Principal obstáculo que está fazendo milhares de brasileiros largarem as canetas emagrecedoras no meio do tratamento

Pesquisa aponta que apenas 28% dos pacientes conseguem manter tratamento com canetas GLP-1; 65% interrompem a terapia por diferentes barreiras


Por Yasmin Henrique

08/06/2026 às 17h53

Principal obstáculo que está fazendo milhares de brasileiros largarem as canetas emagrecedoras no meio do tratamento

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas para Farmácias (IFEPEC), a pedido da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), em maio de 2026, ouviu 1.067 médicos de diferentes especialidades e regiões do país e está entre os maiores levantamentos nacionais sobre a percepção médica em relação aos agonistas do receptor de GLP-1. 

Os resultados mostram que, embora essas terapias sejam amplamente reconhecidas pelos especialistas pelos benefícios no tratamento da obesidade, do diabetes tipo 2 e de doenças cardiometabólicas, o alto custo ainda é o principal entrave para ampliar o acesso no Brasil.

Obstáculo para usar as canetas

Segundo os dados, apenas 28% dos pacientes considerados aptos conseguem manter o tratamento nas condições atuais de preço. Além disso, cerca de 65% abandonam a terapia ou deixam de seguir corretamente a posologia prescrita devido a limitações financeiras. 

Na avaliação dos profissionais consultados, uma redução de aproximadamente 35% nos preços poderia ampliar a viabilidade do tratamento para cerca de 45% dos pacientes.

O estudo também identificou preocupações relacionadas ao uso inadequado dessas terapias. Em média, 7% dos pacientes relatam já ter utilizado medicamentos GLP-1 sem prescrição médica antes da primeira consulta. 

Diante da crescente demanda, a Anvisa adotou regras mais rígidas para os medicamentos GLP-1. Desde junho de 2025, produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro só podem ser vendidos com retenção de receita. Em 2026, a agência também criou um sistema de monitoramento para acompanhar efeitos adversos e padrões de uso dessas terapias.

Expansão do mercado

Apesar das dificuldades de acesso, a demanda por medicamentos GLP-1 continua crescendo no Brasil, especialmente pela semaglutida. O consumo, porém, permanece mais concentrado entre pacientes de maior renda. A expectativa é que esse cenário mude com a chegada de biossimilares, similares e genéricos, impulsionada pelo fim da patente da semaglutida. 

Em maio de 2026, a Anvisa aprovou a primeira caneta genérica do medicamento no país. Também há discussões sobre ampliar a oferta dessas terapias no SUS, enquanto o aumento da concorrência é visto como um fator capaz de reduzir preços e ampliar o acesso ao tratamento.