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Piratas fizeram tartarugas gigantes desaparecer de uma ilha, mas 158 descendentes retornam 150 anos depois

A resistência desses animais, capazes de sobreviver até um ano sem alimento ou água, virou sua sentença.


Por Clyverton Silva

12/09/2026 às 20h08

Piratas fizeram tartarugas gigantes desaparecer de uma ilha, mas 158 descendentes retornam 150 anos depois
Foto: Divulgação / Parque Nacional de Galápagos

Poucos lugares no planeta concentram tantas espécies únicas quanto o arquipélago de Galápagos. Entre elas, as tartarugas-gigantes se destacam não apenas pelo tamanho, mas pela história que carregam. Essa história, porém, está longe de ser apenas natural.

Ela foi moldada pela ação de piratas e baleeiros que frequentaram as ilhas a partir do século XVI e selaram o destino de centenas de milhares de exemplares, conforme relatos obtidos pela CNN junto a pesquisadores da Galapagos Conservancy, organização que atua na preservação do arquipélago desde 1985.

A resistência desses animais, capazes de sobreviver até um ano sem alimento ou água, virou sua sentença. Eles eram capturados justamente por aguentarem longas travessias nos porões das embarcações. Quando a tripulação precisava de comida, as tartarugas estavam disponíveis, oferecendo carne fresca, segundo explicou à CNN o diretor de conservação da entidade.

Fim das tartarugas-gigantes

Em dois séculos, entre 100 mil e 200 mil tartarugas desapareceram. Charles Darwin visitou as ilhas em 1835, a bordo do HMS Beagle, numa viagem que sustentaria sua teoria da evolução.

Cada ilha tem sua própria espécie, moldada pelo ambiente local. Muitas foram extintas pela caça. A primeira, por volta de 1850, foi a tartaruga-de-floreana, de carapaça em formato de sela, exclusiva do planeta.

Repovoamento

Em 2000, uma expedição ao Vulcão Wolf localizou tartarugas de carapaça incomum. Havia milhares de nativas, mas também algumas estranhas, chamadas de alienígenas, conforme relatou o pesquisador à CNN.

Amostras enviadas a geneticistas de Yale confirmaram diferenças em relação às espécies conhecidas. Em fevereiro de 2026, 158 filhotes foram soltos na Ilha Floreana com rastreadores por satélite, em projeto financiado pela Nasa.