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Por que ninguém consegue lembrar dos primeiros anos de vida? A ciência explica

Pesquisa investiga por que a maioria das pessoas não lembra dos primeiros anos de vida e analisa mecanismos cerebrais envolvidos na memória


Por Yasmin Henrique

10/07/2026 às 12h57

Por que ninguém consegue lembrar dos primeiros anos de vida? A ciência explica
(Foto: reprodução/cottonbro studio/Pexels)

A chamada amnésia infantil explica por que a maioria das pessoas não consegue acessar lembranças específicas dos primeiros anos de vida. O fenômeno, observado em humanos e outros mamíferos, costuma limitar as memórias conscientes de acontecimentos ocorridos antes dos 3 ou 4 anos de idade.

Pesquisas indicam que essa ausência de recordações não representa a falta de formação de memórias durante a infância, mas está relacionada aos processos de armazenamento e recuperação dessas informações pelo cérebro. 

Primeiros anos de vida esquecidos

Para investigar esse mecanismo, um estudo publicado na revista Nature Communications analisou o funcionamento do hipocampo em ratos, uma região cerebral envolvida na criação e no resgate de memórias.

Os pesquisadores analisaram o corno de Amon 3 (CA3), região do hipocampo relacionada ao armazenamento de informações e à plasticidade dos neurônios. A pesquisa avaliou tecidos cerebrais de ratos em três fases do desenvolvimento:

  • após o nascimento;
  • adolescência;
  • fase adulta.

No início da vida:

  • as redes do hipocampo apresentavam conexões mais densas e amplas;
  • havia maior interconectividade entre os neurônios.

Com o desenvolvimento cerebral:

  • as redes passaram por uma reorganização;
  • as conexões se tornaram mais específicas e estruturadas;
  • o cérebro passou a diferenciar melhor diferentes memórias.

Segundo os pesquisadores:

  • a alta interconectividade na infância faz com que diversas informações sejam processadas ao mesmo tempo;
  • isso pode resultar em memórias menos definidas e mais difíceis de recuperar posteriormente.

Experimentos com ratos mostraram que:

  • animais jovens conseguem formar memórias, mas com menor precisão;
  • após estímulos associados a risco, demonstraram medo de locais semelhantes, mesmo sem relação direta com o estímulo;
  • animais adolescentes e adultos apresentaram respostas mais específicas e reconheceram melhor o local associado ao risco.

Mais análises

Além da organização das redes neurais, pesquisadores investigam outros fatores ligados à amnésia infantil, como o desenvolvimento do hipocampo, a maturação das conexões cerebrais, a linguagem e a formação da memória autobiográfica.

Embora as lembranças conscientes da primeira infância sejam limitadas, experiências desse período podem influenciar aprendizagem, comportamento e respostas emocionais. O estudo ainda precisa ser aprofundado em humanos, mas contribui para entender como o cérebro se transforma ao longo do desenvolvimento e afeta a memória.