pela rede pública de saúde. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do Ministério da Saúde para reduzir a ocorrência da doença e avançar no controle de enfermidades consideradas prioritárias.

A redução dos casos e das mortes por malária também está relacionada ao programa Brasil Saudável — Unir para Cuidar, coordenado pelo Ministério da Saúde em conjunto com outros 14 ministérios. A estratégia reúne ações para eliminar ou reduzir como problemas de saúde pública 11 doenças e cinco infecções de transmissão vertical até 2030.

Entre as enfermidades incluídas no programa está a própria malária, que permanece concentrada principalmente na região amazônica. A ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento, combinada a medidas de prevenção e controle, integra os esforços para reduzir a transmissão e evitar novos episódios da doença.

Os dados mais recentes foram apresentados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Brasília, durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. O resultado de 2025 representa um dos principais avanços recentes no controle da malária no país, enquanto a ampliação do tratamento em 2026 busca reduzir ainda mais as recaídas e facilitar o atendimento de populações que vivem em áreas de difícil acesso.