Princesa Diana abriu o armário no dia em que Charles admitiu a traição e escolheu um vestido guardado havia três anos; agora ele vai a leilão

No dia em que o mundo ficou sabendo da infidelidade do Príncipe de Gales no casamento com a Princesa Diana, ela abriu o próprio armário e escolheu um vestido que estava guardado há 3 anos e foi para um evento na Serpentine Gallery, em Londres. Para muitos, a roupa foi uma resposta à repercussão da revelação do seu ex-marido. A ideia seria mostrar que “ela estava de volta e não era mais uma vítima”. Agora, esse vestido icônico, na cor preta, será leiloado.
O episódio aconteceu em 29 de junho de 1994, quando Diana e Charles já estavam separados havia cerca de dois anos. Naquela noite, uma entrevista televisiva do então Príncipe de Gales foi exibida no Reino Unido, na qual ele reconheceu que havia sido infiel durante o casamento. Algumas horas depois, Diana apareceu em um evento beneficente organizado pela revista Vanity Fair na Serpentine Gallery.
A escolha da roupa acabou transformando uma aparição pública em um dos momentos mais conhecidos da história da moda. O vestido havia sido criado pela estilista grega Christina Stambolian três anos antes, mas permaneceu no guarda-roupa de Diana até aquela noite.
Charles admitiu a infidelidade na televisão
A decisão de Diana aconteceu poucas horas depois da exibição de um documentário de aproximadamente duas horas e meia sobre Charles.
Durante a entrevista conduzida pelo jornalista Jonathan Dimbleby, o então príncipe foi questionado sobre sua fidelidade durante o casamento. Charles respondeu inicialmente que havia sido fiel, mas depois reconheceu que a relação havia chegado a um ponto em que estava “irremediavelmente rompida” e que os dois haviam tentado manter o casamento.
A revelação não surgiu completamente de surpresa. Informações sobre a entrevista já haviam sido divulgadas nos dias anteriores, aumentando a atenção da imprensa sobre a vida pessoal do casal. Mesmo assim, a transmissão ampliou a repercussão do caso e ocorreu no mesmo dia em que Diana decidiu aparecer publicamente com o vestido preto.
Essa coincidência de acontecimentos fez com que a roupa passasse a ser interpretada como uma resposta visual à situação. O vestido posteriormente recebeu o apelido de “revenge dress”, ou “vestido da vingança”.
A roupa foi acompanhada por acessórios marcantes
Diana não utilizou apenas o vestido para compor o visual daquela noite. Ela combinou a peça com sapatos Manolo Blahnik, uma bolsa Salvatore Ferragamo e um colar de pérolas e safiras.
O colar também carregava uma história própria. A joia tinha sido montada a partir de uma peça que Diana havia recebido da Rainha Elizabeth, a Rainha-Mãe, como presente de casamento.
O conjunto produziu uma imagem muito diferente daquela que poderia ter sido associada a uma noite marcada pela exposição pública da crise matrimonial. Diana apareceu diante dos fotógrafos com uma roupa que chamava atenção justamente por sua combinação de elegância, simplicidade e ousadia.
A partir daquele momento, o vestido deixou de ser apenas uma peça do guarda-roupa da princesa e passou a fazer parte da história da moda.
Por que ele ficou conhecido como “vestido da vingança”?
O apelido não significa que exista uma declaração formal de Diana dizendo que escolheu a roupa exclusivamente para provocar Charles. A interpretação surgiu posteriormente a partir da combinação entre o contexto daquela noite, o visual escolhido e a maneira como a princesa apareceu diante do público.
A autora Georgina Howell, no livro “Diana, Her Life in Fashion”, interpretou a aparição como uma demonstração de que Diana não queria mais ocupar o papel de vítima. A Sotheby’s também considera que a escolha da roupa permitiu que a princesa retomasse o controle sobre a maneira como sua imagem era apresentada ao público.
Dessa forma, o chamado “revenge dressing” passou a ser associado à utilização deliberada da moda para transmitir uma mensagem em momentos de exposição pública.
No caso de Diana, o significado foi reforçado pelo fato de que a roupa escolhida estava havia anos em seu armário e acabou sendo usada justamente na noite em que a crise de seu casamento ganhou uma nova dimensão pública.
A cor preta também tinha um significado dentro da realeza
O vestido chamou atenção não apenas pelo corte, mas também pela cor.
Segundo a Vogue britânica, o protocolo do Palácio de Buckingham determinava que integrantes da família real evitassem roupas completamente pretas fora de situações de luto. Depois da separação, entretanto, o preto passou a aparecer com mais frequência no guarda-roupa de Diana.
Isso ajudou a tornar aquela aparição ainda mais marcante. A roupa não seguia apenas uma tendência de moda, mas contrastava com expectativas que cercavam a imagem pública de uma integrante da família real.
Com o tempo, a fotografia de Diana usando o vestido passou a ser reproduzida inúmeras vezes e a peça ganhou uma importância que ultrapassou o episódio original.
Diana vendeu o vestido antes de morrer
O vestido não permaneceu com Diana até sua morte. Em 1997, poucos meses antes de morrer em um acidente de carro em Paris, a princesa colocou dezenas de vestidos de sua coleção pessoal em um leilão realizado em Nova York. A iniciativa arrecadou mais de US$ 3 milhões para instituições voltadas ao combate ao câncer e à AIDS.
O vestido preto de Christina Stambolian estava entre as peças vendidas naquele evento. Ele foi adquirido por Briege e Graeme Mackenzie por aproximadamente US$ 64 mil.
O casal manteve a roupa durante quase três décadas e também utilizou a peça em ações destinadas à arrecadação de dinheiro para instituições beneficentes na Escócia. Agora, porém, o vestido voltará ao mercado.
Peça será leiloada novamente em dezembro
A Sotheby’s anunciou que o vestido será colocado à venda em 9 de dezembro de 2026, em Nova York, durante sua programação Luxury Week.
A estimativa atual é que a peça seja arrematada por um valor entre US$ 150 mil e US$ 300 mil. Em conversão aproximada, considerando as cotações divulgadas recentemente, isso representa algo na faixa de centenas de milhares de reais e pode superar R$ 1,5 milhão.
O valor estimado, porém, não representa necessariamente o preço final. O histórico da própria Diana faz com que a peça tenha características que ultrapassam o valor de um vestido de alta-costura convencional.
Em 2023, por exemplo, outro vestido usado pela princesa foi vendido por US$ 1,15 milhão, valor muito acima da estimativa inicial. Isso mostra como peças relacionadas diretamente à imagem pública de Diana podem alcançar cifras elevadas em leilões especializados.
Vestido será exibido antes do leilão
Antes de chegar ao pregão em Nova York, o vestido fará uma espécie de exposição internacional.
A peça será apresentada ao público em Londres, Hong Kong, Genebra e Nova York. A iniciativa permite que interessados e admiradores conheçam o vestido presencialmente antes da venda.
Parte do dinheiro obtido com o leilão também será destinada à NHS Lothian Charity, em benefício do Royal Edinburgh Hospital.
Assim, quase 32 anos depois daquela noite na Serpentine Gallery, o vestido que Diana manteve guardado durante três anos voltará a ocupar o centro das atenções.









